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sábado, 30 de maio de 2015

Amor e Perdão

E Madalena fora ao túmulo querido
Entre pedras de extremo desconforto...
Levava flores para o Mestre morto,
Tinha o peito magoado e enternecido.

O Sol reaparecia, resplendente,
A névoa da manhã fundia-se no ar,
Na dourada invasão das flamas do Nascente,
Maria estava ali, unicamente,
A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.

A desfazer-se em pranto, ela arguia:
- “Por que, por que Senhor?
Tanta saudade e tanta dor?!...
Toda a felicidade que eu sentia
Jaz aqui sepultada...
Transformou-se-me a vida em sombra e nada
No ermo deste pouso derradeiro...”

Nisso, ela viu alguém... Seria um jardineiro?
Um zelador daquele campo santo?
Mas tomada de espanto,
Viu-se à frente do Mestre Nazareno,
O excelso benfeitor ressuscitado,
A envolver-lhe de paz o coração cansado...
Ela gritou: “Senhor!”
Ele disse: “Maria!”

Ela era a expressão da perfeita alegria,
Ele, o perfeito amor.
Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés...
- “Maria, por quem és” – explicou-se
“Não me toques, porquanto
não te esperava aqui neste recanto,
e ainda não fui ao Pai revestir-me de luz...”
Maria, surpreendida,
indagou em seguida:
- “Senhor, onde estiveste?
Em que jardim celeste
Encontraste o descanso necessário,

Que vem de Deus, nos dons da paz completa?
Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,
Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário,
Revolto-me, padeço, mas não venço
A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”
Mas Jesus respondeu:
- “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,
Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento,

Quem ama não consegue achar o Céu de um salto...
Ao invés de subir aos Altos Resplendores,
Desci, mas desci muito aos reinos inferiores...
Despertando no túmulo, escutei
Os gritos da aflição de alguém que muito amei
E que muito amo ainda...
Embora visse Além, a Luz sempre mais linda,
Sentia nesse alguém um amado companheiro,

Em crises de tristeza e de loucura...
Fui à sombra abismal para a grande procura
E ao reencontra-lo amargurado e louco,
A ponto de não mais me conhecer,
Demorei-me a afaga-lo e, pouco a pouco,
Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer...”
- “Senhor” – interrogou a Madalena
“Quem é o amigo que te fez descer,
Antes de procurar a luz do Pai?”
Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:

- “Maria,
um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai...
Antes de me altear à Celeste Alegria,
Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,
Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas,
A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.


Autora: Maria Dolores

sábado, 16 de maio de 2015

ACORDA E AJUDA

Não olvides, cada hora
Na luz de Deus a buscar-te,
Que a nossa grande família
Luta e sofre em toda a parte.

Isolamento e egoísmo
São meros caprichos vãos.
No universo ilimitado
Todos nós somos irmãos.

Respira ao sol da verdade.
Ilusão é sombra e pó.
Ontem, agora e amanhã
São frases de um tempo só.

Qual tronco que se equilibra
Fortemente enraizado,
Nosso presente obedece
À formação do passado.

Não te ensurdeças, portanto,
À voz do bem que te exorta.
Recebe fraternalmente
A dor que te bate à porta.

Mendigos que vês ao longe,
Chorando ao vento escarninho,
Já beberam, quase sempre
Na taça do teu caminho.

Velhos tristes sob a noite,
Em desencanto e doença,
Muitas vezes são credores
De tua afeição imensa.

Crianças ao desabrigo
Em pranto desolador,
Comumente foram rosas
E bênçãos de teu amor.

Amanhã despertarás
Nas luzes do grande além. . .
Consagra-te, desde agora,
Ao campo do eterno bem.

Descerra às chagas da vida
O templo do coração.
Os braços da caridade
São chaves de redenção.


Autor: Casimiro Cunha

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A Subida

Disse-nos o Senhor:
-“Quem quiser encontrar-me
Tome a sua cruz e siga-me onde eu for...”
E um homem que o seguiu, sem queixa e sem alarme

Observou que o lenho o constrangia...
Caminhou, mas não mais na antiga estrada,
A cruz era pesada
Na marcha, dia-a-dia...

Perdeu de vista a risonha paisagem,
Na qual usufruíra o amor de sua gente...
Precisava escalar rude montanha na viagem
E se reconhecia, a sós, agarrando-se à frente.

Embora a cruz lhe desse chagas e cicatrizes,
Conseguiu falar, fraternalmente,
Reconfortando, os tristes e infelizes...
Levantava os caídos,

Doava nova força aos fracos e aos doentes.
Consolava os leprosos esquecidos,
Regenerava os delinquentes...
Em muitos trechos da subida,

Tratavam-no por louco e davam-lhe pedradas...
Deprimiam lhe a vida...
Quanto insulto e suplício nas estradas!...
No entanto, ele subia...

Trazia o Cristo em luz na própria mente.
Não tinha acessos de melancolia
E, sim, uma alegria diferente...
Mas chorava, por vezes, de cansaço,

A sentir, sob os pés, o vigor dos espinhos.
Refazia-se, vendo o Azul do Imenso Espaço
E ouvindo a voz do Céu na voz dos passarinhos...
Alcançando, porém, o cimo da montanha

Notava-se lhe os pés rasgados e sangrentos,
E o corpo lacerado
De atrozes sofrimentos...
Mesmo assim, agradeceu ao Cristo Amado

A viagem temível...
Para atingir o topo de alto nível...
Chegando ali, porém, vê, com assombro e atenção,
Que a Terra já não tem com ele ou sobre ele

O poder de atração...
Sentia-se envolvido em súbita leveza,
Respirando, feliz, a paz da natureza...
Reconhece que o tronco vertical do grande lenho

Transformara-se em delicado engenho
E que os braços da cruz
Eram asas de luz...
Tentou andar, mas sem querer,

Na alegria que o invade,
O homem que seguira os passos do Senhor,
Planou além, no além, buscando a Imensidade
Inflamado de amor.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Alguém Convida

A fim de não descermos, alma boa,
A considerações frias e cegas,
Lembra, no culto da beneficência,
O tesouro de bênçãos que carregas.

Usando as mãos tão ágeis quanto livres,
Sem quaisquer embaraços,
Pensa na provação dos companheiros
Que caminham sem braços.

Em contemplando céus, estrelas, flores,
Sem notar que a visão é um dom de luz que levas,
Fita os irmãos que trazem sobre os olhos
Duas vendas de trevas.

Manejando a palavra que te exprime
E com que prendes tanto quanto estudas,
Medita na extensão das outras vozes
Inibidas ou mudas.

Ante os seres queridos
Que te ofertam amor e que estimas amar,
Anota, coração, os que varam a vida
Sem um pouso por lar.

Envolvendo em conforto um filho amado
Que recolhes por laço predileto,
Reflete nos pequenos desprezados
Que padecem na rua a carência de afeto.

Enquanto a fé te ampara e abençoa a alegria,
Lutes, de estrada a estrada, muito embora,
Encontras tanta gente arrasada de angústia,
Tanta gente que chora!...

Enumera as vantagens que desfrutas
E escuta, alma querida, o convite de alguém
É o Cristo que aguarda o concurso fraterno
Para estender no Mundo a construção do Bem.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 23 de março de 2015

À Mocidade

Cantai! Cantai, ó mocidade! Moira
Encantada que ri nos prados verdes,
Cantai o amor que é luz que se entesoira,
Vibrai na luz da vida em que viverdes.

Glorificai, ditosa, o sol que doira
O riso que espalhais sem compreenderdes,
Expandi-vos na primavera loira,
Nos poemas de luar que conceberdes!

Ide cantando, mocidade ardente,
Alvorada em abril, do sol-nascente,
Clareando o porvir álamo e risonho;

Marchai sorrindo, doce juventude,
Na exaltação do amor e da saúde,
Ébria de aroma e luz, ébria de sonho!...


Autor: Antônio Nobre.

sábado, 7 de março de 2015

À Maria

Eis-nos, Senhora, a pobre caravana,
Em fervorosas súplicas, reunida,
Implorando a piedade, a paz e a vida,
De vossa caridade soberana.

Fortalecei-nos a alma dolorida
Na redenção da iniquidade humana,
Com o bálsamo da crença que promana
Das luzes da bondade esclarecida.

Providência de todos os aflitos,
Ouvi dos Céus, ditosos e infinitos,
Nossas sinceras preces ao Senhor...

Que a vossa caravana da verdade,
Colabore no bem da Humanidade,
Neste banquete místico do amor.


Autor: Bittencourt Sampaio

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Suporta

Nos momentos de crise,
Não te abatas.
Escuta.

Por nada te revoltes,
Nem te amedrontes.
Ora.

Suporta a provação.
Não reclames.
Aceita.

Não grites com ninguém.
Nem firas.
Abençoa.

Lance de sofrimento
É o ensejo da fé.
Silencia.

Deus sabe
O instante de intervir.


Livro: Caminhos – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Agora é o Dia

Escuta, meu irmão, agora é o dia.
Em que a Bênção Celeste nos coroa,
Convidando à tarefa clara e boa
De espalhar a alegria.

Desce do altar caseiro a que te elevas
E acende sobre a noite de quem chora
Uma réstia de aurora,
Adelgaçando as trevas...

Assinala, mais perto,
De coração fiel, amigo e atento,
O dorido lamento
Dos que passam clamando no deserto.

É a miséria sem lar vagando além,
A ignorância, torva e envilecida,
A criança perdida
E o doente cansado sem ninguém...

Desce do pedestal nobre e sublime
Em que a glória da fé te ilustra o nome,
Trazendo o pão onde se estenda a fome
E a luz de Deus onde corveje o crime.

Sobre o abismo das lágrimas debruça
O coração tranquilo e consolado
E encontrarás Jesus crucificado
Em cada peito humano que soluça...

Em ti que trazes, rútilo e fecundo,
O brasão do Evangelho na alma ardente
Recai o privilégio onipresente
De revelar o Cristo sobre o mundo!

Escuta, meu irmão, agora é o dia
Em que a Bênção Celeste nos coroa,
Convidando à tarefa clara e boa
De espalhar a alegria...


Autor: José Tatagiba

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Amor e Vida

Muita semente esquecida
Em simples trato de chão
Transforma os charcos da vida
Em flor, alegria e pão.

Quem sente amor não reclama
Privilégios para si,
Quanto mais sofre, mais ama,
Quanto mais chora, mais ri.

Quem sabe renunciar,
Fazendo feliz alguém,
Por si já sabe olvidar
As mágoas que a vida tem.

Amor real e profundo
Dos sonhos e anseios meus,
Só mesmo existe no mundo
No coração que é de Deus.

Amor não é fanatismo,
Ciúme; inveja e paixão.
Amor é uma Luz Divina
Por dentro do coração.

Amor de mãe, poesia
Inspirada, terna e pura,
Que o Senhor criou um dia
Pensando em nossa ventura.

Vive; trabalha e abençoa,
Que a treva jamais te vença...
Quem ama sempre perdoa
A dor de qualquer ofensa.

Na Terra, o amor é assim:
Uma estrela em doce luz
Que brilha, do início ao fim,
E se consome na cruz.

Justiça aponta a Verdade
Sem segredos e sem véus,
Mas somente a Caridade
Sabe o caminho dos Céus.


Autor: Eurícledes Formiga

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

VERSOS DE NATAL

Enquanto a glória do Natal se expande,
Na alegria que explode e tumultua,
Lembra o Divino Amigo, além, na rua...
E repara a miséria escura e grande.

Aqui, reina o Palácio do Capricho,
Que a louvores e júbilos se entrega,
Onde a prece ao Senhor é surda e cega,
E onde o pão apodrece sobre o lixo.

Ali, ergue-se a Casa da Ventura,
Que guarda a fé por fúlgido tesouro,
Onde a imagem do Cristo, em prata e ouro,
Dorme trancada em cárceres de usura.

Além, é o Ninho da Felicidade,
Que recorda Belém, cantando à mesa,
Mas, de portas cerradas à tristeza,
Dos que choram de dor e de saudade.

Mais além, clamam sinos com voz pura:
- «Jesus nasceu! » - o Templo dos Felizes,
Que não se voltam para as cicatrizes,
Dos que gemem nas chagas de amargura...

Adiante, o Presépio erguido em trono,
Louva o Rei Pequenino e Solitário,
Olvidando os herdeiros do Calvário,
Sobre as cinzas dos catres de abandono.

De quando em quando, o Mestre, em companhia,
Daqueles que padecem sede e fome,
Bate ao portal que lhe relembra o nome,
Mas em resposta encontra a noite fria.

E quem contemple a Terra que se ufana,
Ante o doce esplendor do Eterno Amigo,
Divisará, de novo, o quadro antigo:
- Cristo esmolando asilo na alma humana.

Natal!... O mundo é todo um lar festivo!...
Claros guizos no ar vibram em bando...
E Jesus continua procurando,
A humilde manjedoura do amor vivo.

Natal! Eis a Divina Redenção!...
Regozija-te e canta, renovado,
Mas não negues ao Mestre desprezado,
A estalagem do próprio coração.


Médium: Chico Xavier - Espírito: Carmen Cinira.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Além da Noite

Dos corações clamando agonia e desterro
Cai o orvalho do pranto em fel da desventura...
A saudade a chorar dita a rota do enterro,
Mas o túmulo em si é breve noite escura...

Espírito é sol no corpo, — escrínio perro,
Joia viva a brilhar além da sepultura,
Luz ativa a esmorecer, sob a lama do erro,
Ou cresce a refulgir, se ascende bela e pura.

Onde vá, todo ser caminha lado a lado.
Da luz que exprime sempre o amor profundo e ardente
Ou da sombra que em tudo é tenebroso mito,

A deixar cada dia o crisol do passado,
Vai e vem a sofrer, no esmeril do presente,
Para estampar-se, enfim, nos troféus do Infinito!


Autor: Félix Pacheco

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Última Aula

Sofre pregado à cruz o Inesquecível Mestre,
Lembrando quanto viu na jornada terrestre.

Vê-se menino a arguir os sábios da cidade,
Mostrando a inteligência a brilhar na humildade.

Mentaliza Canaã, onde aumenta a alegria
Na formação de um lar que nunca possuiria.

Recorda irmãos na fé, quais Pedro, João, Tiago,
E os amigos fiéis às pregações do lago.

Passa por privações sem que a dor o esmoreça,
Não tem uma só pedra em que apoie a cabeça.

Lembra o deserto hostil... Na prece em que se enleva,
Ensina paz e fé às legiões da treva.

Revê a multidão que o respeita e acompanha,
Quando transmite a Terra o Sermão da Montanha.

Vê lugar por lugar, nos longes a que Isa,
Espalhando a bondade, o socorro, a alegria...

Mas agora, na cruz, amargurado e pasmo,
Escuta palavrões de ironia e sarcasmo...

E diz, sentindo o fel que as injúrias lhe trazem:
- “Perdoa-lhes, meu Pai!... Não sabemos o que fazem!...”.

Ele que se entregara à caridade inteira,
Faz do perdão mais luz na aula derradeira.

É que todo perdão, sem queixa e sem medida,
É conquista de Paz nos problemas da Vida.


Autor: Maria Dolores

sábado, 8 de novembro de 2014

Amor Apenas Terrestre

Amor apenas terrestre
Carrega dupla feição;
Uma parece cordeiro,
Outra parece leão.

Ambas formam na pessoa
Um todo, conforme sinto;
Vejo o cordeiro no afeto
E noto o leão no instinto.

A vida une as criaturas
Nos passos do dia-a-dia;
Logo após criam-se grupos
Nos laços da simpatia.

Afinidade surgindo,
A amizade vem depois
E aparecem, comumente,
Ligações de dois a dois.

Quando o par se enxerga preso
A cativante feitiço,
O casamento é o socorro
Para proveito e serviço.

Mas quando a fera triunfa,
Largando o cordeiro ao chão,
Quem não queira compromisso,
Fuja logo do leão.

Autor: Jair Presente


Fonte do texto: Internet Google.