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sábado, 15 de junho de 2019

Norma de Vida


Sinto-te o coração dorido em prece
E perguntas, em pranto, alma querida e boa:
- "Como guardar a fé, sem que a prova nos doa
Nos recessos do ser?
Uma norma de paz haverá sobre a Terra,
Que consiga sanar as chagas da alma triste?"
Sem pretensão, respondo que ela existe:
- Trabalhar e esquecer.

A própria Natureza é um livro aberto.
Recorda o tronco antigo e a tempestade;
Desçam raios do céu, a nuvem brade,
Sob a crise da noite a estremecer,
Ei-lo, porém, ereto e firme, aguentando a tormenta...
Quebra-se-lhe quase toda a ramaria,
Ele guarda, no entanto, as instruções da vida:
- Trabalhar e esquecer.

Vejo a terra humilhada na lavoura,
Ferida e massacrada
Ao peso do trator e entre golpes de enxada
Tem nos vulcões rugindo o seu bravo gemer...
Mas, mesmo assim, produz o pão do mundo,
Injuriada e revolvida
Atende a ordenação que recebe da vida:
- Trabalhar e esquecer.

O fio dàgua que nasceu na serra,
Pouco a pouco se fez amplo regato,
Percorrendo quilômetros de mato,
A correr e a correr...
Dessedentando pombos e serpentes,
Sofre a baba do lobo que o domina
E segue para o mar, ante a norma divina:
- Trabalhar e esquecer!...

Assim também, alma querida e boa,
Se carregas contigo farpas de amargura,
Desencanto, tristeza, desventura,
Chora, mas faze o bem - nosso alto dever...
Quanto às pedras e empeços do caminho,
Desengano e aflição, mágoa e mudança,
Olvida!... E segue as vozes da esperança:
- Trabalhar e esquecer!...

Autora: Maria Dolores

sábado, 1 de junho de 2019

Mãe Querida


Torno a ver, nos meus dias de criança,
O teu regaço, a lamparina acesa,
O pequeno lençol que trago na lembrança,
A oração da manhã e o pão à mesa...

Varro o chão, a fitar-te as mãos escravas,
Afagando o fogão, de momento a momento...
A roupa e o batedouro em que cantavas
Para esquecer o próprio sofrimento...

Depois, era o tinir da caçarola,
Aumentando a despesa no armazém...
Vestias-me de renda para a escola
E nunca me lembrei de ofertar-te um vintém.

Cresci... A mocidade me requesta,
Ante a cidade de qualquer maneira...
Parti... - eu era a rosa para a festa,
Ficaste... - eras a rústica roseira.

De tudo vi na estrada grande e nova,
As flores do prazer, o brilho, a fama.
A malícia dourada e os suplícios da prova
Marcando a pranto e fel os passos de quem ama...

Hoje, volto a buscar-te, mãe querida,
Dá-me de tua paz sem ilusão,
Guarda-me em ti, amor de minha vida,
Alma querida de meu coração.

Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Mãos Marcadas


Senhor!
Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo, ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,
Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo:
Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Quanta ilusão quando me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e esperança
Sem que nada fizesse!
Imitava na Terra o lavrador
A temer a pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milagres de colheita
Sem plantar coisa alguma.
Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço.

Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos...

Não me dês tempo para lastimar-me,
Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...
No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma rósea de paz... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem.

E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto a que me enleie,
Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos e fé e preces de perdão!

Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,
A servir sem perguntar a quem...
Ouve, celeste amigo,
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Na Senda de Luz


Ante o anseio de luz em que te expressas,
Indagas, muita vez, alma querida,
Como seguir ao Cristo, entre as pedras da vida,
Varando tentação, desânimo, pesar...
Do que aprendi no mundo, posso apenas
Transmitir-te o que a Vida me dizia,
Nas difíceis lições de cada dia:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Espíritos da Terra, herdando de nós mesmos,
Temos, quase nós todos, as raízes
De débitos e tramas infelizes
Que assumimos outrora, sem pensar;
Nos instantes de Hoje, o Tempo nos revisa
E, clamando ao colher de nossa plantação,
Eis que o Mundo nos pede ao coração:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Não te lamentes, pois... Todos os seres,
Do abismo aos céus, da pedra ao homem,
Sem correções e lágrimas que os domem,
Nunca se arredariam de lugar;
Não há valor sem preço no caminho,
Toda ascensão exige esforço e luta,
Por isso a Vida fala e a própria Vida escuta:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

A planta aguarda a flor, a flor reclama o fruto,
A noite espera o Sol retomar o horizonte
O deserto suplica o bálsamo da fonte,
A fonte quer o rio e o rio busca o mar;
A gradação, porém, tudo acompanha e rege,
No voragem do Tempo, a Justiça se esconde
E, ao tumulto da pressa, a Lógica responde:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Assim também, alma fraterna e boa,
Aceita a prova justa, aguarda e pensa,
Deixe que, um dia, a dor te elucide e convença
A olvidar-te no Bem, a construir e amar;
Então compreenderás, nas forças do Universo,
Que o próprio Deus, na Lei, que Ele Mesmo estrutura,
Diz no imo do ser, em cada criatura:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Não Reproves


Um companheiro de lado,
Triste, agressivo, irritado,
Causando preocupação,
É sempre alguém que procura

Consolo à própria amargura,
Pedindo compreensão.
Fitando qualquer pessoa
Que te injuria, perdoa

E auxilia, mais e mais...
Na multidão, no barulho,
Muitas máscaras de orgulho
São dores descomunais.

Se te mostra voz de briga,
Dá-lhe, em troca, a frase amiga,
Nada te possa alterar...
Ou simplesmente irradia

Uma oração de alegria
Que lhe atenue o pesar.
Ante os irmãos em revolta,
Sabes que estás sob a escolta

Dos Mensageiros do Bem...
A dor, no tempo, varia,
Cada qual tem o seu dia...
Nunca reproves ninguém.

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nas Aulas do Bem


Não creias por bagatela
Que se despreze a capricho,
Algo que largues ao lixo:
O pouco que possas dar.
Qualquer apoio miúdo,
Por mais singelo que seja,
É sempre luz benfazeja
No instante de auxiliar.

Medita no companheiro
Que a prova martela e espanta,
Que se deita e se levanta,
Entre as grades da aflição;
Talvez não saibas ainda
Quanto lhe vale ao desgaste
A roupa que abandonaste
Ou qualquer sobra de pão.

Vem conosco à grande escola
Do esforço beneficente,
Encontrarás o doente
Com vasta luta a vencer.
Ou a criança rejeitada
Que não fala e apenas chora,
Lírio humano, luz de aurora,
Novo dia a amanhecer.

Numa frase de esperança,
Num pão, na paz de uma prece,
Eleva, ajuda, esclarece
E ampara seja a quem for;
Quem estende mãos fraternas
De quanto vejo e já vi,
Está construindo em si
O reino do Eterno Amor.

Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de março de 2019

Moeda Bendita


Sê bendita, moeda, quando surges
Pelo esforço de alguém,
Amparando outro alguém, que te liberta
Por sustento do bem.

Honrada sejas sempre quando atinges
Os mais remotos ângulos do mundo
À feição de alavancas do progresso
No trabalho fecundo.

Respeitada te vejas como apoio
Na civilização, dia por dia,
Espalhando na Terra, em toda parte,
Reconforto e alegria.

Veneranda te mostres sob a forma
Em que o poder humano te estrutura,
A fim de garantir os méritos da escola
No clima luminoso da cultura.

Sê bendita, porém, com mais grandeza
Onde a força que encerras se consome
Para ser pão e luz, abraçando e extinguindo
A penúria sem nome.

Enaltecida sejas com mais gloria,
Na sombra em que teu brilho sobrenade
Para lenir a dor que obscurece
As trilhas da viuvez e da orfandade.

Louvada sejas mais ardentemente,
Na mão fraterna e boa que te alcança,
A fim de transformar-te, vida em fora,
Em fé, socorro e paz, caridade e esperança.

Por toda a evolução que orientas e trazes
Onde a vida, moeda, te afeiçoe,
Mas, sobretudo, pelo bem que fazes
Deus te eleve e abençoe.

Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de março de 2019

Mensagem de Mais Alto


Ao Espírito Sábio que encontrara
Nas Alturas Imensas,
Porque me perguntara
Se vinha para a Terra,
Dei a resposta, afirmativamente,
E indaguei, reverente,
Se ele algo queria que eu fizesse
Algum aviso, alguma prece,
Algum recado salvador...

Mas aquele Celeste Mensageiro
Fitou, ao longe, as paisagens terrenas
Abraçou-me, fraterno e disse apenas:
- Se vais de novo ao mundo,
Dize aos nossos irmãos
Para unirem as mãos
No serviço do bem.
Irmã Dolores, vai! Onde encontres problemas,
Fala em Jesus e nada temas.
Onde escutes a voz que amaldiçoa,
Pronuncia com Cristo a frase que perdoa...
Dize aos nossos irmãos que o ódio tudo atrasa,
Quando nos empenhamos à melhora,
Impondo a nós, em nossa própria casa,
Em formas diferentes,
Pela reencarnação,
Inimigos ousados e doentes,
Aos quais não desculpamos noutras eras...

Recorda aos companheiros ofendidos
Que mais vale chorar, com feridas abertas
Que alardear poder ao pé dos agressores
Que passam sobre a Terra, esmagando os vencidos
Nas estradas incertas,
Se alguém clama que sofre
Não vaciles dizer
Que mais vale aguentar e padecer
Pedrada, provação, calúnia e insulto,
Qualquer espécie de suplício oculto
Que condenar alguém,
Porque a Justiça nasce Mais Além
E tudo acertará, de segundo a segundo,
Sem que ninguém precise
Aumentar no caminho as tristezas do mundo...

Onde encontres o espinho da amargura
Fala em trabalho, a força da esperança,
Que olvida o lodo e fita, além, na Altura,
A presença de Deus no Sol que não descansa
E ampara a qualquer um sem deter-se no mal...

Vai, Dolores, e dize a toda angústia humana,
Que a vida, além da morte, brilha soberana,
Sempre justa e sublime, amorosa e imortal.
Nisso, desci à Terra, entre os amigos,
A fim de repetir, repleta de alegria,
Alma irmã, prossigamos, dia a dia,
Pela fé viva e ardente caminhemos,
Procurando servir e compreender
Como simples dever,
Porque nos Paramos Supremos,
Alguém nos vê, alguém nos fala e vela,
Para que a nossa estrada
Venha a ser cada vez mais brilhante e mais bela,
E que, um dia, por fim, a nossa própria dor
Há de se converter em divina alvorada,
Entre a bênção da Paz e a grandeza do Amor.

Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Mãos Benditas


Escuta-nos, Senhor,
Na luz do Lar Celeste!
Desejamos, Jesus, agradecer-te
As mãos benditas que nos deste!
Aquelas mãos sublimes
Que nos entreteceram o berço
Entre as forças do mundo,
Que fizeram escolas,
Aquelas que tornaram nossos dedos,
Revestidas por ti de amor terno e profundo
A fim de penetrarmos nos segredos
Das palavras e letras da instrução...

As que encontramos no caminho,
Quando a sombra da mágoa nos alcança
E acendem para nós com simpatia
O facho da esperança.
Aquelas que nos trazem,
Ao sol do dia-a-dia,
Exemplos de trabalho.
As que cavam a terra,
Muita vez suportando espinhos agressores
E vibram de alegria
Ao vê-la transformar-se em celeiro de flores!

As que fazem o pão,
As que costuram vestes multiformes,
Cobertura e agasalho,
Aquelas que nos dão
A bênção da limpeza,
As que buscam nos dons da Natureza,
Quantas vezes, cansadas de lutar,
Os recursos da vida
Que nos erguem o lar...

As que socorrem os doentes,
As que se inclinam para os sofredores,
Em recintos de angústia, lares e hospitais,
Que afagam companheiros indigentes
Ou que protegem pobres pequeninos
Revelando desvelos maternais!

As que orientam para a ordem,
Garantindo a justiça e a segurança,
As que escrevem bondade, educação, beleza,
Em que a estrada se eleva e a mente se aprimora,
Criando, mundo afora,
Idéias de otimismo, reconforto,
Das quais se estende a luz de surpresa em surpresa...

Aquelas que se humilham quais violetas
E, revolvendo o pó,
Levantam nosso irmão ou nossa irmã
Caídos nas sarjetas
Ou no esgoto comum,
De coração dizendo a cada um:
– “Você não está só”.

As que foram batidas
Por críticas mordazes
E prosseguem agindo como fazes,
Retribuindo o mal com o bem;
As que ajudam e passam
Sem ferir a ninguém...

Benditas sejam elas
Todas as mãos, Senhor, que procuram servir,
– Exército de estrelas a buscar-te,
Edificando, em toda parte,
O Reino do Porvir.

E agradecendo-as, rogo-te, Jesus:
Toma-me as mãos vazias,
Faze-me trabalhar
Em todos os meus dias!
E porque me conheça
Tão pobre quanto sou,
De revés em revés,
Sem nem mesmo poder

Aspirar, ante os séculos futuros,
À sublime ventura,
Anseio conquistar a posição
Da serva que se esqueça
Nas tarefas de amor que o teu amor reparte.
E, a despeito de minha imperfeição,
Frágil, errada e inculta, quero dar-te
Meu próprio coração.

Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Mãe Deus te Abençoe


Quero, mãezinha, agradecer-te, em festa, por tudo o que me dás ao coração, entretecer-te uma canção modesta, mas todo esforço é vão...

Se pudesse dizer a gratidão que sinto por teu santo carinho protetor, precisaria conhecer na essência toda a glória do Amor.

Tens o segredo da Bondade Eterna, Deus me acena e sorri por tua face... Não há sábio no mundo que defina o Sol quando aparece, o lírio quando nasce!

Falar de ti, mostrar-te? Isso seria como explicar da Terra, olhando a Altura, a doce maravilha de uma estrela a guiar o viajor em noite escura.

Converto em prece o reconhecimento, que em meu peito humilde se extravasa, rogando ao Céu te envolva em rosas de ventura, anjo sustentador de nossa casa!

Deus te guarde, mãezinha, pelo berço, descuidado e risonho, em que me acalentaste para a vida, como flor de teu sonho.

Deus te engrandeça pelos sacrifícios e pelos sofrimentos que te impus, quando em pranto escondido te arrasavas para ser minha Luz.

Deus te compense pelas noites tristes de aflição que te dei, pelo perdão de tantas vezes, tantas! Quantas foram, não sei ...

Deus te enalteça a fonte de ternura, que nunca se enodoa e nem se cansa, pelo cuidado com que me restauras, ante o dom do trabalho e a forca da esperança!

Perdoa se te oferto unicamente, na minha devoção de todo dia, o meu ramo de flores orvalhadas nas lágrimas que choro de alegria!

Com júbilos divinos, Mãe querida, que a celeste bondade te coroe! Por tudo o que nos dá nos caminhos da vida, Deus te exalte e abençoe!

Autora: Maria Dolores

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Mensagem da Terra


O Homem que esmorecera no trabalho;
Deitando-se no chão por rebeldia,
Ao sentir-se infeliz e descontente,
De ouvido rente ao solo,
Escutou, de repente,
As palavras que a Terra lhe dizia: -

- Sou tua mãe, a Terra! ... Ergue-te e anda! ...
Não te magoes, meu filho, contra a vida,
Tudo o que Deus nos manda
É luz que aperfeiçoa ...
A dor vem dessa luz que nos convida
Ao trabalho do bem que não se cansa
De criar a alegria e gerar a esperança ...
Levanta-te, caminha, ama, serve e perdoa! ...

Fita-me a pele desolada,
Fiquei ferida assim, ante os golpes da enxada,
Para que tenhas pão à mesa! ...
Sofrer para ajudar é lei da Natureza! ...

Deus pede que eu responda à injúria dos tratores,
Mais frutos produzindo, em braçadas de flores ...
A quem me atire lama, lodo ou estrume
O Senhor determina
Que eu forneça mais verde e mais perfume,
Porque, segundo as leis da Bondade Divina,
De tudo quanto existe, o amor somente
É valor permanente
Do verme que se oculta em baixo nível,
A estrela que parece inatingível! ...

Embora eu tenha o Céu por segurança e escolta,
Tenho milhões de filhos em revolta
E, às vezes, eles mesmos se exterminam
Em conflitos sangrentos,
Mas nunca sabem de meus sofrimentos,
Porque, sou mãe vivendo aos sóis no Espaço,
E a todos acalento em meu regaço.

Deus é Pai que jamais, amaldiçoa,
Por isso, filho meu, ama, serve e perdoa! ...
Um dia, ao ver o mal a envolver-me de todo,
Em torrentes de ódio, sangue e lodo,
Supliquei ao Criador nos mandasse mais luz
E o Céu nos enviou o ensino de Jesus! ...

Jesus veio e entreabriu-se nova aurora,
Amou e fez de si divina doação,
E muito embora
Muita gente buscasse a redenção
É preciso dizer que, até agora,
Quase que ninguém quis
Receber de Jesus o dom de ser feliz.

Notando o orgulho a dominar o mundo,
Nas guerras sem razão sob o ódio iracundo,
Pisando, desprezando ou destruindo,
Tudo aquilo que fiz de mais puro e mais lindo,
Derramo, às vezes, lágrimas ardentes...

O vulcão é meu choro em lavas comburentes! ...
Nunca roguei, porém, compensações nem mimos.
Guarda a fé, filho meu, contempla de altos cimos,
No firmamento azul que nos recobre
A divina grandeza do porvir,
Porque o trabalho, em si, não é triste, nem pobre...
E todos viveremos
Nos triunfos supremos
Do privilégio de servir! ...

Desperta, filho meu, ergue-te e vem,
Trabalhemos com Deus na Seara do Bem! ...
E o homem deslumbrado,
Levantou-se do chão que atravessara a esmo...
- “Servirei, servirei! ...” – prometeu a si mesmo.
Ao erguer-se, sentiu a vida em torno...
Não longe, alguém guardava o pão no forno...
Enxergou renovado,
Árvores, animais, lavradores cantando,
As flores se entreabrindo e as abelhas em bando...
Depois, em oração que a fé viva descerra,
Gritou alçando ao Alto os braços seus:
- “Louvado seja Deus!
Ouvi a voz da Terra,
Obrigado, meu Deus! ...”

Autora: Maria Dolores