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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Onde Estiver Jesus

Onde estiver Jesus, alma querida e boa,
Ilusão, erros, falhas apareçam embora,
Ainda mesmo que o mal em torno desarvora,
Esclarece, ilumina, ampara, aperfeiçoa.

Onde estiver Jesus, nada se diz à toa,
O engano pede luz onde a verdade mora,
A caridade reina, a esperança, hora a hora,
Alteia-se mais bela; o trabalho abençoa.

Onde estiver Jesus, humilhado ou sozinho,
Nas desfigurações ou nos aclives do caminho,
Inflama-te de amor – sol ardente e fecundo!...

Onde estiver Jesus... Eis que Jesus te espera
A bondade, o perdão, a decisão, a paz, a fé sincera.
Para glória da vida e para a redenção do mundo.

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A Subida

Disse-nos o Senhor:
-“Quem quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for...”
E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme

Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada,
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguiu falar, fraternalmente,
Reconfortando, os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinquentes...
Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Deprimiam lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...
No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E, sim, uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,

A sentir, sob os pés, o vigor dos espinhos.
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha

Notava-se lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho

Transformara-se em delicado engenho
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...
Tentou andar, mas sem querer,

Na alegria que o invade,
O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no além, buscando a Imensidade
Inflamado de amor.

Autora: Maria Dolores

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MINHA MÃE

Lembro-te, Mãe, revendo a nossa casa...
O pequeno jardim, o poço, a horta...
O vento brando que transpunha a porta,
Afagando o fogão de lenha em brasa...


Esfregavas a roupa na bacia...
Eu ficava na rede, aos teus desvelos...
Depois, vinhas beijando-me os cabelos,
A embalar-me, cantando de alegria.


Dorme, dorme, prenda minha,
Dorme agora, meu amor,
És a jóia que eu não tinha,
Prenda minha, minha flor!


Lá no Céu tem três estrelas, prenda minha,
Todas são de prata e luz...
Lá do Céu você me veio, prenda minha,
Por presente de Jesus!...


E lá se foi o tempo, ante as mudanças...
Cresci, fiquei rebelde... Estradas novas...
Entrei no mundo grande, em grandes provas,
Carregando saudades e esperanças...


Hoje, volto a rever-te, mãe querida!...
Quero dizer-te, em minha gratidão,
Que és o amor sempre amor, em minha vida,
É a própria vida de meu coração.

Livro: Mãe – Espírito: Maria Dolores - Médium: Chico Xavier.

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Regresso de Simão Pedro

Simão Pedro desperta, além da vida humana.
Retoma, pouco a pouco, as forças da memória.
Terminara, por fim, a luta insana
Do flagelo por grande pesadelo
Recorda a cruz do fim, levantada ao avesso,
Que aceitara na terra por vitória...
Sabe que está no além, pensando em recomeço
Do próprio apostolado...

Onde estaria o mestre Sempre Amado?
E os outros companheiros
De ânimo nobre e forte,
Que o haviam, no mundo, precedido,
Sob a perseguição sem pausa e sem sentido,
Ao encontro da morte.

A brisa da manhã suave e cristalina
Trazia-lhe perfume ao leito novo e alvo...
Indagava Simão: "Que surpresas teria?"
Tocou o próprio corpo, achou-se são e salvo
E chorava, enlevado, em suprema alegria.

Alguns instantes mais e ouviu, enternecidamente,
Cânticos de louvor e saudação;
Alguém surgiu à porta, de repente,
Envolto em doce luz
A doar-lhe conforto e proteção...
Pedro entendeu quem era e bradou-lhe: "Jesus!"

Erguendo-se, em seguida,
Leve e ágil, gritou: "Ave, Senhor da Vida!..."
cristo abeirou-se dele, a enlaçá-lo sorrindo,
Depois vieram outros companheiros,
Instrutores, amigos, mensageiros,
Do júbilo fazendo o festival mais lindo...

Pedro enxergou, feliz, os vergéis exteriores...
Eram jardins imensos,
Recheados de flores.

Em profunda euforia,
O ditoso Simão
Tomou a si a mão
Que jesus lhe estendia
E disse, quase em pranto:
— "Senhor, estou cansado,
Não mais me distancies de teu lado...
Trago comigo a dor
Dos que moram no mundo,
Aquele imenso caos, cada vez mais profundo,
De penúria, fadiga e sofrimento...
Não desejo perder as luzes que hoje alcanço,
Permite-me, Senhor ficar contigo,
Neste celeste abrigo...
Necessito de paz, de socorro e descanso...
Louvor a ti por me buscares...
Deixa-me nestes bosques estelares...
Ao mundo de onde venho,
Pelas tribulações padecidas no lenho,
Não mais quero voltar...
desejo aqui viver contigo, neste lar... "

Mas jesus apontou-lhe o imenso espaço à frente
E falou-lhe a sorrir:
- "Fica, Simão, se estás contente...
Estes sítios são teus,
Tanto quanto de todos os irmãos
Que serviram, na terra, à bondade de Deus."

cristo fez pausa e, logo após,
Explicou: "Quanto a mim,
Não posso repousar;
A construção do bem é o meu lugar...
Ouve, Simão!... 
Enquanto houver na terra um só gemido
Numa gota de pranto,
Enquanto houver no mundo um coração caído,
Devo esforçar-me por permanecer
No trabalho do amor que é meu dever...
Mas, descansa, Simão!... Ver-nos-emos depois,
Nunca houve distância entre nós dois... "

Afastou-se jesus,
Entretanto, Simão fitando o Excelso Amigo,
Bradou sem vacilar:
— "Senhor, eu vou contigo!... "

No passo firme do divino mestre,
Ambos se retiraram das Alturas,
Buscando a direção das faixas obscuras
Da vastidão terrestre...

Na retaguarda, em paz, ficou a multidão
De almas angelicais, numa doce canção,
Cujo estribilho recordava
Esta expressão de luz dos hinos galileus:
— "Louvado seja o amor!... Bendito seja Deus!"

Maria Dolores
Do livro: Alma e Vida. Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Saudades de Jesus

Pano pra fazer um berço,
Um berço pra o Rei solar.
Vi, Ele menino, moço,
Vi o Rei tornar-se varão.
Que saudade desse berço!

Eu conheço Esse homem!
Esse homem é o Rei sol!
Ele fez da água um vinho,
E um vinho saboroso!
Eu conheço Esse homem!

Esse homem foi capaz de
Ressuscitar a Lázaro!
Esse homem foi benfeitor
De Marta e de Maria.
Conheço, e sei de onde!

Esse homem é o mestre
Para a humanidade,
É uma luz-inspiração.
"Eis o homem!" Diz Pilatos.
Eis o homem, o bom mestre!

Tenho saudade imensa
DEle. Só o Pai que sabe!
Tenho saudade das lições
Do monte. Queria vê-lO
Pregando, em paz imensa!

Tenho saudade do tempo
Da convivência sagrada.
Tenho saudade das ideias,
Ideias renovadoras,
verdade além do tempo.

Esse homem é a água
Lustral para qualquer sede.
É por isso que eu tenho
Saudade do Nazareno,
E beber da lustral água!

Estou saudoso de jesus
Do Jordão, da Galileia,
Dos ventos, da Samaria,
Do Mar, do sol, e das pescas,
Dos camelos e de jesus!

O Monte das Oliveiras,
O Lago de Genesaré,
Ah! Jerusalém, saudade!
Ah! Saudade, Magdala!
A sombra das oliveiras!

Tiago, André e Mateus,
Pedro e João, no Templo,
Com os outros discípulos,
Maria de Nazaré, mãe
De jesus, mãe dos irmãos meus.

O Filho do homem traz luz
Para o mundo, traz amor,
Traz outro sentido para
A vida. A cruz não pesa
Tanto. A saudade dEle
Pesa, sim. A cruz feita de luz!

Nesse Natal, vamos orar
Para o mundo que chora,
Porque a humanidade
Sente falta, muita falta
De jesus. Oração! Orar!

Pano pra fazer um berço,
Um berço pra o Rei solar.
Vi, Ele menino, moço,
Vi o Rei tornar-se varão.
Que saudade desse berço!

Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em São Paulo/SP, em 25 de novembro de 2021.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Oração Íntima

Senhor!... Tu que me deste
Paz e consolo à vida,
Não me dês condição
Para espalhar na vida a sombra da discórdia,
Ou estender na estrada as pedras da aflição...

Tu que acendeste em mim
A luz do entendimento,
Na fé com que me alteias,
Não consintas, Jesus, que eu suprima a esperança
Das estradas alheias.

Tu que me concedeste o verbo edificante
Que nos induz
À prática do bem,
Nunca me deixes formular palavra,
Capaz de condenar ou de ferir alguém.

Tu que me desvendaste
O sublime valor da provação,
Que a lei de causa e efeito determina,
Não me faças entregue à queixa e ao desencanto,
Em que eu possa esquecer a justiça Divina.

Tu que me conferiste o privilégio
E a bênção do serviço,
Como ensejo celeste e dom perfeito,
Não permitas que eu viva sem trabalho,
Desfrutando o descanso sem proveito.

Naquilo que eu deseje
E naquilo que eu sinta, pense, diga ou faça,
Contrariamente à Eterna lei do amor,
Em tudo quanto eu queira sem que o queiras,
Não me aproves, Senhor!...

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 15 de março de 2026

O Irmão do Caminho

Simeão era muito moço ainda
Quando escutou a história de Jesus
E, acendendo esperanças na alma linda
Inflamou-se de fé, amor e luz...

Morando numa choça da montanha
Junto de antiga estrada, sem vizinho,
Era a bondade numa vida estranha,
O amigo dedicado aos irmãos do caminho.

Lia os ensinamentos do Senhor,
Mas afirmava precisar
De ação que lhe exprimisse o grande amor
Na fé que decidira praticar.

Na pequena morada, pobre e agreste,
Cavou no solo um poço... Água de mina,
Que ele, olhos em luz e sorriso na face
Oferecia a quem passasse
Por lembrança de paz da bondade Divina...

Simeão alcançara os oitenta janeiros,
Trabalhando e servindo dia a dia,
Sem quaisquer outros companheiros
Que não fossem viajantes
A pedirem pousada, companhia,
Uma noite de paz ou um copo de água fria.

Alta noite, uma voz chamou, baixinho:
-"Simeão, Simeão!... Meu irmão do caminho!..."
-"Quem sois vós?" Respondeu o interpelado.
-"Um peregrino desacompanhado...
Rogo pousada, irmão!" -Chamou o forasteiro.
Ergueu-se devagar o cansado hospedeiro,
Fez luz, abriu a porta.
Mas o vento avançou a chama semi-morta.
-"Entrai!..." disse o velhinho.
-"Agora sei que não estou sozinho."

O velhinho, entre passos mal firmados,
Sempre movimentando a luz acesa,
Trouxe a bacia de água morna e leve
Mergulhando lhe os pés ensanguentados...
Ao ver-lhe os dedos maltratados,
Disse ao viajor, tomado de surpresa:
-"Quanto sangue verteis!... Como tendes andado!...
Deu-lhe o estranho viajante esta resposta leve:
-"deus te abençoe, amigo, a assistência bem-vinda!...
creio que devo andar por muito tempo ainda!..."

De joelhos, Simeão,
Em lhe lavando os pés com infinito carinho,
A refletir nas pedras do caminho,
Ao lhe tocar nas crostas das feridas
A fim de removê-las,
Viu as chagas abertas
Eram duas estrelas...
O velhinho assombrado
Buscou fitar-lhe as mãos com ternura e respeito
E viu que estavam nelas
Grandes marcas da cruz, luminosas e belas,
Ampliando o fulgor que lhe envolvia o peito...
Ele grita, chorando de alegria:
-"Jesus!... Sois vós Jesus?!..."
E o Senhor, levando as mãos em luz,
Disse, abraçando o ancião:
-"Vem a mim, Simeão,
É chegado o teu dia
De repouso e de luz no Mais além..."

Simeão esqueceu a velhice e o cansaço
E pousou a cabeça em seu regaço...

Depois do amanhecer, outros viajantes
Chegaram como dantes,
Pedindo água, descanso, reconforto,
Mas viram que Simeão o irmão do caminho
De joelhos, para, ali sozinho,
Muito embora sorrisse, estava morto...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de março de 2026

O Culpado Vê Culpas

Ele, bonacheirão, era amigo de farras,
Tinha esposa, dois filhos, compromissos,
Entretanto, apesar dessas amarras,
prazeres para ele eram doces feitiços.

homem robusto e rico sustentava,
Companheiras diversas de alegria,
Qual senhor que somente as percebia
De escrava para escrava.

Em certa ocasião,
O nosso cavalheiro,
Dava-se por inteiro
A certo festival de comemorações,

Em cerimônias desdobradas...
Brotavam nas estradas
Palavras e atitudes estragadas,
Era quase a loucura em muita gente...

Dois dias com três noites
De fogos de artifício em céu luzente,
E o nosso amigo usava, instante a instante,
O tempo disponível,

Sem se importar, sequer, com mudanças de nível,
E aparecia sempre acompanhado
Por uma das parceiras
Que trazia de lado...

Por fim, depois de longas bebedeiras,
E de extravio deprimente,
Ei-lo, de volta ao lar, dentro da noite alta...
Era a terceira noite em que estivera ausente

Entretanto,
Não se sentia em falta...
A esposa era a esposa, a mulher diferente,
Que devia viver, atirada num canto,

Sem direito nenhum de reclamar,
Porque sempre dispunha
Do que fosse preciso para o lar.
Ele destranca a porta, de mansinho,

Pé ante pé, segue devagarinho
Para o aposento conjugal...
Mas, avançando, vê que a esposa se debruça
Nos ombros de outro homem,

- Um homem que lhe afaga a cabeleira espessa...
Ele sente-se mal
Nas ideias sombrias que o consomem,
O incêndio do ciúme invade lhe a cabeço,

Saca de bolso oculto um revolver pequeno
E atira sobre os dois, qual se estivesse louco,
Sob a ação de algum veneno...
O homem tomba morto, após giro instantâneo,

A bala lhe arrasara os recessos do crânio...
A senhora, porém, está ferida...
O marido aproxima-se, interroga,
Ela, contudo, vê que se lhe esvai a vida,

Perdendo o próprio sangue a lhe vazar do peito;
Tenta, em vão, expressar-se e não encontra o jeito...
Mas colocando as mãos, debalde, sobre o corte
Ela fita no esposo o triste olhar da morte

E responde somente,
Como quem se revela muito dificilmente,
Ao morrer, em seguida a prolongado “ai!”
- O homem que você achou comigo
É mais que amigo,
Era o seu próprio pai.

Maria Dolores
Do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Anjo e a Lama

Dia de inverno nevoento.
Desce um homem do carro,
Fita a longa extensão do caminho de barro
E acusa a terra, em volta,
Tomado de revolta,
Irritado e violento:

- maldita lama!...
Não posso me arriscar
Neste caminho imundo;
Meu carro habituado à firmeza do asfalto,
Decerto tombaria em qualquer salto.
maldita seja a hora
Em que saí de casa...

E disse para a esposa que o ouvia:
- melhor voltarmos noutro dia.
E esquecer este chão que me enerva e me arrasa.

O solo humilde e escravo
Assinalou o agravo
E entrou em singular abatimento;
Mas um dos anjos de orientação
Do campo, que aguentava o assalto da garoa,
Parou no mesmo ponto, onde o homem gritara
E disse à terra úmida: - Perdoa
Os insultos que ouvistes...
Continua servindo... Não te acuses...

Chamam-te lama vil ou barro triste;
Entretanto, nas leis da natureza,
Ninguém consegue pão à mesa
Sem recorrer ao trigo que produzes.
Denominam-te chão lodoso e feio;
Nota, porém, os teus acusadores
Querem consigo as flores
Que te nascem do seio.
O homem é um ser estranho; muita gente
Que te condena e te maldiz
Não conhece o tijolo, a telha e o corpo das paredes,
Com que fazes no mundo
Tanta gente feliz.

O asfalto, na verdade, é indício de progresso
Para as rodas de todos os matizes,
Mas não sabe o processo
De acalentar sementes e raízes
Para que a planta se estenda,
Por mágica oferenda
De supremo valor,
A colheita que ajuda a conservar
A fartura no lar
Onde a vida situa a presença do amor.
Lama, somente lama desprezível,
Chamam-te aí no mundo,
Mas quase ninguém sabe,
Talvez com exceção da mãe bovina,
Que deus te honrou com a erva, pela qual a pastagem se conserva,
Para o leite seja, ante a criança,
A essência da esperança,
Alimento e calor da bondade Divina.
Não te magoem críticas e golpes,
Não olvides que, em ti, deus resguarda e resume
A química da vida que transforma
O esterco envilecido em vagas de perfume!...

A gleba imensa ouvia a mensagem celeste;
Esqueceu toda a injúria... Parecia
Que a luz do sol voltando a beijava e envolvia,
Procurando aquecer lhe
Todas as energias interiores...
Desde esse dia, a lama desprezada,
Sentiu-se renascer para nova alvorada
E passou, de maneira invariável,
A responder sem mágoa a quaisquer agressores,
Trocando acusação, golpe e azedume
Por ondas generosas de perfume,
Em braçadas de flores.

Maria Dolores
Do livro: Momentos de Ouro, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Oração no Tempo

Agradecemos, Jesus, Ao teu amor infinito,
Este recanto bendito,
Que nos ergueste por lar,
O pão que nos dá à mesa,

A confiança, a harmonia, O entendimento,
a alegria E a bênção de trabalhar.
Agradecemos o apoio De tua força divina,
Que nos ampara e nos ilumina,
Desde a terra ao Mais além;

Os aguilhões do caminho
E o duro rigor da prova,
Que nos eleve e renova
Para a conquista do bem.

Agradecemos, ainda,
O culto vivo da prece
Que em tudo nos enriquece De paz, união e luz!...

Permite que te roguemos:
Nunca nos deixes a sós...
Seja onde for, vem a nós,
Fica conosco, Jesus!...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DE NATAL

NATAL VOLTA DE NOVO, EM NOVA MELODIA
ESPALHANDO NA TERRA A CELESTE ALEGRIA...

AGRADECEMOS, JESUS, A CONCESSÃO
DO MAIS FORMOSO DIA!...

AOS ESTUDOS DO TEMPO ME CONSAGRO,
NOTO QUE A INTELIGÊNCIA
NUNCA NOS DEU TANTA CIÊNCIA
A FIM DE TE SERVIR E ACOMPANHAR...
AS GRANDES MÁQUINAS VOAM, DO SOLO PARA O AR...

E ME PONHO A PENSAR:

SENHOR, AGORA, O QUE MAIS NECESSITAMOS,
DE MAIS FORÇA, DOMÍNIO, OURO E PODER,
A FIM DE QUE VIVAMOS DE CONQUISTA EM CONQUISTA,
TENDO SOMENTE, EM VISTA, ESCRAVIZAR E ESCRAVIZAR?...

ENTRETANTO, JESUS, AGORA VENHO
PEDIR-TE AO CORAÇÃO TALVES AINDA AMARRADO AO LENHO:
DÁ-NOS MAIS AMPLO ENTENDIMENTO DA VERDADE,
PARA SEGUIR CONTIGO
AMADO E EXCELSO AMIGO,
NO SUSTENTO DA PAZ E NA LUTA DA HUMILDADE!...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Saudade Vazia

Desde muito chorava o belo filho morto,
Num desastre de mar em suntuoso falucho...
Triste, a fidalga anciã vivia em pranto e luxo,
No esplêndido solar ao pé de velho porto...

Certo dia, a criada, em rijo desconforto,
Dá-lhe um pobre enjeitado, um magro pequerrucho.
Ela clama: Não quero! Isto é morcego e bruxo,
Tem na face de monstro o nariz feio e torto!...

E a dama solitária, em angústia insofrida,
Atravessou a morte e acordou noutra vida,
Buscando, ansiosa e rude, a afeição do passado...

Debalde soluçou, na lição do destino...
Ao desprezar na terra o infeliz pequenino,
Recusara, orgulhosa, o filho reencarnado.

Jorge Faleiros
Do livro: Poetas Redivivos, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 15 de novembro de 2025

Oração no Templo Espírita

Senhor!
Deixa que eu te agradeça novamente
As dádivas de amor
Que me fazes aqui...

Devo, Senhor, a Ti.
A graça da atenção
E os nobres pensamentos
Dos amigos queridos que me escutam,
Ofertando-me o próprio coração
Nos ouvidos atentos.

É por eles, Jesus, na alavanca da estima,
Que aspiro a caminhar, montanha acima,
Sonhando a evolução,
Com que te possa, ver, em toda parte.
No anseio de encontrar-te!...

Agradeço-te, ainda,
De espírito contente,
Este recinto amigo, doce e claro,
Em cujo seio a dor de tanta gente
Encontra proteção, alívio, amparo...

Sobretudo, agradeço
Toda mão que te serve nesta casa
E toda voz que ensina
A celeste grandeza da doutrina
Em que a tua palavra descortina,
Ante os filhos de terra,
O Reino do amor puro,
Por meta Luminosa do futuro.

Agradeço-te, mais,
O teto generoso,
A luz que me ilumina,
O lápis que me atende,
O perfume de amor que se desprende
Da mesa que me acolhe,
O exemplo dos que sofrem
Sem qualquer rebeldia,

E a fé dos que te buscam, dia a dia,
Doando aqui bondade e entendimento,
Apagando em teu nome.
Toda marca de sombra ou sofrimento.

Por todos os tesouros que nos dás,
Neste pouso de paz.
Que fulgura ao clarão da esperança bendita,
– Tesouros de alegria, vida e luz, –
Deixa que eu te repita:
– Obrigada, jesus!..

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade. Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 1 de novembro de 2025

Segue e Confia

Alma cansada e triste, alma sincera,
Sorve a angústia do cálix derradeiro!
Guarda a bênção da fé sob o madeiro
Da aflição que te punge e dilacera.

Trabalha, serve e crê, ajuda e espera,
Imitando o Celeste Companheiro...
Um dia, o doloroso cativeiro
Será livre e ridente primavera.

Vencendo ulcerações, trevas e escombros,
Bendize a dor que te enriquece os ombros
Com as chagas do martírio austero e forte.

A cruz que te aguilhoa, dia a dia,
É o luminoso preço da alegria
Na vida que te aguarda além da morte.

Auta de Souza
Do livro: Auta de Souza, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Se Eu Pudesse Ser Ouvida

Se eu pudesse ser ouvida
por todos em sofrimento
e onde houvesse um lamento,
uma pobre alma ferida,
consolar pudesse, então;

se eu pudesse em cada verso
fazer transbordar de amor,
cada gota de orvalho
caindo no coração
sob as ardências da dor,

E que eu fosse a mensageira
da palavra de esperança
ao espírito doente,
perdido sem deus no mundo,
como perdido em si mesmo,
por não achar mais caminhos,
na maior escuridão;

se eu pudesse ser ouvida
assim pelo meu irmão,
por quem fez de sua vida
um tema de solidão,
e além de lhe dar meu canto
pudesse estender-lhe a mão!

Ofélia de Lucena Osias
Do livro: Notícias do além, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A Prece

Raios de amor em sintonia com Jesus,
o pensamento é a frequência
A Prece a Divina luz...

A Prece é o alimento espiritual
que nos ilumina o coração,
assim nos ensinastes Jesus, 
ante a inquisição...

Com o pensamento em equilíbrio,
emitindo raios de bondade
é o Espírito assimilando a 
Verdadeira caridade...

Vigiai e orai pela senda da evolução,
ampare, auxilie
em forma de oração...

O pensamento é tudo, a forma não é nada,
assim disse a Espiritualidade,
em uma resposta formada...

Se o egoísmo e o orgulho,
Invadem-lhe o ser.
Pratique a Prece e conheça 
o teu santo poder...

Rogando ao Mestre Jesus, pela
Prece de cada dia,
termino assim, agradecendo em 
forma de poesia...

Autor: Denílson Ferreira da Silva

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

A Senha

Sonhei que Eu estava em um enorme jardim,
neste sonho não tinha dor, era só amor, 
e uma felicidade sem fim.

Comecei a contemplar a natureza, e pensei:
Meu Deus quanta beleza, envolta de tanta riqueza.
Talvez não merecia estar ali.

Caminhei um pouco mais, não pude deixar de notar,
Lírios com o seu perfume, rosas a bailar.

Os pássaros formavam uma orquestra,
Rios e cascatas embelezavam o lugar.

Crianças cantarolavam lindas canções de ninar,
Era a presença do Mestre Jesus, Iluminando aquele lugar.

Sentei sobre uma sombra fresca, de um enorme Jatobá,
quando uma voz meiga e suave começou a me falar:

Era a minha querida Mamãe,
Que há muito tempo partiu.

Conversamos por longo tempo até chegar 
o momento e a hora do regressar.

Acordei um tanto emocionado, coração 
descompassado mas, consegui suportar.

Naquele sonho maravilhoso,
Ficou uma linda mensagem de esperança 
e de felicidade.

A senha para adentrar neste mundo é A CARIDADE...

Autor: Denílson Ferreira da Silva

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Ajuda-te

Se queres conforto e paz
Nunca reproves ninguém.
Se buscas os bens do Céu,
Começa fazendo o bem.

No campo da humanidade
Não colherás a alegria,
Sem plantar com toda gente
A graça da simpatia.

Ajuda-te! Em toda parte,
Bondade é sol que abençoa.
Planta nobre não prospera
Sem bases na terra boa.

Caridade, gentileza,
Auxílio, calma e perdão.
São das preces mais sublimes
Em teu altar de oração

Recorda que em toda vida,
Conforme a nossa procura,
O Criador nos responde
Nos gestos da criatura

Autor espiritual: Casimiro Cunha

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.