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domingo, 1 de março de 2026

O Culpado Vê Culpas

Ele, bonacheirão, era amigo de farras,
Tinha esposa, dois filhos, compromissos,
Entretanto, apesar dessas amarras,
prazeres para ele eram doces feitiços.

homem robusto e rico sustentava,
Companheiras diversas de alegria,
Qual senhor que somente as percebia
De escrava para escrava.

Em certa ocasião,
O nosso cavalheiro,
Dava-se por inteiro
A certo festival de comemorações,

Em cerimônias desdobradas...
Brotavam nas estradas
Palavras e atitudes estragadas,
Era quase a loucura em muita gente...

Dois dias com três noites
De fogos de artifício em céu luzente,
E o nosso amigo usava, instante a instante,
O tempo disponível,

Sem se importar, sequer, com mudanças de nível,
E aparecia sempre acompanhado
Por uma das parceiras
Que trazia de lado...

Por fim, depois de longas bebedeiras,
E de extravio deprimente,
Ei-lo, de volta ao lar, dentro da noite alta...
Era a terceira noite em que estivera ausente

Entretanto,
Não se sentia em falta...
A esposa era a esposa, a mulher diferente,
Que devia viver, atirada num canto,

Sem direito nenhum de reclamar,
Porque sempre dispunha
Do que fosse preciso para o lar.
Ele destranca a porta, de mansinho,

Pé ante pé, segue devagarinho
Para o aposento conjugal...
Mas, avançando, vê que a esposa se debruça
Nos ombros de outro homem,

- Um homem que lhe afaga a cabeleira espessa...
Ele sente-se mal
Nas ideias sombrias que o consomem,
O incêndio do ciúme invade lhe a cabeço,

Saca de bolso oculto um revolver pequeno
E atira sobre os dois, qual se estivesse louco,
Sob a ação de algum veneno...
O homem tomba morto, após giro instantâneo,

A bala lhe arrasara os recessos do crânio...
A senhora, porém, está ferida...
O marido aproxima-se, interroga,
Ela, contudo, vê que se lhe esvai a vida,

Perdendo o próprio sangue a lhe vazar do peito;
Tenta, em vão, expressar-se e não encontra o jeito...
Mas colocando as mãos, debalde, sobre o corte
Ela fita no esposo o triste olhar da morte

E responde somente,
Como quem se revela muito dificilmente,
Ao morrer, em seguida a prolongado “ai!”
- O homem que você achou comigo
É mais que amigo,
Era o seu próprio pai.

Maria Dolores
Do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Anjo e a Lama

Dia de inverno nevoento.
Desce um homem do carro,
Fita a longa extensão do caminho de barro
E acusa a terra, em volta,
Tomado de revolta,
Irritado e violento:

- maldita lama!...
Não posso me arriscar
Neste caminho imundo;
Meu carro habituado à firmeza do asfalto,
Decerto tombaria em qualquer salto.
maldita seja a hora
Em que saí de casa...

E disse para a esposa que o ouvia:
- melhor voltarmos noutro dia.
E esquecer este chão que me enerva e me arrasa.

O solo humilde e escravo
Assinalou o agravo
E entrou em singular abatimento;
Mas um dos anjos de orientação
Do campo, que aguentava o assalto da garoa,
Parou no mesmo ponto, onde o homem gritara
E disse à terra úmida: - Perdoa
Os insultos que ouvistes...
Continua servindo... Não te acuses...

Chamam-te lama vil ou barro triste;
Entretanto, nas leis da natureza,
Ninguém consegue pão à mesa
Sem recorrer ao trigo que produzes.
Denominam-te chão lodoso e feio;
Nota, porém, os teus acusadores
Querem consigo as flores
Que te nascem do seio.
O homem é um ser estranho; muita gente
Que te condena e te maldiz
Não conhece o tijolo, a telha e o corpo das paredes,
Com que fazes no mundo
Tanta gente feliz.

O asfalto, na verdade, é indício de progresso
Para as rodas de todos os matizes,
Mas não sabe o processo
De acalentar sementes e raízes
Para que a planta se estenda,
Por mágica oferenda
De supremo valor,
A colheita que ajuda a conservar
A fartura no lar
Onde a vida situa a presença do amor.
Lama, somente lama desprezível,
Chamam-te aí no mundo,
Mas quase ninguém sabe,
Talvez com exceção da mãe bovina,
Que deus te honrou com a erva, pela qual a pastagem se conserva,
Para o leite seja, ante a criança,
A essência da esperança,
Alimento e calor da bondade Divina.
Não te magoem críticas e golpes,
Não olvides que, em ti, deus resguarda e resume
A química da vida que transforma
O esterco envilecido em vagas de perfume!...

A gleba imensa ouvia a mensagem celeste;
Esqueceu toda a injúria... Parecia
Que a luz do sol voltando a beijava e envolvia,
Procurando aquecer lhe
Todas as energias interiores...
Desde esse dia, a lama desprezada,
Sentiu-se renascer para nova alvorada
E passou, de maneira invariável,
A responder sem mágoa a quaisquer agressores,
Trocando acusação, golpe e azedume
Por ondas generosas de perfume,
Em braçadas de flores.

Maria Dolores
Do livro: Momentos de Ouro, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Oração no Tempo

Agradecemos, Jesus, Ao teu amor infinito,
Este recanto bendito,
Que nos ergueste por lar,
O pão que nos dá à mesa,

A confiança, a harmonia, O entendimento,
a alegria E a bênção de trabalhar.
Agradecemos o apoio De tua força divina,
Que nos ampara e nos ilumina,
Desde a terra ao Mais além;

Os aguilhões do caminho
E o duro rigor da prova,
Que nos eleve e renova
Para a conquista do bem.

Agradecemos, ainda,
O culto vivo da prece
Que em tudo nos enriquece De paz, união e luz!...

Permite que te roguemos:
Nunca nos deixes a sós...
Seja onde for, vem a nós,
Fica conosco, Jesus!...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DE NATAL

NATAL VOLTA DE NOVO, EM NOVA MELODIA
ESPALHANDO NA TERRA A CELESTE ALEGRIA...

AGRADECEMOS, JESUS, A CONCESSÃO
DO MAIS FORMOSO DIA!...

AOS ESTUDOS DO TEMPO ME CONSAGRO,
NOTO QUE A INTELIGÊNCIA
NUNCA NOS DEU TANTA CIÊNCIA
A FIM DE TE SERVIR E ACOMPANHAR...
AS GRANDES MÁQUINAS VOAM, DO SOLO PARA O AR...

E ME PONHO A PENSAR:

SENHOR, AGORA, O QUE MAIS NECESSITAMOS,
DE MAIS FORÇA, DOMÍNIO, OURO E PODER,
A FIM DE QUE VIVAMOS DE CONQUISTA EM CONQUISTA,
TENDO SOMENTE, EM VISTA, ESCRAVIZAR E ESCRAVIZAR?...

ENTRETANTO, JESUS, AGORA VENHO
PEDIR-TE AO CORAÇÃO TALVES AINDA AMARRADO AO LENHO:
DÁ-NOS MAIS AMPLO ENTENDIMENTO DA VERDADE,
PARA SEGUIR CONTIGO
AMADO E EXCELSO AMIGO,
NO SUSTENTO DA PAZ E NA LUTA DA HUMILDADE!...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.