Este é um blog de arquivo

ESTE BLOG É UM ARQUIVO DE POESIAS DO BLOG CARLOS ESPÍRITA - Visite: http://carlosespirita.blogspot.com/ Todo conteúdo deste blog é publico. Copie, imprima ou poste textos e imagens daqui em outros blogs. Vamos divulgar o Espiritismo.



terça-feira, 1 de setembro de 2026

Trabalhando

Se erraste em alguma ofensa
Sem o perdão do ofendido,
Foge às mágoas sem sentido,
Não percas tempo chorando...
Dá novo proveito às horas,
Não discutas, nem descanses,
Para sanar esses lances
Pede perdão, trabalhando...

Se alguém te armou "mau olhar"
Induzindo-te à tristeza,
Dando-te angústia e incerteza,
Apesar do gesto brando,
Recorda que, neste mundo,
É fácil achar pessoa
De alma rude e fala boa
E prossegue trabalhando...

Se alguém que amas te deixa,
Sem pensar no compromisso
De fé, amor e serviço
Vendo-te a dor aumentando
Não reclames, nem reproves;
Ascende-lhe a luz da prece,
Serve mais!... Desculpa e esquece,
Mas esquece, trabalhando...

Sobre a terra, tudo passa,
Não só o fel que te enlaça,
Outros sorvem fel na taça
Da prova em que estão lutando...
jesus nos guarda e nos guia...
alma irmã, alma sincera,
jesus também nos espera,
Mas espera trabalhando!...

Maria Dolores
Do livro: Bênçãos de Amor. Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 15 de agosto de 2026

O Salvador Inesperado

Era uma jovem artista, diferente...
Contava apenas quinze primaveras,
Mas atraía em muita gente
Interesse, atenção, bondade, simpatia.
Sabia interpretar mensagens de alegria
E enriquecer canções
Que o público
Aplaudia em palmas e ovações.
Mas, em casa, essa jovem
Tomava outra figura,
Parecia uma fera caprichosa!
Trazia exteriormente a beleza da rosa
E por dentro de si todo um arsenal de espinhos.

O pai, viúvo e só, notava isso
E ao ver a filha única, vaidosa,
Ele, humilde operário, agarrado ao serviço,
Começou a beber, buscando o esquecimento;
Lamentava a viuvez, a dor, o desalento...

E, ao estragar-se, um dia,
Ouviu a filha, em dura rebeldia,
A expulsá-lo do lar:
- Vá-se embora daqui - disse a filha a gritar.
O senhor já não manda nesta casa,
Um pai bêbado é nódoa para mim;
A tolerância sempre chega ao fim...
O seu vício me arrasa,
Saia, saia daqui, seu lugar é na rua!...
O pobre pai mal pôde levantar-se,
Mas ergue-se, recua,
E vai cambaleando na calçada,
Enquanto a filha tranca a porta
E vai dormir mal-humorada.

Seis anos transcorreram sobre a cena;
A menina fizera-se famosa.
No circo de alto luxo, ela domina...
Parecia, um trapézio, uma estrela divina
Ou borboleta humana, bailando soberana.
Era a dona dos prêmios e era vista
Por beleza sem par e modelo de artista.

Veio uma grande noite. Aplausos. alegria.
A plateia delira e a multidão das palmas,
O número da moça é quase que magia.
Há espanto nos olhos, êxtase nas almas...
O trapézio voava, ela saltava e ria,
De corpo seminu, em leve fantasia.

Nisso ocorre um imprevisto, ante a plateia atenta,
Surge um curto-circuito e faísca violenta
Ateia fogo em cima e arrasam-se estruturas.
A jovem trapezista atrapalha-se
E agarra uma viga de amarra
Que fica nas alturas...
Ela, a estrela da equipe, a moça bela e forte,
Grita e roga socorro, ao conhecer-se
Em presença da morte.

O incêndio desata, o circo se esvazia,
A jovem grita, grita e ninguém a escuta;
A multidão de longe apenas segue
Os detalhes cruéis daquela imensa luta,
Mas um velho palhaço, um canastrão de arena,
Vara o fogo e se eleva, em corda frágil;
Eis que o povo lhe exalta a coragem serena...
Certa viga, ao cair, espanca-lhe a cabeça,
Ele, porém, não para e, ante a fumaça espessa,
Alcança a moça aflita e, tomando-a nos braços,
Desce, devagarinho,
Procurando caminho,
Nos bancos chamejantes, em pedaços...

Mas, ao depor no chão a moça linda e salva,
Ela sorri feliz...
O povo aplaude, prazenteiro,
Entretanto,
Cai exausto o truão do picadeiro,
Tomba mostrando a boca, em larga flor de sangue;
Era uma chaga só aquele corpo exangue.
Arfa-lhe o peito enorme, a morte se aproxima.
Alguém chega e o reanima;
É um velho amigo que reaparecera
E que lhe arranca a máscara de cera...
O povo se aglomera... Ante a cera que cai,
A moça empalidece,
Ajoelha-se e grita, como em prece:
- Meu deus, ele é meu pai!...

E ele nela fixando o olhar que se despede e brilha,
Num resto de calor e de ternura,
Tão-somente murmura:
- deus te guarde e abençoe
Filha do coração, meu amor, minha filha!...

Maria Dolores
Do livro: Momentos de Ouro, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sábado, 1 de agosto de 2026

Santa Água

Rematando as nossas atividades na reunião da noite de 3 de fevereiro de 1955, nosso grupo recebeu a visita do poeta Benedito Rodrigues de Abreu, desencarnado no Estado de São Paulo, que recitou um original poema sobre a água.


Recordemos as virtudes de Santa Água!...
Água da chuva que fertiliza o solo,
Água do mar que gera a vida,
Água do rio que sustenta a cidade,
Água da fonte que mitiga a sede,
Água do orvalho que consola a secura,
Água da cachoeira que move a turbina,
Água do poço que alivia o deserto,
Água do banho que garante o equilíbrio,

Água do esgoto que assegura a higiene,
Água do lago que retrata as constelações,
Água que veicula o medicamento,
Água que é carícia, leite, seiva e pão, nutrindo o homem e a natureza,
Água do suor que alimenta o trabalho,
Água das lágrimas que é purificação e glória do espírito...
Santa Água é a filha mais dócil da matéria tangível,
Alongando os braços líquidos para afagar o mundo...
Água que lava,
Água que fecunda,
Água que estende o progresso,
Água que corre, simples, como sangue do Globo!...

Água que recolhe os eflúvios dos anjos
Em benefício das criaturas...
Se a dor vos bate à porta,
Se a aflição vos domina,
Trazei Santa Água ao vaso claro e limpo,
Orando junto dela...
E o rocio do Alto,
Em grânulos sutis,
Descerá das estrelas
A exaltar lhe, sublime,
A beleza e a humildade...

E, sorvida por nós,
Santa Água conosco
Será saúde e paz,
alegria e conforto,
Bálsamo milagroso
De bondade e esperança,
A impelir-nos à frente,
Na viagem divina
Da terra para o céu...

Rodrigues de Abreu
Do livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Oração da Amizade

Agradeço Senhor,
Cada afeição querida
Com que me deste a vida
alegria, esperança, entendimento, amor!

Enaltece, por mim, a amizade que vem.
Resguardar-me a fraqueza em caridade infinda,
Sem perguntar porque não posso ainda
Entregar-me de todo à prática do bem.

Sê louvado Jesus, pela criatura boa
Que me escora no caminho.
Estendendo-me paz, reconforto e carinho
Toda vez que me encontra, auxilia ou perdoa.

Faze brilhar, no mundo, o olhar brando e perfeito
Que me tolera as faltas, de hora a hora
Que me percebe o anseio de melhora
E me ensina a servir sem notar meu defeito...

Santifica, na terra, o ouvido que me escuta,
Sem espalhar a queixa e as aflições que faço,
Nos erros que cometo, passo a passo,
Nos meus dias de mágoa, sombra e luta!...

Abrilhanta, onde esteja, aquele coração.
Que me acolhe nos dons da palavra serena
E nunca me censura e nem condena,
Quando me vejo em treva e irritação.

Reclama de esplendor para a Glória Celeste
A mão, cuja bondade, em júbilo, proclamo,
Que me socorre e ampara aqueles que mais amo
No refúgio do lar que me fizeste

A Ti, Jesus, meu pálido louvor!...
Pelo gesto mais leve e pequenino
Das santas afeições que me deste ao destino.
Agradeço Senhor!....

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Segue Brasil

Após um milênio em cristo,
Ante Basílio Seguindo,
A guerra flagela o mundo
Em fúria descomunal;
Sob esplendor jamais visto,
Byzâncio governa os povos,
Despontam séculos novos
Na cúpula ocidental.

Apesar da austera soma
De vandalismos transatos,
De abusos e desacatos,
A Cruz assinala as leis;
Eugênio Terceiro, em Roma,
Prega a Cruzada Latina,
A guerra santa domina
Comunidades e reis.

O conflito segue acima,
A combates desumanos,
Irmãos se fazem tiranos,
Perde a vida o Rei Luiz;
A luta cruel dizima
Populações desoladas
E o tempo arquiva as Cruzadas
Da Cristandade infeliz.

Da idade Média a que assiste,
Dante aponta a Renascença,
Gutemberg traz a imprensa,
Da Vinci é arte e Invenção;
A América surge à vista,
O feudalismo se move,
A França de Oitenta e nove
Atiça a Revolução.

O milênio atormentado
Vibra ao signo da guerra,
Fulge o cérebro na terra,
O coração pede luz;
Treva e ambição, lado a lado,
Avançam buscando a frente,
Embora em tudo se ostente
O lábaro de jesus.

Dez séculos, na balança,
O Tempo agora perfaz...
E o mundo grita: "onde a paz
Depois do marco dois mil"?
E enquanto o progresso avança,
O céu, aos sóis do Cruzeiro,
Responde, ante o mundo inteiro,
Um nome apenas: "Brasil"!...

Castro Alves
Do livro: Marcas do Caminho, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos diversos.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Onde Estiver Jesus

Onde estiver Jesus, alma querida e boa,
Ilusão, erros, falhas apareçam embora,
Ainda mesmo que o mal em torno desarvora,
Esclarece, ilumina, ampara, aperfeiçoa.

Onde estiver Jesus, nada se diz à toa,
O engano pede luz onde a verdade mora,
A caridade reina, a esperança, hora a hora,
Alteia-se mais bela; o trabalho abençoa.

Onde estiver Jesus, humilhado ou sozinho,
Nas desfigurações ou nos aclives do caminho,
Inflama-te de amor – sol ardente e fecundo!...

Onde estiver Jesus... Eis que Jesus te espera
A bondade, o perdão, a decisão, a paz, a fé sincera.
Para glória da vida e para a redenção do mundo.

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

A Subida

Disse-nos o Senhor:
-“Quem quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for...”
E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme

Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada,
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguiu falar, fraternalmente,
Reconfortando, os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinquentes...
Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Deprimiam lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...
No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E, sim, uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,

A sentir, sob os pés, o vigor dos espinhos.
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha

Notava-se lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho

Transformara-se em delicado engenho
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...
Tentou andar, mas sem querer,

Na alegria que o invade,
O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no além, buscando a Imensidade
Inflamado de amor.

Autora: Maria Dolores

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MINHA MÃE

Lembro-te, Mãe, revendo a nossa casa...
O pequeno jardim, o poço, a horta...
O vento brando que transpunha a porta,
Afagando o fogão de lenha em brasa...


Esfregavas a roupa na bacia...
Eu ficava na rede, aos teus desvelos...
Depois, vinhas beijando-me os cabelos,
A embalar-me, cantando de alegria.


Dorme, dorme, prenda minha,
Dorme agora, meu amor,
És a jóia que eu não tinha,
Prenda minha, minha flor!


Lá no Céu tem três estrelas, prenda minha,
Todas são de prata e luz...
Lá do Céu você me veio, prenda minha,
Por presente de Jesus!...


E lá se foi o tempo, ante as mudanças...
Cresci, fiquei rebelde... Estradas novas...
Entrei no mundo grande, em grandes provas,
Carregando saudades e esperanças...


Hoje, volto a rever-te, mãe querida!...
Quero dizer-te, em minha gratidão,
Que és o amor sempre amor, em minha vida,
É a própria vida de meu coração.

Livro: Mãe – Espírito: Maria Dolores - Médium: Chico Xavier.

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Regresso de Simão Pedro

Simão Pedro desperta, além da vida humana.
Retoma, pouco a pouco, as forças da memória.
Terminara, por fim, a luta insana
Do flagelo por grande pesadelo
Recorda a cruz do fim, levantada ao avesso,
Que aceitara na terra por vitória...
Sabe que está no além, pensando em recomeço
Do próprio apostolado...

Onde estaria o mestre Sempre Amado?
E os outros companheiros
De ânimo nobre e forte,
Que o haviam, no mundo, precedido,
Sob a perseguição sem pausa e sem sentido,
Ao encontro da morte.

A brisa da manhã suave e cristalina
Trazia-lhe perfume ao leito novo e alvo...
Indagava Simão: "Que surpresas teria?"
Tocou o próprio corpo, achou-se são e salvo
E chorava, enlevado, em suprema alegria.

Alguns instantes mais e ouviu, enternecidamente,
Cânticos de louvor e saudação;
Alguém surgiu à porta, de repente,
Envolto em doce luz
A doar-lhe conforto e proteção...
Pedro entendeu quem era e bradou-lhe: "Jesus!"

Erguendo-se, em seguida,
Leve e ágil, gritou: "Ave, Senhor da Vida!..."
cristo abeirou-se dele, a enlaçá-lo sorrindo,
Depois vieram outros companheiros,
Instrutores, amigos, mensageiros,
Do júbilo fazendo o festival mais lindo...

Pedro enxergou, feliz, os vergéis exteriores...
Eram jardins imensos,
Recheados de flores.

Em profunda euforia,
O ditoso Simão
Tomou a si a mão
Que jesus lhe estendia
E disse, quase em pranto:
— "Senhor, estou cansado,
Não mais me distancies de teu lado...
Trago comigo a dor
Dos que moram no mundo,
Aquele imenso caos, cada vez mais profundo,
De penúria, fadiga e sofrimento...
Não desejo perder as luzes que hoje alcanço,
Permite-me, Senhor ficar contigo,
Neste celeste abrigo...
Necessito de paz, de socorro e descanso...
Louvor a ti por me buscares...
Deixa-me nestes bosques estelares...
Ao mundo de onde venho,
Pelas tribulações padecidas no lenho,
Não mais quero voltar...
desejo aqui viver contigo, neste lar... "

Mas jesus apontou-lhe o imenso espaço à frente
E falou-lhe a sorrir:
- "Fica, Simão, se estás contente...
Estes sítios são teus,
Tanto quanto de todos os irmãos
Que serviram, na terra, à bondade de Deus."

cristo fez pausa e, logo após,
Explicou: "Quanto a mim,
Não posso repousar;
A construção do bem é o meu lugar...
Ouve, Simão!... 
Enquanto houver na terra um só gemido
Numa gota de pranto,
Enquanto houver no mundo um coração caído,
Devo esforçar-me por permanecer
No trabalho do amor que é meu dever...
Mas, descansa, Simão!... Ver-nos-emos depois,
Nunca houve distância entre nós dois... "

Afastou-se jesus,
Entretanto, Simão fitando o Excelso Amigo,
Bradou sem vacilar:
— "Senhor, eu vou contigo!... "

No passo firme do divino mestre,
Ambos se retiraram das Alturas,
Buscando a direção das faixas obscuras
Da vastidão terrestre...

Na retaguarda, em paz, ficou a multidão
De almas angelicais, numa doce canção,
Cujo estribilho recordava
Esta expressão de luz dos hinos galileus:
— "Louvado seja o amor!... Bendito seja Deus!"

Maria Dolores
Do livro: Alma e Vida. Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Saudades de Jesus

Pano pra fazer um berço,
Um berço pra o Rei solar.
Vi, Ele menino, moço,
Vi o Rei tornar-se varão.
Que saudade desse berço!

Eu conheço Esse homem!
Esse homem é o Rei sol!
Ele fez da água um vinho,
E um vinho saboroso!
Eu conheço Esse homem!

Esse homem foi capaz de
Ressuscitar a Lázaro!
Esse homem foi benfeitor
De Marta e de Maria.
Conheço, e sei de onde!

Esse homem é o mestre
Para a humanidade,
É uma luz-inspiração.
"Eis o homem!" Diz Pilatos.
Eis o homem, o bom mestre!

Tenho saudade imensa
DEle. Só o Pai que sabe!
Tenho saudade das lições
Do monte. Queria vê-lO
Pregando, em paz imensa!

Tenho saudade do tempo
Da convivência sagrada.
Tenho saudade das ideias,
Ideias renovadoras,
verdade além do tempo.

Esse homem é a água
Lustral para qualquer sede.
É por isso que eu tenho
Saudade do Nazareno,
E beber da lustral água!

Estou saudoso de jesus
Do Jordão, da Galileia,
Dos ventos, da Samaria,
Do Mar, do sol, e das pescas,
Dos camelos e de jesus!

O Monte das Oliveiras,
O Lago de Genesaré,
Ah! Jerusalém, saudade!
Ah! Saudade, Magdala!
A sombra das oliveiras!

Tiago, André e Mateus,
Pedro e João, no Templo,
Com os outros discípulos,
Maria de Nazaré, mãe
De jesus, mãe dos irmãos meus.

O Filho do homem traz luz
Para o mundo, traz amor,
Traz outro sentido para
A vida. A cruz não pesa
Tanto. A saudade dEle
Pesa, sim. A cruz feita de luz!

Nesse Natal, vamos orar
Para o mundo que chora,
Porque a humanidade
Sente falta, muita falta
De jesus. Oração! Orar!

Pano pra fazer um berço,
Um berço pra o Rei solar.
Vi, Ele menino, moço,
Vi o Rei tornar-se varão.
Que saudade desse berço!

Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em São Paulo/SP, em 25 de novembro de 2021.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Oração Íntima

Senhor!... Tu que me deste
Paz e consolo à vida,
Não me dês condição
Para espalhar na vida a sombra da discórdia,
Ou estender na estrada as pedras da aflição...

Tu que acendeste em mim
A luz do entendimento,
Na fé com que me alteias,
Não consintas, Jesus, que eu suprima a esperança
Das estradas alheias.

Tu que me concedeste o verbo edificante
Que nos induz
À prática do bem,
Nunca me deixes formular palavra,
Capaz de condenar ou de ferir alguém.

Tu que me desvendaste
O sublime valor da provação,
Que a lei de causa e efeito determina,
Não me faças entregue à queixa e ao desencanto,
Em que eu possa esquecer a justiça Divina.

Tu que me conferiste o privilégio
E a bênção do serviço,
Como ensejo celeste e dom perfeito,
Não permitas que eu viva sem trabalho,
Desfrutando o descanso sem proveito.

Naquilo que eu deseje
E naquilo que eu sinta, pense, diga ou faça,
Contrariamente à Eterna lei do amor,
Em tudo quanto eu queira sem que o queiras,
Não me aproves, Senhor!...

Maria Dolores
Livro: Antologia da Espiritualidade, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 15 de março de 2026

O Irmão do Caminho

Simeão era muito moço ainda
Quando escutou a história de Jesus
E, acendendo esperanças na alma linda
Inflamou-se de fé, amor e luz...

Morando numa choça da montanha
Junto de antiga estrada, sem vizinho,
Era a bondade numa vida estranha,
O amigo dedicado aos irmãos do caminho.

Lia os ensinamentos do Senhor,
Mas afirmava precisar
De ação que lhe exprimisse o grande amor
Na fé que decidira praticar.

Na pequena morada, pobre e agreste,
Cavou no solo um poço... Água de mina,
Que ele, olhos em luz e sorriso na face
Oferecia a quem passasse
Por lembrança de paz da bondade Divina...

Simeão alcançara os oitenta janeiros,
Trabalhando e servindo dia a dia,
Sem quaisquer outros companheiros
Que não fossem viajantes
A pedirem pousada, companhia,
Uma noite de paz ou um copo de água fria.

Alta noite, uma voz chamou, baixinho:
-"Simeão, Simeão!... Meu irmão do caminho!..."
-"Quem sois vós?" Respondeu o interpelado.
-"Um peregrino desacompanhado...
Rogo pousada, irmão!" -Chamou o forasteiro.
Ergueu-se devagar o cansado hospedeiro,
Fez luz, abriu a porta.
Mas o vento avançou a chama semi-morta.
-"Entrai!..." disse o velhinho.
-"Agora sei que não estou sozinho."

O velhinho, entre passos mal firmados,
Sempre movimentando a luz acesa,
Trouxe a bacia de água morna e leve
Mergulhando lhe os pés ensanguentados...
Ao ver-lhe os dedos maltratados,
Disse ao viajor, tomado de surpresa:
-"Quanto sangue verteis!... Como tendes andado!...
Deu-lhe o estranho viajante esta resposta leve:
-"deus te abençoe, amigo, a assistência bem-vinda!...
creio que devo andar por muito tempo ainda!..."

De joelhos, Simeão,
Em lhe lavando os pés com infinito carinho,
A refletir nas pedras do caminho,
Ao lhe tocar nas crostas das feridas
A fim de removê-las,
Viu as chagas abertas
Eram duas estrelas...
O velhinho assombrado
Buscou fitar-lhe as mãos com ternura e respeito
E viu que estavam nelas
Grandes marcas da cruz, luminosas e belas,
Ampliando o fulgor que lhe envolvia o peito...
Ele grita, chorando de alegria:
-"Jesus!... Sois vós Jesus?!..."
E o Senhor, levando as mãos em luz,
Disse, abraçando o ancião:
-"Vem a mim, Simeão,
É chegado o teu dia
De repouso e de luz no Mais além..."

Simeão esqueceu a velhice e o cansaço
E pousou a cabeça em seu regaço...

Depois do amanhecer, outros viajantes
Chegaram como dantes,
Pedindo água, descanso, reconforto,
Mas viram que Simeão o irmão do caminho
De joelhos, para, ali sozinho,
Muito embora sorrisse, estava morto...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de março de 2026

O Culpado Vê Culpas

Ele, bonacheirão, era amigo de farras,
Tinha esposa, dois filhos, compromissos,
Entretanto, apesar dessas amarras,
prazeres para ele eram doces feitiços.

homem robusto e rico sustentava,
Companheiras diversas de alegria,
Qual senhor que somente as percebia
De escrava para escrava.

Em certa ocasião,
O nosso cavalheiro,
Dava-se por inteiro
A certo festival de comemorações,

Em cerimônias desdobradas...
Brotavam nas estradas
Palavras e atitudes estragadas,
Era quase a loucura em muita gente...

Dois dias com três noites
De fogos de artifício em céu luzente,
E o nosso amigo usava, instante a instante,
O tempo disponível,

Sem se importar, sequer, com mudanças de nível,
E aparecia sempre acompanhado
Por uma das parceiras
Que trazia de lado...

Por fim, depois de longas bebedeiras,
E de extravio deprimente,
Ei-lo, de volta ao lar, dentro da noite alta...
Era a terceira noite em que estivera ausente

Entretanto,
Não se sentia em falta...
A esposa era a esposa, a mulher diferente,
Que devia viver, atirada num canto,

Sem direito nenhum de reclamar,
Porque sempre dispunha
Do que fosse preciso para o lar.
Ele destranca a porta, de mansinho,

Pé ante pé, segue devagarinho
Para o aposento conjugal...
Mas, avançando, vê que a esposa se debruça
Nos ombros de outro homem,

- Um homem que lhe afaga a cabeleira espessa...
Ele sente-se mal
Nas ideias sombrias que o consomem,
O incêndio do ciúme invade lhe a cabeço,

Saca de bolso oculto um revolver pequeno
E atira sobre os dois, qual se estivesse louco,
Sob a ação de algum veneno...
O homem tomba morto, após giro instantâneo,

A bala lhe arrasara os recessos do crânio...
A senhora, porém, está ferida...
O marido aproxima-se, interroga,
Ela, contudo, vê que se lhe esvai a vida,

Perdendo o próprio sangue a lhe vazar do peito;
Tenta, em vão, expressar-se e não encontra o jeito...
Mas colocando as mãos, debalde, sobre o corte
Ela fita no esposo o triste olhar da morte

E responde somente,
Como quem se revela muito dificilmente,
Ao morrer, em seguida a prolongado “ai!”
- O homem que você achou comigo
É mais que amigo,
Era o seu próprio pai.

Maria Dolores
Do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Anjo e a Lama

Dia de inverno nevoento.
Desce um homem do carro,
Fita a longa extensão do caminho de barro
E acusa a terra, em volta,
Tomado de revolta,
Irritado e violento:

- maldita lama!...
Não posso me arriscar
Neste caminho imundo;
Meu carro habituado à firmeza do asfalto,
Decerto tombaria em qualquer salto.
maldita seja a hora
Em que saí de casa...

E disse para a esposa que o ouvia:
- melhor voltarmos noutro dia.
E esquecer este chão que me enerva e me arrasa.

O solo humilde e escravo
Assinalou o agravo
E entrou em singular abatimento;
Mas um dos anjos de orientação
Do campo, que aguentava o assalto da garoa,
Parou no mesmo ponto, onde o homem gritara
E disse à terra úmida: - Perdoa
Os insultos que ouvistes...
Continua servindo... Não te acuses...

Chamam-te lama vil ou barro triste;
Entretanto, nas leis da natureza,
Ninguém consegue pão à mesa
Sem recorrer ao trigo que produzes.
Denominam-te chão lodoso e feio;
Nota, porém, os teus acusadores
Querem consigo as flores
Que te nascem do seio.
O homem é um ser estranho; muita gente
Que te condena e te maldiz
Não conhece o tijolo, a telha e o corpo das paredes,
Com que fazes no mundo
Tanta gente feliz.

O asfalto, na verdade, é indício de progresso
Para as rodas de todos os matizes,
Mas não sabe o processo
De acalentar sementes e raízes
Para que a planta se estenda,
Por mágica oferenda
De supremo valor,
A colheita que ajuda a conservar
A fartura no lar
Onde a vida situa a presença do amor.
Lama, somente lama desprezível,
Chamam-te aí no mundo,
Mas quase ninguém sabe,
Talvez com exceção da mãe bovina,
Que deus te honrou com a erva, pela qual a pastagem se conserva,
Para o leite seja, ante a criança,
A essência da esperança,
Alimento e calor da bondade Divina.
Não te magoem críticas e golpes,
Não olvides que, em ti, deus resguarda e resume
A química da vida que transforma
O esterco envilecido em vagas de perfume!...

A gleba imensa ouvia a mensagem celeste;
Esqueceu toda a injúria... Parecia
Que a luz do sol voltando a beijava e envolvia,
Procurando aquecer lhe
Todas as energias interiores...
Desde esse dia, a lama desprezada,
Sentiu-se renascer para nova alvorada
E passou, de maneira invariável,
A responder sem mágoa a quaisquer agressores,
Trocando acusação, golpe e azedume
Por ondas generosas de perfume,
Em braçadas de flores.

Maria Dolores
Do livro: Momentos de Ouro, Médium: Francisco Cândido Xavier

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Oração no Tempo

Agradecemos, Jesus, Ao teu amor infinito,
Este recanto bendito,
Que nos ergueste por lar,
O pão que nos dá à mesa,

A confiança, a harmonia, O entendimento,
a alegria E a bênção de trabalhar.
Agradecemos o apoio De tua força divina,
Que nos ampara e nos ilumina,
Desde a terra ao Mais além;

Os aguilhões do caminho
E o duro rigor da prova,
Que nos eleve e renova
Para a conquista do bem.

Agradecemos, ainda,
O culto vivo da prece
Que em tudo nos enriquece De paz, união e luz!...

Permite que te roguemos:
Nunca nos deixes a sós...
Seja onde for, vem a nós,
Fica conosco, Jesus!...

Maria Dolores
Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.