Este é um blog de arquivo

ESTE BLOG É UM ARQUIVO DE POESIAS DO BLOG CARLOS ESPÍRITA - Visite: http://carlosespirita.blogspot.com/ Todo conteúdo deste blog é publico. Copie, imprima ou poste textos e imagens daqui em outros blogs. Vamos divulgar o Espiritismo.



quarta-feira, 1 de junho de 2022

Súplica de Todos

Companheiros enganados
São tantos que, ás vezes, penso
Que ninguém conseguiria
Enumerá-los num censo
A nomes de cada um...

Enquanto estive na terra,
Via este quadro comum:
Nas sendas por onde vão,
Nunca soube o que pediam
Por dentro do coração.

Passavam como eu passava,
Uns de carro, outros a pé,
Muitos deles se arrastavam
Clamando falta de fé.

Quantos nobres cavalheiros
Seguiam de fronte erguida,
Intentando dominar
As fontes da própria vida!...
Outros muitos caminhavam,
Face triste e passo lento,
Revelando sem palavras
Amargura e sofrimento.

De muitos, eu me afastava,
Ao vê-los em grandes crises,
Agressivos, revoltados,
Coléricos e infelizes...

Quantas mulheres passavam
Arquitetando aventura!...
Guardava comigo a ideia
De vê-las arrebatadas
Aos turbilhões da loucura.
De muitas somente ouvia
Os mais arrojados planos
Para conquista de laços
Que acabam em desenganos,
Outras seguiam adiante,
Indiferente à vida,
Tristes irmãs desprezadas,
De alma doente e sofrida.

Via passar homens fortes
Sob estranho cativeiro,
Queriam ouro e mais ouro,
Atolados em dinheiro.

Fitava moças e moços
Parecendo, mais ou menos,
Alucinados da Terra,
Usando estranhos venenos;
Quantos deles se mostravam
Irresponsáveis? Não sei.
Sabia apenas notá-los
Por irmãos fora da lei.

Em minha severidade,
Culpava filhos e pais,
Minhas censuras a esmo
Subiam cada vez mais.

No entanto, a morte surgiu,
Transformou-me, de repente,
Foi então que vi, de perto,
As lutas de tanta gente...

Esses passantes do mundo
Que encontrara, face a face,
Nunca haviam merecido
Palavra que os condenasse.
Morando agora, no além,
Conheço, em alta razão:
Ninguém caminha na terra
Buscando reprovação.
Sei hoje a grande verdade
Que sinto e não sei expor:
Todos nós, dentro da vida,
Pedimos somente amor.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

domingo, 15 de maio de 2022

Senda de Luz

Carrega sem revolta a cruz que te aguilhoa
Às pedras e espinheiros da subida!...
Se aceitaste Jesus, transfiguraste a vida
E o suor no madeiro é a luz que te abençoa.

Olha ao redor da senda em que transitas
As criaturas vestidas de embaraços;
Largaram-se da cruz com os próprios braços
E te acenam, de longe, anônimas e aflitas.

Algumas em te vendo os passos vacilantes
Zombam de ti com impropérios e insultos,
Conservando, no entanto, os tormentos ocultos
Dos remorsos no fel de lágrimas constantes.

Ouves na retaguarda injúrias, desatinos...
E elevas-te aguentando a cruz pesada,
Demonstrando a humildade aos amigos adultos
E falando de amor aos pequeninos.

Mostras a fé robusta aos homens desatentos...
A viagem é longa, em longos trechos brutos,
Chegas, porém, ao topo, em passos diminutos,
A esquecer-te dos pés doridos e sangrentos...

Do topo para frente é tudo primavera,
A natureza brilha; É a força de outra luz.
E buscas, Mais além, o abraço de Jesus,
O Servidor Divino que te espera!...

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

domingo, 1 de maio de 2022

Sugestões da Vida

Muita gente pensa e diz
Que todo coração a envolver-se no bem
Parece caminhar na tempestade,
A lutar e sofrer como ninguém.

Entretanto, alma boa,
Prossegue edificando sem crer nisso,
Ninguém progride e nem se aperfeiçoa
Sem calos e sem choques em serviço.

Tudo o que serve, tudo o que auxilia,
É ação em disciplina firme e atenta;
Anota os benefícios mais singelos
Com que a vida na Terra te sustenta.

Fita uma vela acesa, em pleno escuro,
Nobre lição de apoio a que o mundo nos leva,
Recorda um vagalume afastando um gigante,
Um guarda a consumir-se eliminando a treva.

Solo ferido é o berço da semente,
Semente sufocada é a fonte da fartura,
O trigo não fornece pão à mesa,
Sem sofrer na engrenagem que o tritura.

O piso que mantém a casa erguida
Oculta-se no chão em gratuito recesso,
A movimentação das máquinas no mundo
É força que se queima em louvor do progresso.

As férreas vigas do edifício enorme
Em que dispões de lar, segurança e defesa,
Vestem-se no cimento que se faz
Das pedras que se arranca à natureza.

Assim também, alma querida e bela,
Aprendendo a servir no campo do Senhor,
É preciso esquecer-nos no trabalho,
Buscando na humildade a presença do amor.

Por: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Tomadas de Sombra

O assunto parece estranho:
Tomadas de obsessão...
No entanto, elas são quais são
E surgem por onde vais;
Começam frequentemente
Nas palavras do caminho,
Quais se fossem seda ou linho.
Guardando finos punhais.

Aqui, uma queixa amarga
Recorda brando cochicho,
Atirando lama ou lixo
Sobre a conduta de alguém;
Ali, a conversa linda,
Na transmissão de um recado,
Lembra um doce envenenado,
Matando a força do bem.

Aparecem sob a forma
De ciúme ou desavença,
De desajuste que pensa
Ou pretende o que não é...
Faz-se impressão negativa
De certa mancha na estrada,
Uma frase desastrada,
Que nasce onde falta a fé.

Alma querida, se buscas
A paz segura de Cristo,
Crê, trabalha e atende a isto:
Não uses o verbo em vão...
Relembra que Deus nos chama para ajudar e servir
Que a nova luz do porvir
Nascerá do coração.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Silêncio

Quando a palavra não seja
Estrutura definida
De luz, esperança e vida,
Nas falas que vêm e vão...
Modifica o assunto em pauta,
Guardando-a no grande arquivo
Do silêncio claro e vivo
Em que pulsa o coração.

É na escola social
Que a vida se aperfeiçoa;
Mesmo que a prova doa,
Nunca censures ninguém...
Se falas, fala evitando
Conflito, maldade e luta;
Auxilia a quem te escuta
Para o cultivo do bem.

As frases de sombra e lama,
Quando a queixa nos procura,
São lâminas de loucura,
Lembrando finos punhais...
São armas das mais estranhas
Nos mais estranhos perigos,
Matando grupos amigos
Ou abrindo chagas mortais.

Ninguém existe sem erros...
Se alguém te ofende ou injuria,
Perdoa!...O tempo em vigia
Corrige crentes e ateus.
Se alguém te fere; silêncio!...
Segue a luz em que te elevas;
o poder que vence as trevas
É a força do amor de Deus.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de março de 2022

Vencer

Em muitas ocasiões,
Sofres ante os próprios gritos,
Abafados nos conflitos
Das tentações a transpor...

É o fel do orgulho ferido,
A rebeldia, a tristeza,
As lutas da natureza,
Agindo em nome do amor.

Queres seguir nos princípios,
Que a Lei Divina te aponta,
Mas as sombras são sem conta
Que o desânimo produz...

Cais, reergues-te e caminhas,
Às vezes, cambaleando,
E, em preces, perguntas quando
Chegarás à Grande Luz.

Entretanto, alma querida,
Deus nos conhece os problemas,
Cala-te, serve e não temas
Treva, amargura ou pesar...

O erro é sinal de escola,
A dor é lição contigo
E Jesus segue contigo.
Não pares de trabalhar.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de março de 2022

Sofres

Sofres agravo e injúria, a golpes no caminho;
Entretanto, alma boa,
Se queres carregar as chagas dolorosas
Como espinhos de dor, recobertos de rosas,
Ama, serve e perdoa.

Sofres a ingratidão dos que estimas no mundo,
Arde-te o coração em sofrimento e chama,
Mas se anseias fazer das lágrimas que choras
Estrelas, orações, risos e auroras,
Perdoa, serve e ama.

Sofres angústias mil pelo ideal que abraças,
Na fé que te abençoa;
Se desejas, porém, achar na mágoa que te alcança
A fonte de água viva da esperança,
Ama, serve e perdoa.

Sofres acusações indébitas na estrada,
Em rajadas de pedra a desfazer-se em lama;
Se procuras, no entanto, a paz e a luz da escola,
Pela luta do bem, ao fel que desconsola,
Perdoa, serve e ama.

Em toda provação que o mal te arme na vida,
Se buscas transformar a sombra que enodoa
Em lições de bondade e canções de alegria,
Perdoa, serve e ama, em tudo, dia a dia,
E seja com quem for, ama, serve e perdoa.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Vacina

Não esperes por fortuna
Para ajudar a quem chora,
Estende o apoio da hora,
Que possas movimentar;
Para o irmão que necessita
Migalha do que te reste
É bênção que se reveste
De regozijo invulgar.

Talvez não saibas ainda
Que a criança desvalida
Sem proteção para a vida
Não conhece estrada sã;
Da cabeça pequenina
Cuja dor ninguém pressente
Pode nascer facilmente
O malfeitor de amanhã.

Muitos amigos alegam,
Seguindo estranha cartilha
Que amparo aos outros humilha
Sem justo apoio a ninguém;
Mas ignoram que olvido
Às dores da vida alheia
É mal que surge e se alteia
Ferindo a força do bem.

Apoia, ajuda, perdoa...
Na Providência Divina,
A caridade é vacina
Contra revolta e rancor;
Uma prece, uma esperança,
Um pão pobre e pequenino
São sempre tijolo e ensino
Erguendo o Reino do Amor.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Tempos Novos

Alma querida, escuta!...
Um mundo diferente, às súbitas, se eleva
Do presente ao porvir... E, quase gênio alado,
O Homem, percorre o Espaço e vence a força e a treva!...

O cérebro se exalça ao sol da inteligência
E tateia o Universo, entre surpreso e aflito.
Deus permite às nações congregadas na Terra
Mais um passo de luz à frente do Infinito.

Mas, ouve e pensa!... Enquanto
O fórceps da Ciência arranca a Nova Era
Ao claustro do passado, ante e glória futura,
A construção do Amor anseia, sonha, espera...

A Civilização refulge nas vanguardas,
Varre os pisos do Mar, ganha os vales da Lua;
No entanto, em toda a Terra, o sofrimento avança,
A discórdia se alastra, o ódio continua...

Louvemos com respeito a ideia resplendente
Que exalta a Evolução nos áureos tempos novos;
Atendamos, porém, à fé que nos convida
A resguardar, em paz, a elevação dos povos.

Ao choque das paixões, Cristo ressurge e fala...
– É a Verdade, o Roteiro, a Direção Segura,
E chama-nos, de volta, à estrada redentora,
Na pessoa do irmão que a sombra desfigura!

Espalhemos os bens que o Senhor nos empresta
Do tesouro imortal de nossa excelsa herança:
Auxilio, compreensão, beneficência, apoio,
Refúgio, compaixão, alegre, esperança!...

Onde e penúria chora e a revolta esbraveja,
Onde o mal se amontoa e a aflição nos espia,
Conduzamos o pão, a veste, a luz, o amparo,
O verbo que restaura, a bênção que alivia!...

Alma querida, escuta!... O progresso, por vezes,
Lembra granizo e fogo, em tormentas no ar!...
Mas Jesus vem conosco e nos pede a caminho:
Dar, entender, servir, recompor, trabalhar...

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Tempo de Natal

Senhor Jesus!...

Ante o Natal
Que nos refaz na Terra o mais formoso dia,
Somos gratos a todos os irmãos
Que te festejam,
Entrelaçando as mãos
Nas obras do progresso.

Vimos também trazer-te a nossa gratidão
Pela fé que acendeste
Em nosso coração.
Mas, se posso, Jesus, desejo expor-te
O meu pedido de Natal;
Falando de progresso, rogo-te, se possível,
Guiar os homens e as mulheres,
Sejam de qualquer nível,
Para que inventem, onde estejam,
Novos computadores
Que consigam contar
As crianças que vagam nos caminhos,
Sem apoio e sem lar,
E os doentes cansados e sozinhos,
Presos no espaço de ninguém,
Para que se lhes dê todo o amparo do Bem.

Auxilia, Senhor, a humana inteligência
A fabricar foguetes
Dentro de segurança que não erra,
Que possam transportar remédio, alimento e socorro,
Onde a dor apareça atribulando a Terra.

Que o mundo te receba as bênçãos naturais,
Doando mais amor aos animais,
Que nunca desampare as árvores amigas,
Não envenene os ares,
Nem tisne as fontes, nem polua os mares,
Que o ódio seja, enfim, esquecido, do todo.
Que a guerra seja posta nos museus,
Que em todos nós impere, o imenso amor de Deus.

Que o teu Natal se estenda ao mundo inteiro
É que, pensando em teu amor,
De cada amanhecer,
Que todos resolvamos a fazer
Um dia novo de Natal...
E que, encontrando alguém,
Possamos repetir, tocados de alegria,
De paz, amor e luz:
- Companheiro, bom dia,
Hoje, também, é dia de Jesus.

Autora: Maria Dolores

Fonte da imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Sempre Coração

Para exaltar a glória da bondade,
Não digas, alma irmã, que nada tens.
De gota a gota, o mar se consolida
E, migalha em migalha, a grandeza da vida
É um mar excelso de infinitos bens.

Caridade recordar a natureza
Que na bênção de Deus se concebe e aglutina,
Revelando no todo,
Da cúpula do Céu às entranhas do Lodo,
Que a presença do amor é sempre luz divina.

A bolsa generosa em socorro fraterno
Lembra o Sol a servir, tanto quanto fulgura,
Mas o vintém doado em auxílio a quem chora
É o copo de água pura à sede que devora,
A solidariedade em forma de ternura.

A fortuna em serviço é a usina poderosa
Da civilização na força que lhe empresta,
Garantindo o progresso, a cultura e a beleza,
Mas da espiga singela é que o pão vem à mesa
E da semente humilde é que nasce a floresta.

O prato, o cobertor, a roupa restaurada,
Um traço de carinho em amparo de alguém,
Pode ser, alma irmã, o complemento justo,
Para que se nos faça o regresso sem custo
Ao campo de trabalho e a integração no bem.

Nunca fales “não tenho” e nem digas “não posso”,
Traze louvor do bem o braço amigo e irmão,
Um sorriso e quem passa ao vento e ao desalinho,
Flor de esperança às pedras do caminho,
Que a caridade, em tudo, é sempre coração.

Autora: Maria Dolores
 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Sai de Ti Mesmo

Se carregas contigo o tempo atormentado
Sob tristeza e desencanto,
É natural te aflijas, entretanto,
Não te entregues ao luxo de chorar.
Sai de ti mesmo e escuta, em derredor,
Aqueles que se vão sem rumo certo,
Suportando no peito o coração deserto
Na penúria que mora entre a noite e o pesar.

Não importa o que foste e o que sofreste
E nem a dor alheia, em mágoas mudas,
Procurará saber a crença em que te escudas,
Nem pergunta quem és...
Os que seguem no pó do sofrimento,
Vivendo de coragem, semi-morta,
Rogam-te auxílio à porta,
Rojando-se-te aos pés...

Desce da torre em que te vês somente
E escuta-lhes a história dolorida:
Esse chora sem lar, outro é quase suicida
Cansado de amargura e solidão;
Aquele envelheceu, sem alguém que o quisesse,
Outra é mãe desprezada, anêmica e sozinha,
Sombra que foi mulher, que respira e caminha,
Sabendo agradecer a fortuna de um pão.

Sai de ti mesmo e vem!... Esquece-te em serviço...
É Jesus que te chama ao bem que não se cansa,
Acharás, ao servir, renovada esperança,
Paz e fé, sob a luz de nobres cireneus!...
E sem horas a dar ao desalento e ao tédio,
Quando encontres a noite, cada dia,
Dirás ao Céu, em prece de alegria:
- Por tudo quanto tenho agradeço, meu Deus!...

Autora: Maria Dolores
 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Sempre o Bem

Bendito sejas, coração amigo,
Buscando construir e elevar para o bem
Sem destacar a treva
Nem ferir a ninguém.

Deus te guarde na lei do auxílio que nos rege
Sempre que te dediques a expressar-te,
À Excelsa Providência determina
Que a bênção do socorro esteja em toda parte.

Quem de nós, aprendizes do progresso,
Estará esquecendo orgulho, possessão, vaidade, força bruta?
Sem o amparo de alguém que nos tolere
E nos minore a luta?

Não vale maldizer a sombra em torno,
Basta a fim de arredá-la humilde vela acesa,
Unir e melhorar, ajudar e servir
São determinações da natureza.

Um pântano qualquer pode fazer-se, um dia,
Campina surpreendente, em fruto e flor,
Mas não prescindirá de mãos amigas
Que lhe estendam recurso, auxílio e amor...

Fita a cachoeira em ápices de força...
Sem alguém que lhe oferte o controle da usina,
É grandeza de ação deficitária,
Alto poder entregue à indisciplina.

Certo bloco de mármore do monte
Rolou a flagelar canteiros de verdura,
Mas um artista a educá-lo, dia-a-dia,
Dele fez obra-prima de escultura.

Pensemos quanto a isso, alma querida,
Estendendo a esperança, ante a força do bem;
Quem procura no amor a elevação da vida,
Não se detém no mal, nem censura a ninguém.


Autora: Maria Dolores
 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Riqueza Mais Alta

Dizes-te, às vezes, pobre e sem recursos,
Que ninguém te sorri...
Entretanto, não vês que trazes, ao dispor,
Um tesouro de vida superior,
Que podes espalhar, começando de ti.

Ergue-se de teu verbo o ensejo santo
De transmitir o bem a quem te escuta
Exterminando o mal... Guardas, portanto,
A magia do Céu e o doce encanto
Da voz que estende a paz e extingue a luta.
Tens nos olhos e ouvidos sentinelas,
De modo a ver em ti e, em derredor,
Os males a vencer, rixas e bagatelas,
Na construção do bem pela qual te desvelas,
Em louvor do melhor.

Tens nas mãos duas harpas prodigiosas
Capazes de entoar a melodia,
Da beleza, do amor e da alegria,
Criando arte e cultura, luz e rosas
Ao sol de cada dia.

Dizes-te, às vezes, pobre e sem recursos,
Que ninguém te sorri...
No entanto, tens contigo, seja em qualquer lugar,
A bênção de servir e trabalhar,
A riqueza mais alta que já vi.

Autora: Maria Dolores
 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Progresso e Caridade

O Progresso expandiu-se, enaltecendo o mundo.
Com integral desembaraço,
Máquinas cortam vastidões do Espaço,
Vencendo imensidões, de segundo a segundo.

Não importa o engenho em que te escondas,
Para a realização de teus próprios misteres,
O radar marcará o sítio em que estiveres,
A palavra caminha sob as ondas.

Impulsos eletrônicos, motores
E usinas de energias nucleares,
Tudo facilidade onde te achares,
Conforto e evolução, por onde fores.

Por outro lado, em tudo se condensa,
O acesso à liberdade soberana,
Exalta-se o valor da inteligência humana,
Aclama-se o poder da grande imprensa.

Mas o clima ideal nascido de altos gênios,
Ocultam-se os tacões e as lâminas da guerra,
Tentando obstruir os avanços da Terra,
Usando a mesma fúria de há milênios...

Agitam-se no mundo os embates e as crises
De ódio, rebeldia, angústia e solidão...
Raciocínio se estranho ao coração
Não reconhece a dor dos infelizes

Há crianças vivendo nas calçadas,
Enfermos sem apoio, entre mães esquecidas,
A máquina, porém, não vê milhões de vidas,
Aguardando socorro em todas as estradas.

Eis porque na ascensão da Humanidade inteira,
Ao passo do Progresso em jornadas de luz,
A Caridade à frente é sempre fúlgida bandeira,
Por presença do amor e amparo de Jesus.

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Refúgio

Às vezes, dizes, coração amigo:
- “Como guardar-me em paz, na agitação do mundo?
Tanto fel ao redor!... Tanta gente em perigo!...
Tantas tribulações sem que se saiba, a fundo,
De que modo evitar a invasão desmedida
Das nuvens de aflição que atormentam a vida!...”

E contigo outras almas no caminho
Padecem sob o impacto violento
Das lâminas brutais do sofrimento
Que lhes ferem o ser, desolado e sozinho...

Aqui, alguém lastima um coração querido
Que ficou para trás, exânime e caído
Em trágicos enganos;
Ali tombam, a golpes desumanos
Dos chamados engenhos do progresso,
Existências repletas de esperança,
Ante as brechas de sombra em que a morte se lança
Entre o ouro e o sucesso...

Dos recursos plebeus aos valores mais altos,
sobram as provações que chegam, de imprevisto,
No clamoroso misto
De sequestros e assaltos.

Nos lares em geral, sob múltiplos níveis,
As desvinculações de pessoas amadas
São lesões e feridas desatadas
Para as almas sensíveis.

Assemelha-se a Terra à nave firme e atenta,
Sob rude tormenta.

Entretanto, alma boa,
Em plena luta que te aperfeiçoa,
Podes deter a paz contigo, estrada afora,
Prendendo-te ao dever que em tudo nos melhora.

Todo trabalho são é lúcido recanto
Que se nos faz refúgio aprazível e santo.

Um lar para servir,
Um filho a proteger,
A nobre preleção enviada ao porvir,
A página a escrever,
Um doente a zelar,
O trecho musical que se tem a compor,
O campo a cultivar
E o serviço do bem que é mensagem de amor...
Tudo isso, na terra, é cobertura,
Sustentando o equilíbrio da criatura.

Se buscas, em verdade, a paz, no dia-a-dia,
Coloca a tua fonte de alegria
E todos os impulsos que são teus
No trabalho que o mundo te confia
Porque o trabalho é sempre uma Bênção de Deus.

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Resposta de Irmã

“Que fazer para entrar em serviço do Mestre?”
Eis a tua pergunta, irmã querida,
“Peço orientação, preciso renovar-me
Buscando nova vida ““.

E acrescentas: “De tudo na existência
Que já tenho notado, ouvido e visto,
Não encontrei ensino que supere
A grandeza do Cristo ““.

Irmã, nada me cabe responder-te.
O esplendor de Jesus fala por si,
E depois de aceita-Lo interiormente,
Tudo, no mundo, nos sorri.

Isso, porém, exige que O sigamos,
Das veredas da Terra aos fulgores do Além,
Consagrando-lhes o sonho, o amor e a vida
Na exaltação do Bem.

Sai de ti mesma, irmã, e estende algum amparo
Aos que gemem, ao léu, na noite fria,
Ouve a dor no lugar que apelidamos:
Periferia da periferia.

Em casebres de lata, enfermos vários
Rogam um caldo quente que os conforte
Ou um cobertor que lhes resguarde o corpo
E lhes evite a morte.

Vem até nós, pelas asas da prece.
Ninguém te pedirá prodígios em ação...
Aguardamos a ti paz e esperança
E um pedacinho de cooperação.

Vem até nós, buscando o Cristo Amado.
Em nossa legião há constante lugar...
Com Ele aprenderemos, cada dia,
A amar e compreender, servir e trabalhar.

Autora: Maria Dolores
 

domingo, 15 de agosto de 2021

Recado de Amor

Chama-se Aurora a nobre companheira,
Uma das que encontrei na hora derradeira
Do corpo cujo laço me prendia;
Mensageira da paz e da alegria,
É um misto de menina, flor e estrela...
Depois de longa convivência,
Em meu novo processo de existência,
Pude efetivamente conhecê-la.

Para logo notei que Aurora onde estivesse,
Ante os amigos de qualquer idade,
Lembrava um coração que, de todo, se desse
A tecer fios de felicidade
Para quem lhe escutasse as palavras de luz;
No entanto, aos poucos, vi que ela trazia
Extenso traço de melancolia,
Obscuro pesar, escondido e profundo.

Sem que eu nada indagasse, certa feita,
Ela me disse: - "Irmã Dolores,
Devo tornar ao mundo
Numa jornada estreita.
Irmã, onde estiveres, onde fores,
Roga ao Céu abençoe a luta que me leva
A socorrer um ente amado,
Para mim, tal qual filho desgarrado,
Nas veredas da treva..."

"Mas não podes, irmã, - perguntei, com cuidado, -
Ampará-lo daqui, sem renascer na Terra?"
- "Não, não posso, - ela disse, é na volta que insisto,
Já que em cinco existências, lado a lado,
Esse filho que eu amo é um homem transtornado
Que fugiu por orgulho à presença do Cristo."

Depois de semelhante entendimento,
Acompanhei-a, certa vez,
A fim de conhecer-lhe o ente amado
A quem se afeiçoara noutras eras...
Nele encontrei um cidadão prendado,
Esbanjando poder, nome e talento.

Conquanto homem de bem, de maneiras sinceras,
Casado, pai de um filho
Que ainda não chegara a contar quatro anos,
Professor e eminente cientista,
Emitia conceitos desumanos,
Se alguém falava em fé, expondo-se-lhe à vista.

Logo após, muitas vezes,
Ateu maior, entre os grandes ateus,
Dele escutei opiniões como estas:
- "Santos e religiões nessa história de Deus
São lendas de pessoas desonestas,
O espírito é ilusão da mente alucinada,
Quando a morte aparece, a vida é cinza e nada."

Mas Aurora voltou, - afeição renascida, -
Tomando dele próprio a sua nova vida.
A mãezinha querida, excelente senhora,
Por sugestão do Plano Superior,
Deu-lhe o nome de Aurora...

Tenra criança ainda, ela exprimia amor,
Impressionando ao pai com o luminoso olhar...
No regaço materno, era uma flor no lar.
Crescendo um tanto mais, era-lhe a companhia,
O pai achara nela a fonte da alegria...
Cinco anos apenas e a criança
Endereçava a ele assuntos tais,
Que o genitor se via em profunda mudança,
Nos seus próprios anelos paternais.

Assim que os dois se punham mais sozinhos,
Fosse em casa, nas praias, nos caminhos,
A pequena fazia indagações:
- "Papai, quem fez o mar assim tão grande?
Quem cultiva estas plantas que nós vemos?
Quem criou nossos pés para que a gente ande?
Quem segura no chão a casa em que vivemos?
Papai, quem dá comida aos pássaros na serra?
Quem fez o Sol? Será que o Sol assim, tão brilhante e tão quente,
É uma vela de Deus, iluminando a Terra?"

O pai ouvia a filha, enternecidamente,
E respondia, admirado:
- "Filhinha, vais crescer ao nosso lado,
Tudo compreenderás no momento preciso..."
E parava a pensar, sob longo sorriso.
Após algum silêncio, a expressar alegria,
Vendo as aves saltando, ramo em ramo,
Sempre agarrada ao pai, a pequena dizia:
- "Papai, de tudo o que já sei,
Sabe o que já falei?
Já falei à Mãezinha que eu te amo...
Mas, um dia surgiu... Há sempre um "mas"
Quando a vida feliz perde o gosto da paz.

A menina adoeceu, inesperadamente
E, após longa pesquisa, o médico anuncia
A presença de estranha leucemia...
Os pais lutaram quais leões, à frente
De um perigo mortal, no entanto, hora por hora,
Notam a pequenina e terna Aurora
A definhar e a definhar...

Até que, em certa noite, unidos a chorar,
Sem qualquer esperança que os conforte,
Viram-na repousar no silêncio da morte.
Lembrando um anjo lindo estruturado em cera,
A filhinha querida adormecera.
Dois meses sobre os traços da ocorrência,
A pedido de Aurora,
Fui visitar-lhe a residência.
Não mais achei ali a beleza de outrora...

Tentei buscar-lhe o pai que soube ausente
E encontrei-o num quadro comovente;
Estava triste e só num campo santo,
Tateando na lousa o nome da filhinha
E, demonstrando a mágoa que o retinha,
Falava em alta voz, encharcada de pranto:

- "Filha do coração, embora eu viva triste,
A verdade me diz que a morte não existe.
Anjo de paz e amor, é impossível morrer,
Vives hoje no Além, tanto quanto em meu ser...
Perder-te a companhia é toda a minha dor,
Não olvides teu pai, cansado e sofredor!...
Nunca te esquecerei, filha dos sonhos meus,
A saudade de ti trouxe-me a luz de Deus..."

Então, pude anotar
Naquela inteligência em supremo pesar,
Mostrando o coração sem disfarce e sem véus,
Que toda vida curta, ao brilhar e morrer,
Para quem ama e fica, ante o mundo a sofrer,
É um recado de amor no correio dos Céus!...

Autora: Maria Dolores
 

domingo, 1 de agosto de 2021

Sinal de Deus

Ouvi dizer que um Sábio
Procurando caminho,
A fim de sobrepor-se aos outros seres,
Após vencer hesitações em bando,
De alma firme e disposta
Para entender a realidade,
Interpelou a vida perguntando
Se o Tempo era o maior de todos os poderes;
Mas foi o próprio Tempo
Quem lhe trouxe a resposta:

- “Ouve, amigo,
Na marcha em que prossigo,
Não marco a senda em vão...
Sou mudança de tudo em derredor,
Firo e restauro, exalto e obscureço,
Para que o mundo pague o preço
Da corrida ao melhor...

Impérios vi nascer nos milênios sem data,
Raças, povos, nações, conquistadores, reis...
Mas a vida exigiu estradas novas,
Novas realizações e novas leis
E tudo transformei com força intimorata.

Vi milhões de pessoas sob algemas,
Vinculadas a lutas de outras eras,
Mas apaguei as aflições extremas,
Que as faziam sofrer
Sob longas esperas...

Ódio, ambição, loucura, em tremendos conflitos,
Sombras assinalando embates infinitos
Em convulsões de guerra
Cederam-me à pressão de gradativo corte,
Porquanto o meu domínio abrange a vida e a morte
Nos caminhos da Terra.

Tudo segue comigo em todos os instantes
Nos meus braços gigantes,
Homens, legislações, conceitos, normas,
Renovo sem cessar no cadinho das formas...

Embora isso, devo confessar-te
Que algo existe mais forte, em toda parte,
Muito mais forte do que os meus impulsos;
Esse algo que fica
E que ninguém relega para trás,
Revelando beleza, luz e paz
É o bem que se pratica.

Tudo o que vês no mundo em ascensão,
É o bem que nasce, cresce e se alteia de nível,
Quase que atravessando as raias do impossível
Para manter a evolução...

Ama, serve e constrói nos encargos que levas
E serás novo sol a dissipar as trevas;
Não te prendas a mim,
De idade para idade,
Vive na caridade...
O bem é o talismã da vitória sem fim.”

Somente aí o Sábio compreendeu
Que o Tempo por mais forte sofre a amarra
Da energia que esbarra
Entre limitações de ciclos e museus,
E que apenas o amor sobrevive no mundo,
Por dom inalterável e profundo,
- Permanente sinal da presença de Deus.

Autora: Maria Dolores