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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Onde


Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão, agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameie,
Com temerários ímpetos te fere,
A face da existência,
Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espere!...

0nde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
A ninguém desanimes...
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça,
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus de Infinita Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor.

Autora: Maria Dolores

terça-feira, 1 de outubro de 2019

No Próprio Lar


Não fales que vês apenas
Seres fracos e infelizes,
Trevas, chagas, cicatrizes,
Tristeza, nódoa, pesar...

Recorda que não cresceste,
Sem apoio, sem afetos,
Sem os laços prediletos
Que brilham no próprio lar.

Autora: Maria Dolores

domingo, 15 de setembro de 2019

Norma de Vencer


Em muitas ocasiões,
Sofres ante os próprios gritos,
Abafados nos conflitos
Das tentações a transpor...

É o fel do orgulho ferido,
A rebeldia, a tristeza,
As lutas da natureza,
Agindo em nome do amor.

Queres seguir nos princípios,
Que a Lei Divina te aponta,
Mas as sombras são sem conta
Que o desânimo produz ...

Cais, reergues-te e caminhas,
Às vezes, cambaleando,
E, em preces, perguntas quando
Chegarás à Grande Luz.

Entretanto, alma querida,
Deus nos conhece os problemas,
Cala-te, serve e não temas
Treva, amargura ou pesar ...

O erro é sinal de escola,
A dor é lição contigo
E Jesus segue contigo.
Não pares de trabalhar.

Autora: Maria Dolores

domingo, 1 de setembro de 2019

Ofensores


À frente do dia-a-dia,
Não olvides, alma boa,
Se alguém te fere, perdoa,
Na lutas que vêm e vão;
Resguarda-te em paz no mundo,
Ofensa, às vezes, na vida,
Vem da lágrima escondida,
Sob a forma de agressão.

Nas áreas do pensamento,
Sem queixas e sem consultas,
Existem dores ocultas,
Estradas que ninguém vê;
Vemos certos ofensores
Que espalham pedras em bando
Trazendo o peito sangrando...
Só eles sabem porquê...

Esse carrega consigo
Enfermidade obscura,
Outro guarda a desventura
De uma afeição infeliz;
Outro deseja esquecer
A rebeldia tenaz,
Mas já não sabe o que faz
E nem pondera o que diz.

Outro surge em doce face,
Por vezes é quem mais amas,
Traz, por dentro, o peito em chamas,
Embora disfarce a dor;
A pessoa que te agride
É sempre, quando reponte,
Deserto pedindo fonte,
Angústia esmolando amor.

Também nós, além do mundo
Buscando as Luzes Supremas,
Atravessamos problemas,
Exames de amor e paz;
Alma querida, o ofensor,
Nas sendas de cada dia,
É um teste que Deus te envia
Para saber como estás.

Autora: Maria Dolores

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Meia Hora


Ante a passagem do tempo,
Registra o valor do “agora”
Na bênção de meia hora,
Quanto bem a realizar!
Trinta minutos apenas
No espaço de cada dia
São plantações de alegria
Para quem busca ajudar.

Agora é a voz da coragem
Ao irmão que chora e luta,
Coração que pensa e escuta,
Podando aflição e dor!
Em outro ensejo, é o socorro,
Que se oferece à criança,
Que vaga sem esperança,
A míngua de paz e amor.

Depois, o amparo ao doente
Em visita mesmo breve,
A página que se escreve
Para consolo de alguém!
O apontamento otimista,
A frase sincera e boa,
A conversa que abençoa,
A prece em louvor do bem!

Meia hora – patrimônio,
De expressão indefinida,
Que o Céu nos concede à vida,
A todos, crentes e ateus!...
Irmãos, elevai o tempo,
Para o serviço fecundo,
Tempo é tesouro no mundo
Que verte do amor de Deus.

Autora: Maria Dolores

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Mas Rogo-te, Senhor


Senhor, eu te agradeço.
Não somente
As horas boas da felicidade,
Em que o meu coração tranquilo e crente
Dá-se ao louvor que te bendiz...
Agradeço igualmente os dias longos,
Em que varo o caminho, a pedra e vento,
Nos quais me ensinas sem barulho, Através das lições do sofrimento,
Como ser mais feliz.

Agradeço a alegria
Que me dispensas pelas afeições,
A bênção de ternura,
Em cuja luz balsâmica me põe
Sob chuvas de flor;
E agradeço a amargura
Que a incompreensão me traga,
O estilete da crítica ferina,
Que tanta vez me opine o peito em chaga
Para que eu saiba amar sem reclamar mais.

Agradeço o sorriso da esperança
Com que me fazes crer na verdade do sonho,
A segura certeza com que aguardo
O futuro risonho
Pela fé natural;
E agradeço-te a lágrima dorida,
Com que me alimpas a visão,
A fim de que eu prossiga, trilhe afora,
Sem caminhar, em vão,
Sob a névoa, do mel.

Agradeço por tudo o que me deste,
A ventura, a afeição, a dor, a prova,
O dom de discernir e o dom de compreender,
O fel da humilhação que me renova
Para que eu permaneça em ti no meu próprio dever...

Mas rogo-te, Senhor,
Quando me veja
Sob a perseguição e o sarcasmo das trevas,
No exercício do bem,
Não me deixes perder a paz a que me elevas,
Nem me deixes ferir ou condenar ninguém.

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Mensagem da Vida


Perguntas, muitas vezes, de alma dolorida,
Ante as tribulações e os empeços da vida,
Que caminho tomar...
E surge tanta dor, sem que percebas de onde,
Que ouves somente a fé que te apoia e responde:
Trabalhar, trabalhar...

Entretanto, não chores, nem te aflijas,
A senda do progresso é de calçadas rijas,
Duras de atravessar.
Esquece-te, prossegue e ouvirás com certeza
A mensagem de luz da natureza:
Trabalhar, trabalhar...

Fita o machado bronco e o mato inculto,
Cada golpe no campo lembra insulto
Mas, no mesmo lugar,
O lavrador amigo e diligente
Traz ao solo o convite da semente:
Trabalhar, trabalhar...

Dizem que toda fonte estimaria
Viver centralizada na harmonia
Da nascente a sonhar,
No entanto, a lei lhe pede olvidar-se, de todo.
E ela corre cantando, ao varar pedra e lodo:
Trabalhar, trabalhar...

Tudo seria mágoa e tristeza no mundo,
Se a vida persistisse em descanso infecundo,
Dramatizando treva, amargura, pesar...
Por isso, cada noite espera novo dia
E o Sol brada no Azul a canção da alegria:
Trabalhar, trabalhar...

Assim também, alma querida, escuta:
Quem se consagra ao bem, quem constrói
e quem luta,
Procurando o melhor a servir e esperar,
Bendiz todas as provas, ao vence-las,
Ouvindo a voz dos Céus, através das estrelas:
Trabalhar, trabalhar...

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Não Percas Tempo


Não deixes para mais tarde
A palavra calma e boa,
Que salva anima e perdoa
Curando ofensa ou pesar;

Talvez muita gente esteja
Na pauta do que te digo,
Pedindo-te um gesto amigo
Que não se deve adiar

Às vezes, num só abraço,
Numa frase ou num sorriso
Temos nós o que é preciso
Em qualquer reparação;

Faze agora o bem que possas,
Não aguardes outro dia,
Bondade semeia e cria
Vida nova no coração.

Haja o que houver em caminho,
Não guardes ressentimento,
Todo minuto é momento
De ajudar e recompor.

Não apontes, nem lastimes,
A incompreensão que te alcança,
Para quem segue a esperança
Deus é a presença do amor.

Autora: Maria Dolores

sábado, 15 de junho de 2019

Norma de Vida


Sinto-te o coração dorido em prece
E perguntas, em pranto, alma querida e boa:
- "Como guardar a fé, sem que a prova nos doa
Nos recessos do ser?
Uma norma de paz haverá sobre a Terra,
Que consiga sanar as chagas da alma triste?"
Sem pretensão, respondo que ela existe:
- Trabalhar e esquecer.

A própria Natureza é um livro aberto.
Recorda o tronco antigo e a tempestade;
Desçam raios do céu, a nuvem brade,
Sob a crise da noite a estremecer,
Ei-lo, porém, ereto e firme, aguentando a tormenta...
Quebra-se-lhe quase toda a ramaria,
Ele guarda, no entanto, as instruções da vida:
- Trabalhar e esquecer.

Vejo a terra humilhada na lavoura,
Ferida e massacrada
Ao peso do trator e entre golpes de enxada
Tem nos vulcões rugindo o seu bravo gemer...
Mas, mesmo assim, produz o pão do mundo,
Injuriada e revolvida
Atende a ordenação que recebe da vida:
- Trabalhar e esquecer.

O fio dàgua que nasceu na serra,
Pouco a pouco se fez amplo regato,
Percorrendo quilômetros de mato,
A correr e a correr...
Dessedentando pombos e serpentes,
Sofre a baba do lobo que o domina
E segue para o mar, ante a norma divina:
- Trabalhar e esquecer!...

Assim também, alma querida e boa,
Se carregas contigo farpas de amargura,
Desencanto, tristeza, desventura,
Chora, mas faze o bem - nosso alto dever...
Quanto às pedras e empeços do caminho,
Desengano e aflição, mágoa e mudança,
Olvida!... E segue as vozes da esperança:
- Trabalhar e esquecer!...

Autora: Maria Dolores

sábado, 1 de junho de 2019

Mãe Querida


Torno a ver, nos meus dias de criança,
O teu regaço, a lamparina acesa,
O pequeno lençol que trago na lembrança,
A oração da manhã e o pão à mesa...

Varro o chão, a fitar-te as mãos escravas,
Afagando o fogão, de momento a momento...
A roupa e o batedouro em que cantavas
Para esquecer o próprio sofrimento...

Depois, era o tinir da caçarola,
Aumentando a despesa no armazém...
Vestias-me de renda para a escola
E nunca me lembrei de ofertar-te um vintém.

Cresci... A mocidade me requesta,
Ante a cidade de qualquer maneira...
Parti... - eu era a rosa para a festa,
Ficaste... - eras a rústica roseira.

De tudo vi na estrada grande e nova,
As flores do prazer, o brilho, a fama.
A malícia dourada e os suplícios da prova
Marcando a pranto e fel os passos de quem ama...

Hoje, volto a buscar-te, mãe querida,
Dá-me de tua paz sem ilusão,
Guarda-me em ti, amor de minha vida,
Alma querida de meu coração.

Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Mãos Marcadas


Senhor!
Quando me deres
O privilégio do renascimento
No berçário do mundo, ante as necessidades que apresento
E aquelas que não vejo,
Eis, Senhor, o desejo
Em que dia por dia me aprofundo:
Deixa-me renascer em qualquer parte,
Entretanto, que eu possa acompanhar-te
Onde constantemente continuas
Trabalhando e servindo em todas as estradas
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Quanta ilusão quando me debatia
Crendo que o desespero fosse prece,
A rogar-te alegria e esperança
Sem que nada fizesse!
Imitava na Terra o lavrador
A temer a pedra e lama, vento e bruma,
Aguardando milagres de colheita
Sem plantar coisa alguma.
Entretanto, Senhor, agora sei
Que o trabalho é divino compromisso,
Estímulo do Céu guiando-nos os passos
E que, atendendo à semelhante lei
Puseste ambas as mãos em nossos braços
Por estrelas de amor e de serviço.

Assim, quando efetues
As esperanças em que me agasalho
E estiver entre os homens, meus irmãos,
Que eu me esqueça em trabalho
E me lembre das mãos...

Não me dês tempo para lastimar-me,
Que eu busque tão-somente a luz que me acenas...
No anseio de seguir-te
Quero o trabalho apenas.

Dá que eu seja contigo, onde estiveres,
Uma rósea de paz... Que eu seja alguém
Sem destaque e sem nome
Que se olvide no bem.

E se um dia uma cruz de provas e de agravos
Reclamar-me a tarefa e o coração,
Não me largues ao susto a que me enleie,
Ajuda-me a entregar as próprias mãos aos cravos
Da incompreensão que me rodeie,
Entre bênçãos e fé e preces de perdão!

Não consintas que eu volte ao tempo morto
Da ilusão convertida em desconforto,
Dá-me os calos da paz nas tarefas do bem,
A servir sem perguntar a quem...
Ouve, celeste amigo,
Aspiro a estar contigo,
Longe de minhas horas desregradas,
Onde sempre estiveste e sempre continuas
Plantando o amor em todas as estradas,
Para que eu também tenha as mãos marcadas
Como trazes as tuas...

Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Na Senda de Luz


Ante o anseio de luz em que te expressas,
Indagas, muita vez, alma querida,
Como seguir ao Cristo, entre as pedras da vida,
Varando tentação, desânimo, pesar...
Do que aprendi no mundo, posso apenas
Transmitir-te o que a Vida me dizia,
Nas difíceis lições de cada dia:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Espíritos da Terra, herdando de nós mesmos,
Temos, quase nós todos, as raízes
De débitos e tramas infelizes
Que assumimos outrora, sem pensar;
Nos instantes de Hoje, o Tempo nos revisa
E, clamando ao colher de nossa plantação,
Eis que o Mundo nos pede ao coração:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Não te lamentes, pois... Todos os seres,
Do abismo aos céus, da pedra ao homem,
Sem correções e lágrimas que os domem,
Nunca se arredariam de lugar;
Não há valor sem preço no caminho,
Toda ascensão exige esforço e luta,
Por isso a Vida fala e a própria Vida escuta:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

A planta aguarda a flor, a flor reclama o fruto,
A noite espera o Sol retomar o horizonte
O deserto suplica o bálsamo da fonte,
A fonte quer o rio e o rio busca o mar;
A gradação, porém, tudo acompanha e rege,
No voragem do Tempo, a Justiça se esconde
E, ao tumulto da pressa, a Lógica responde:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Assim também, alma fraterna e boa,
Aceita a prova justa, aguarda e pensa,
Deixe que, um dia, a dor te elucide e convença
A olvidar-te no Bem, a construir e amar;
Então compreenderás, nas forças do Universo,
Que o próprio Deus, na Lei, que Ele Mesmo estrutura,
Diz no imo do ser, em cada criatura:
- Esquecer e servir, trabalhar, trabalhar...

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Não Reproves


Um companheiro de lado,
Triste, agressivo, irritado,
Causando preocupação,
É sempre alguém que procura

Consolo à própria amargura,
Pedindo compreensão.
Fitando qualquer pessoa
Que te injuria, perdoa

E auxilia, mais e mais...
Na multidão, no barulho,
Muitas máscaras de orgulho
São dores descomunais.

Se te mostra voz de briga,
Dá-lhe, em troca, a frase amiga,
Nada te possa alterar...
Ou simplesmente irradia

Uma oração de alegria
Que lhe atenue o pesar.
Ante os irmãos em revolta,
Sabes que estás sob a escolta

Dos Mensageiros do Bem...
A dor, no tempo, varia,
Cada qual tem o seu dia...
Nunca reproves ninguém.

Autora: Maria Dolores

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nas Aulas do Bem


Não creias por bagatela
Que se despreze a capricho,
Algo que largues ao lixo:
O pouco que possas dar.
Qualquer apoio miúdo,
Por mais singelo que seja,
É sempre luz benfazeja
No instante de auxiliar.

Medita no companheiro
Que a prova martela e espanta,
Que se deita e se levanta,
Entre as grades da aflição;
Talvez não saibas ainda
Quanto lhe vale ao desgaste
A roupa que abandonaste
Ou qualquer sobra de pão.

Vem conosco à grande escola
Do esforço beneficente,
Encontrarás o doente
Com vasta luta a vencer.
Ou a criança rejeitada
Que não fala e apenas chora,
Lírio humano, luz de aurora,
Novo dia a amanhecer.

Numa frase de esperança,
Num pão, na paz de uma prece,
Eleva, ajuda, esclarece
E ampara seja a quem for;
Quem estende mãos fraternas
De quanto vejo e já vi,
Está construindo em si
O reino do Eterno Amor.

Autora: Maria Dolores