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sábado, 19 de setembro de 2015

Anotações da Fé

Se queres elevar-te e engrandecer a vida,
Alma querida, escuta:
De tudo o que produz, serve, ampara e abençoa,
Nada existe sem luta.

Árvore alguma, seja em qualquer parte,
Fornecendo socorro e espalhando alimento,
Cresceu e se formou para doar-se à gleba,
Sem chicotes do vento.

Se talhada em madeira, a mesa que te apóia
O pão de cada dia
Foi nobre vegetal arrebatado à gleba
Para aguentar a serraria.

Pedra que te suporta a residência,
Resguardando o equilíbrio que a domina,
Passou por marteladas muitas vezes,
A fim de se ajustar a disciplina.

Quem sonhe paraíso de alegria
Sem sair de poltronas e almofadas,
Quem foge de ser útil, quem se omite,
Olhe as águas paradas.

Quem reclama sucesso sem controle,
Menosprezando o sentimento alheio,
Assista a uma corrida em que se note
Algum carro sem freio.

Sem participação, sem sacrifício,
A construção da paz jamais se apruma,
Sem canseira não há felicidade,
Nem se obtém conquista alguma.

Alma querida, serve, ama e confia,
Ajuda para o bem seja a quem for,
Trabalho é luz de Deus a burilar-nos
Para o Reino do Amor.


Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ansiedade

Todo esse anseio que tortura o peito,
Estrangulando a voz exausta e rouca,
Que em cada canto estruge e em cada boca
Faz o soluço do ideal desfeito;

Ansiedade fatal de que se touca
A alma do homem mau e do perfeito,
Sobe da Terra pelo espaço eleito,
Numa imensa espiral, estranha e louca,

Formando a rede eterna e incompreendida,
Das ilusões, dos risos, das quimeras,
Das dores e da lágrima incontida;

Essa ansiedade é a mão de Deus nas eras,
Sustentando o fulgor da luz da Vida,
No turbilhão de todas as esferas!...


Autor: Cruz e Souza

domingo, 16 de agosto de 2015

A Escola

Fita o mundo em derredor
E a vida que te bendiz;
Soma as bênçãos que te cercam,
Não te digas infeliz.

Onde estiveres, anota
Ao senso que te conduz:
O sol igual para todos
É fonte jorrando luz.

Respirando, dia e noite,
Gastando ar e mais ar,
Pelas bênçãos que assimilas
Nada precisas pagar.

Toda mata é um quadro lindo
Em tela verde e formosa;
Ninguém explica na Terra
A beleza de uma rosa.

Águas claras rolam perto,
Caminha... Podes colhê-las;
Tens a noite iluminada
Por lampadários de estrelas.

Atravessas mares, montes,
Primaveras encantadas;
Desfrutas árvores, frutos,
Cidades, campos estradas...

Terra!... Eis a escola bendita,
O lar tantas vezes meu!...
Não te digas infeliz
Na escola que Deus te deu.


Autor: Casimiro Cunha

domingo, 2 de agosto de 2015

Alma e Corpo

Disse a Alma, chorando, ao Corpo aflito:
- Por que me prendes; triste barro escuro,
Se busco o Espaço imenso, se procuro
O império resplendente do infinito?

Por que me deste a dor por sambenito
No caminho terrestre áspero e duro?
Por que me algemas a sinistro muro,
O coração cansado, ermo e proscrito?

Mas o Corpo exclamou: - Cala-te e ama!
Eu sou, na Terra, a cruz de cinza e lama,
Que te serve de ninho, templo e grade...

Mas dos meus braços partirás, um dia,
Para a glória celeste da alegria,
Nos castelos de luz da eternidade!...


Autor: Anthero de Quental

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ação de Graças

No tempo que se desdobra,
Sem um minuto de sobra
No dia a se recompor,
Entendendo o tempo agora,
Pelos bens de toda hora,
Muito obrigado, Senhor!...

Pelo Sol que envolve o mundo
Pelo chão vivo e fecundo,
Pela fonte, pela flor,
Por toda a amplidão que vejo
Do trabalho benfazejo,
Muito obrigado, Senhor!

Pela fé que me descansa
No regaço da esperança,
Pelas promessas do amor,
Pelo caminho risonho
Do ideal a que me exponho,
Muito obrigado, Senhor!...

Por todas as alegrias,
Ante as bênçãos que me envias
Do Plano Superior,
Pelos problemas e provas
Da senda em que me renovas,
Muito obrigado, Senhor!...


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Almas Dilaceradas

Quando, em dores, na Terra inda vivia,
Caminhando em aspérrimas estradas,
Via presas do pranto e da agonia,
Almas feridas e dilaceradas.

Escutava a miséria que gemia
Dentro da noite de ânsias torturadas,
Treva espessa da senda tão sombria
Das criaturas desesperançadas.

E eu, que era irmã dos grandes sofredores,
Sofria, crendo que tais amargores
Encontrariam termos desejados.

E confiada na crença que tivera,
Cheguei à luz da eterna primavera,
Onde há paz para os pobres desgraçados.


Autor: Auta de Souza

sábado, 13 de junho de 2015

Acusados

Acusados, sofrei seja qual for a pena
Que o mundo vos imponha à dolorosa via,
Sofrei sem revidar a palavra sombria
Da pancada verbal que vos fere e envenena...

O sarcasmo acolhei, de alma forte e serena,
Não resguardeis convosco o fel da rebeldia!...
A Bondade dos Céus vos fortalece e guia
Para longe da treva em que se vos condena!

Deus sabe até que ponto a culpa vos deprime,
E ante as Leis da Justiça equânime e sublime,
Exorta-vos ao bem, no bem que vos descerra...

Calai-vos no perdão, e, refazendo a vida,
Encontrareis de novo, a paz indefinida
De quem constrói no amor a redenção da Terra!


Autor: Antero Carvalho

sábado, 30 de maio de 2015

Amor e Perdão

E Madalena fora ao túmulo querido
Entre pedras de extremo desconforto...
Levava flores para o Mestre morto,
Tinha o peito magoado e enternecido.

O Sol reaparecia, resplendente,
A névoa da manhã fundia-se no ar,
Na dourada invasão das flamas do Nascente,
Maria estava ali, unicamente,
A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.

A desfazer-se em pranto, ela arguia:
- “Por que, por que Senhor?
Tanta saudade e tanta dor?!...
Toda a felicidade que eu sentia
Jaz aqui sepultada...
Transformou-se-me a vida em sombra e nada
No ermo deste pouso derradeiro...”

Nisso, ela viu alguém... Seria um jardineiro?
Um zelador daquele campo santo?
Mas tomada de espanto,
Viu-se à frente do Mestre Nazareno,
O excelso benfeitor ressuscitado,
A envolver-lhe de paz o coração cansado...
Ela gritou: “Senhor!”
Ele disse: “Maria!”

Ela era a expressão da perfeita alegria,
Ele, o perfeito amor.
Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés...
- “Maria, por quem és” – explicou-se
“Não me toques, porquanto
não te esperava aqui neste recanto,
e ainda não fui ao Pai revestir-me de luz...”
Maria, surpreendida,
indagou em seguida:
- “Senhor, onde estiveste?
Em que jardim celeste
Encontraste o descanso necessário,

Que vem de Deus, nos dons da paz completa?
Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,
Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário,
Revolto-me, padeço, mas não venço
A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”
Mas Jesus respondeu:
- “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,
Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento,

Quem ama não consegue achar o Céu de um salto...
Ao invés de subir aos Altos Resplendores,
Desci, mas desci muito aos reinos inferiores...
Despertando no túmulo, escutei
Os gritos da aflição de alguém que muito amei
E que muito amo ainda...
Embora visse Além, a Luz sempre mais linda,
Sentia nesse alguém um amado companheiro,

Em crises de tristeza e de loucura...
Fui à sombra abismal para a grande procura
E ao reencontra-lo amargurado e louco,
A ponto de não mais me conhecer,
Demorei-me a afaga-lo e, pouco a pouco,
Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer...”
- “Senhor” – interrogou a Madalena
“Quem é o amigo que te fez descer,
Antes de procurar a luz do Pai?”
Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:

- “Maria,
um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai...
Antes de me altear à Celeste Alegria,
Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,
Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas,
A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.


Autora: Maria Dolores

sábado, 16 de maio de 2015

ACORDA E AJUDA

Não olvides, cada hora
Na luz de Deus a buscar-te,
Que a nossa grande família
Luta e sofre em toda a parte.

Isolamento e egoísmo
São meros caprichos vãos.
No universo ilimitado
Todos nós somos irmãos.

Respira ao sol da verdade.
Ilusão é sombra e pó.
Ontem, agora e amanhã
São frases de um tempo só.

Qual tronco que se equilibra
Fortemente enraizado,
Nosso presente obedece
À formação do passado.

Não te ensurdeças, portanto,
À voz do bem que te exorta.
Recebe fraternalmente
A dor que te bate à porta.

Mendigos que vês ao longe,
Chorando ao vento escarninho,
Já beberam, quase sempre
Na taça do teu caminho.

Velhos tristes sob a noite,
Em desencanto e doença,
Muitas vezes são credores
De tua afeição imensa.

Crianças ao desabrigo
Em pranto desolador,
Comumente foram rosas
E bênçãos de teu amor.

Amanhã despertarás
Nas luzes do grande além. . .
Consagra-te, desde agora,
Ao campo do eterno bem.

Descerra às chagas da vida
O templo do coração.
Os braços da caridade
São chaves de redenção.


Autor: Casimiro Cunha

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Subida

Disse-nos o Senhor:
-“Quem quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for...”
E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme

Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada,
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguiu falar, fraternalmente,
Reconfortando, os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinquentes...
Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Deprimiam lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...
No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E, sim, uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,

A sentir, sob os pés, o vigor dos espinhos.
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha

Notava-se lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho

Transformara-se em delicado engenho
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...
Tentou andar, mas sem querer,

Na alegria que o invade,
O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no além, buscando a Imensidade
Inflamado de amor.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Alguém Convida

A fim de não descermos, alma boa,
A considerações frias e cegas,
Lembra, no culto da beneficência,
O tesouro de bênçãos que carregas.

Usando as mãos tão ágeis quanto livres,
Sem quaisquer embaraços,
Pensa na provação dos companheiros
Que caminham sem braços.

Em contemplando céus, estrelas, flores,
Sem notar que a visão é um dom de luz que levas,
Fita os irmãos que trazem sobre os olhos
Duas vendas de trevas.

Manejando a palavra que te exprime
E com que prendes tanto quanto estudas,
Medita na extensão das outras vozes
Inibidas ou mudas.

Ante os seres queridos
Que te ofertam amor e que estimas amar,
Anota, coração, os que varam a vida
Sem um pouso por lar.

Envolvendo em conforto um filho amado
Que recolhes por laço predileto,
Reflete nos pequenos desprezados
Que padecem na rua a carência de afeto.

Enquanto a fé te ampara e abençoa a alegria,
Lutes, de estrada a estrada, muito embora,
Encontras tanta gente arrasada de angústia,
Tanta gente que chora!...

Enumera as vantagens que desfrutas
E escuta, alma querida, o convite de alguém
É o Cristo que aguarda o concurso fraterno
Para estender no Mundo a construção do Bem.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 23 de março de 2015

À Mocidade

Cantai! Cantai, ó mocidade! Moira
Encantada que ri nos prados verdes,
Cantai o amor que é luz que se entesoira,
Vibrai na luz da vida em que viverdes.

Glorificai, ditosa, o sol que doira
O riso que espalhais sem compreenderdes,
Expandi-vos na primavera loira,
Nos poemas de luar que conceberdes!

Ide cantando, mocidade ardente,
Alvorada em abril, do sol-nascente,
Clareando o porvir álamo e risonho;

Marchai sorrindo, doce juventude,
Na exaltação do amor e da saúde,
Ébria de aroma e luz, ébria de sonho!...


Autor: Antônio Nobre.

sábado, 7 de março de 2015

À Maria

Eis-nos, Senhora, a pobre caravana,
Em fervorosas súplicas, reunida,
Implorando a piedade, a paz e a vida,
De vossa caridade soberana.

Fortalecei-nos a alma dolorida
Na redenção da iniquidade humana,
Com o bálsamo da crença que promana
Das luzes da bondade esclarecida.

Providência de todos os aflitos,
Ouvi dos Céus, ditosos e infinitos,
Nossas sinceras preces ao Senhor...

Que a vossa caravana da verdade,
Colabore no bem da Humanidade,
Neste banquete místico do amor.


Autor: Bittencourt Sampaio

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Suporta

Nos momentos de crise,
Não te abatas.
Escuta.

Por nada te revoltes,
Nem te amedrontes.
Ora.

Suporta a provação.
Não reclames.
Aceita.

Não grites com ninguém.
Nem firas.
Abençoa.

Lance de sofrimento
É o ensejo da fé.
Silencia.

Deus sabe
O instante de intervir.


Livro: Caminhos – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Agora é o Dia

Escuta, meu irmão, agora é o dia.
Em que a Bênção Celeste nos coroa,
Convidando à tarefa clara e boa
De espalhar a alegria.

Desce do altar caseiro a que te elevas
E acende sobre a noite de quem chora
Uma réstia de aurora,
Adelgaçando as trevas...

Assinala, mais perto,
De coração fiel, amigo e atento,
O dorido lamento
Dos que passam clamando no deserto.

É a miséria sem lar vagando além,
A ignorância, torva e envilecida,
A criança perdida
E o doente cansado sem ninguém...

Desce do pedestal nobre e sublime
Em que a glória da fé te ilustra o nome,
Trazendo o pão onde se estenda a fome
E a luz de Deus onde corveje o crime.

Sobre o abismo das lágrimas debruça
O coração tranquilo e consolado
E encontrarás Jesus crucificado
Em cada peito humano que soluça...

Em ti que trazes, rútilo e fecundo,
O brasão do Evangelho na alma ardente
Recai o privilégio onipresente
De revelar o Cristo sobre o mundo!

Escuta, meu irmão, agora é o dia
Em que a Bênção Celeste nos coroa,
Convidando à tarefa clara e boa
De espalhar a alegria...


Autor: José Tatagiba