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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Alimento e Vida

Disse Jesus na Terra; "Eu sou o pão da vida".
E ansiando seguir os passos do Senhor,
Quis ser, de minha parte, a migalha sem nome
De algo que alimentasse a estranha fome
Dos que morrem no mundo à carência de amor.

Indaguei do mentor que me assistia,
Quanto à ideia de que me via presa
E ele apenas me disse: "Se procuras
Nutrir o coração das criaturas,
Ouve as informações da Natureza".

Interroguei a Terra e a Terra falou calma;
"Para a manutenção dos seres que acalanto
Preciso tolerar enxadas e tratores
E abrir-me em golpes dilaceradores
Sem que ninguém me veja o sofrimento ".

Velho tronco explicou-me; "Vivo ao tempo,
Trabalhando sem perda de minutos,
Renovo o ar, produzo fartamente,
Mas padeço agressões de muita gente,
Sem que eu possa contar meus próprios frutos".

Entrevistando o Trigo, ei-lo a dizer-me:
- "Devo entregar-me sem explicação
Á mó que me constringe e me tritura,
Fazendo-me farinha clara e pura,
Que assegure na mesa o júbilo do pão".

Em tudo achei no alento para a vida
O extremo sacrifício em constante processo,
Plantas gemendo em todos os instantes
E óleo a queimar-me em máquinas gigantes,
Sustentando a energia do progresso.

Reconheci então ser preciso esquecer-me,
Apagar-me ao servir, alegrar-me na dor,
Aprender humildade, aparar sem barulho
E despojar-me, enfim, de todo o humano orgulho
Para ser luz e paz, auxílio e amor.


Maria Dolores

sábado, 30 de abril de 2016

Na Grande Escola

Por vezes, alma querida,
Recolhes-te, ao desalento,
Como quem traz fogo lento no imo do coração...
Não te detenhas, no entanto, trabalha, medita e escuta:

Não há vitória sem luta
Nas sendas de elevação.
Na grande escola da vida,
De quanto anoto e conheço,
Toda alegria tem preço, seja na Terra ou no Além;

Ama e crê, serve e perdoa, a dor que te desafia é benção de cada dia,
Degrau de ascensão ao bem.
Não te lastimes.
Trabalha.
Fita o próprio mundo em torno, o trigo morre no forno para ser pão a servir;

A argila desaparece, sob tensão desumana, fazendo-se porcelana,
Enriquecendo o porvir.
Assim também, tempo afora, ajuda, apoia, esclarece, acende a chama da prece,
E segue à frente, alma irmã! ...

Por mais triste seja a noite, que te envolve a caminhada, nas luzes da madrugada,
O dia volta amanhã.

Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Anotação em Caminho

Sob os riscos da jornada
Na vereda transformada
Em sombra pedindo luz,
Recorda que, em tuas mãos,
No amparo aos próprios irmãos,
Brilha o ideal de Jesus.

Age, auxilia, perdoa...
Na essência, em toda pessoa,
O Amor plantado produz:
Essa semente divina,
Se cultivada germina
Para servir com Jesus.

Dores, mágoas, desenganos...
São instrumentos humanos
Formando as bênçãos da cruz
De vida, esperança e paz,
Pela qual encontrarás
A redenção com Jesus.

Coração; não vais sozinho,
Entre as pedras do caminho,
A que o serviço faz jus;
No trabalho e no perigo,
Guarda esta nota contigo:
- O companheiro é Jesus.


Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ação de Graças

No tempo que se desdobra,
Sem um minuto de sobra
No dia a se recompor,
Entendendo o tempo agora,
Pelos bens de toda hora,
Muito obrigado, Senhor!...

Pelo Sol que envolve o mundo
Pelo chão vivo e fecundo,
Pela fonte, pela flor,
Por toda a amplidão que vejo
Do trabalho benfazejo,
Muito obrigado, Senhor!

Pela fé que me descansa
No regaço da esperança,
Pelas promessas do amor,
Pelo caminho risonho
Do ideal a que me exponho,
Muito obrigado, Senhor!...

Por todas as alegrias,
Ante as bênçãos que me envias
Do Plano Superior,
Pelos problemas e provas
Da senda em que me renovas,
Muito obrigado, Senhor!...


Autor: Maria Dolores

terça-feira, 15 de março de 2016

Nunca Esmoreça

Nunca esmoreças.
Trabalho aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor...

Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Autor: Maria Dolores

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Amor e Fé

Quando te vejas, coração amigo,
Sob o clima violento
Das crises de tristeza e sofrimento
Não te deixes vencer...

Nos momentos de sombra ou de perigo
Mantém-te na esperança em que te elevas,
Cada noite, conquanto envolta em trevas,
É o prelúdio de novo amanhecer.

Procura meditar e ver mais longe
O apoio natural em que te escudas
É tecido no amor de forças mudas,
Desde os astros ao chão...

A Terra não discute, o Sol não fala
Nada te pede à vida a floresta opulenta
E a riqueza do ar que te alimenta
Dá-se, de todo, sem reclamação.

A flor que te perfuma é silêncio e beleza;
A fonte não opina, apenas canta;
Não tem forma verbal a força agreste e santa
Que assimilas do mar;

As bênçãos que te cercam, dia-a-dia,
Proteção, segurança, alegria e defesa
Nascem da Natureza,
Fonte viva de Amor que não cessa de amar.

Trabalha, regozija-te e perdoa,
Ampara sem cobrança e auxilia a qualquer,
"Não saiba a mão esquerda o que a direita der,"
Esta é a lição de Cristo, ante crentes e ateus.

Não temas caminhar, serve e prossegue...
Resguarda-te na fé alta e sublime,
Segue fazendo o bem, nada te desanime,
Porque trazes contigo a Presença de Deus.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Recado da Esperança

Nas provações que te surjam,
Ergue a fronte e segue à frente,
Aceita, firme e contente,
O caminho tal qual é...
De pensamento tranquilo,
Não pares. Segue e não temas,
Sem crises e sem problemas
Ninguém sabe se tem fé.

Contratempo, desencanto,
Infortúnio, prejuízo,
Tribulações de improviso,
Dificuldades no lar...
Tudo isso se resume
Na escola que nos ensina
A entender a Lei Divina
Que nos impele a marchar.

Esquece os males do mundo,
Mesmo os mais rudes e amargos,
Abraço os próprios encargos
Por íntimos cireneus;
Onde estiveres, relembra
Que o mérito vem da prova,
Que o sofrimento renova
E a dor é bênção de Deus.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Bendita Sejas

Bendita sejas; mão piedosa e pura,
Em cujos doces dedos, de mansinho,
A caridade tece o brando arminho
Com que afagas miséria e desventura.

Estrela fulgurante em noite escura,
És a consolação, a paz e o ninho
Dos aflitos, que choram no caminho,
Sob as chagas da sombra e da amargura...

Mão que repartes luz, pão e agasalho,
Coroada na glória do trabalho,
A refulgir em todas as igrejas!...

Por toda a gratidão que te abençoa,
Mão que ajudas, contente, humilde e boa,
Deus te guarde, feliz! Bendita sejas!...


Autor: Auta de Souza

sábado, 16 de janeiro de 2016

Ama e Espera

Emudece o teu pranto. Cala o grito
De revolta na dor que te encarcera,
Por mais negra, mais rude, mais sincera,
A mágoa estranha de teu peito aflito.

Em toda a Terra há lagrimas e conflito,
Ruínas do mundo que se desespera...
Ama e sofre, trabalha e persevera
Na esperança de paz e de infinito.

Peregrino do campo atormentado,
Rompe os elos e as trevas do passado,
Fita a luz do porvir resplandecente.

Muito além do terrível sorvedouro,
Nas estradas liriais de acanto e louro,
O sol do amor refulge eternamente.


Autor: Cruz e Souza

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Natal e Jesus

Maldade, escravidão, guerra, ódio, vingança:
Eis o mundo anterior ao Século Primeiro !...
Nasce Jesus nos panos de um celeiro
E alastra-se na Terra um clarão de esperança.

Jesus cresce tranquilo e se faz mensageiro
De consolo e de Paz, de Amor e Segurança,
Tudo é Luz e Bondade, Reconforto e Mudança,
Começa, enfim, a abolição do cativeiro...

Mais tarde, ei-LO maior, o Homem Justo e Perfeito,
Ensina o Rumo Certo, o Perdão e o Direito,
Sofre perseguições, vence a cruz desolada...

E o Sol que O viu nascer, brilhando em ondas de ouro,
Contemplará Jesus, no milênio vindouro,
Abençoando a Terra, em nova madrugada.


Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A Enfermeira do Além

Ela, a querida irmã desencarnada,
Fizera-se enfermeira,
Aliviava a dor, de estrada à estrada,
Era uma espécie de bondade inteira,
Socorrendo aos irmãos que a morte
Espalhava nas trevas...

Há trinta anos servia,
Sem escolher lugar, trabalho ou dias.
Naquele imenso mar de sombra, o tempo parecia,
Uma chaga mental sem esperança
De melhorar ou desaparecer...

Certa feita, contudo, a grande obreira alcança,
Uma estranha mulher, deitada numa furna;
Embora não tivesse a morada carnal,
Estava cega e só, deformada e ferida,
Patenteando a dor que lhe marcara a vida.

Ao ouvi-la gemer,
A irmã dos infelizes,
Pões-se, em campo, a cumprir,
O que considerava por dever.

Impressionada, ao vê-la de mais perto,
A missionária, indaga, a peito aberto:
- irmã, ouço-te o choro, há muitas horas,
Por que tens tanto fel nas lágrimas que choras?

A pobre murmurou, pausadamente:
- Ai de mim! O que sou e de onde venho?
A memória não dá para lembrar...
Sei mostrar simplesmente as misérias que eu tenho...

Há muitos anos, quantos já nem sei,
Fui menina feliz num grande lar...
Recordo muito mais as dores que causei...
Minha mãe me queria
Para exaltar a natureza,
Num misto de elegância e de beleza,
E falava que eu era uma rosa entre as rosas,
Fosse para enfeitar as festas deleitosas
Ou estender no mundo o aroma da alegria...

Minhas aspirações caíram, uma a uma,
Minha mãe não me quis em profissão alguma,
Vestia-me, orgulhosa, o corpo esbelto e fino,
Dizia que brilhar traçava-me o destino...

Casei-me, tive um filho e, depois de dez anos,
Troquei meu lar feliz por prazeres mundanos,
Meu esposo rogava o meu regresso em vão.
Meu filho fez-se logo um belo rapagão,
Vendo-me as aventuras, certo dia,
Ele, menino e moço, veio visitar-me,
Condenou-me os costumes sem alarme,
Falou e lamentou-se em voz severa,
De conhecer por mãe a mulher má que eu era...

De cabeça alterada em cocaína,
Revoltei-me, ataquei-o... Atrás de uma cortina
Apanhei um revolver no meu quarto,
Voltei à sala e apertei o gatilho,
Num tiro certo, assassinei meu filho!...
Depois de vê-lo morto, junto a mim,
Voltei a arma contra o próprio peito
E matei-me por fim!...

Em seguida, a pausa demorada,
Contou a própria vida e deu o próprio nome...
Na pavorosa mágoa que a consome
A mulher prosseguia, consternada:
- Nunca mais vi ninguém das pessoas que amei
Para mim, tudo é noite e a noite me carrega
Porque vivo sozinha, triste e cega
Decerto obedecendo alguma lei
Que não sei compreender nem explicar...

A enfermeira caiu em pranto ardente
E indagou da mulher, amargamente:
- E se encontrasses neste mar de trevas
Nos furacões de dor a que te levas
A mãe que te entregou à rebeldia,
Teu coração que chora a perdoaria?

- Nada tenho a perdoar –
Disse a pobre atada ao sofrimento –
Minha mãe era um anjo em forma de mulher,
Jamais a esquecerei, um momento sequer,
Ela vivia, em tudo, a trabalhar por mim
Não teve qualquer culpa de meu fim...

Se só me fez o bem, fui eu quem fiz o mal...
Do amor que ela me deu
Fiz todo um lamaçal...
Ninguém pode encontrar motivos de censura
No carinho de alguma criatura
Que nos dê uma lâmpada sublime,
Se lhe usarmos a luz para fazer um crime...

A enfermeira abraçou-a a encharcar-se de pranto
E quando a jovem triste e atormentada
Perguntou-lhe entre aflita e altamente intrigada,
Por que razão ela chorava tanto,
A benfeitora apenas respondeu:
- Deus louvado!... Encontrei o que procuro,
Venceremos na Terra do futuro,
Filha do coração, a tua mãe sou eu!...

Maria Dolores

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Lição da Cancela

Enquanto brincava Alberto
Junto aos bancos do portal,
O touro bravio e forte
Avançou para o quintal.

O pequeno quis correr
Tentando defesa incerta,
Mas o touro atravessara
A grande cancela aberta.

Canteiros e vasos lindos,
Floridos e bem cuidados,
No curso de alguns momentos
Jaziam espatifados.

Alberto não resistiu
Ver a sanha do animal.
E, em pranto de desespero,
Busca a saia maternal.

Dona Gertrudes, porém,
Que via, aflita, o jardim,
Num gesto de proteção
Toma o filho e diz-lhe assim:

Vês, Alberto, as nossas flores,
Tombando, desprotegidas?
Sob os olhos, temos hoje
O quadro de nossas vidas.

Recorda; filho, que o touro,
Em força desesperada,
Penetrou-nos o jardim
Pela porta descuidada.

Notaste, neste desastre,
A lição que é forte e bela?
O touro nunca entraria
Se guardasses a cancela.

E, ao passo que o pequenino,
Ouviu com atenção,
A mãezinha concluía
A doce observação.

Quem deseje conservar
As luzes do sentimento
Necessita resguardar
A porta do pensamento.

Em nossa estrada, meu filho...
Há monstros destruidores...
Defendamos a cancela
Que protege nossas flores.


Autor: João de Deus

domingo, 1 de novembro de 2015

A Grande Vitória

Reacendem-se os fogos da batalha.
Chora de angústia o mundo miserando,
Caim passa, de novo, dominando,
A civilização que se estraçalha...

As bastardas paixões gritam em bando,
Misturando-se no coro da metralha,
Tudo pavor e morte, sem que valha,
A voz da fé no vórtice nefando.

Sobre as filosofias dos compêndios.
Há misérias, canhões, trevas, incêndios,
Desventuras que o homem não socorre!

Mas o Cristo, que nunca desespera,
Ama sempre e elabora a nova era
Na vitória do bem que nunca morre.


Autor: Augusto dos Anjos

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ante o Porvir

Homem, viajor da Luz, do cimo a que te elevas,
Contempla à retaguarda o passado profundo,
Os primórdios da vida e a gênese do Mundo,
Ao hálito dos Céus nas formações longevas.

Fita o flâmeo vulcão de que te sobrelevas,
O mar, a selva, a aldeia e o trabalho fecundo,
Da Civilização, de segundo a segundo,
Que arrancaste com Deus às entranhas das trevas!...

Depois, segue fugindo à guerra que te enliça
Às tragédias do ódio e às garras da injustiça,
Sublimando a razão, na faina de esquecê-las!...

E conquistando a paz, ao brilho do futuro,
Descobrirás, um dia, o Reino do Amor Puro,
Da escuridão do charco ao fulgor das estrelas!...


Autor: Cyro Costa

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Anseio e Prece

Senhor!... Sei que nos deste a todos,
Um encargo ou missão.
Nada promoves sem objetivo,
Nada fazes em vão.

À estrela conferiste
A benção de aguentar-se e refulgir sem véu,
Tal qual sucede ao Sol que nos conduz
Pelas vias do Céu.

Atribuíste à Terra
A função de compor e recompor
A forma em que o trabalho nos confere
A ciência do amor.

Colocaste no mar a investidura imensa
De externar-te o poder
E a fonte o privilégio de ensinar-nos
A humildade por norma e o perdão por dever.

Comissionaste as árvores amigas,
Em que a lição do bem se exprime e se condensa,
Para a tarefa de guardar-te a vida
E auxiliar sem recompensa.

Doaste à flor o dom de perfumar
E puseste na estrada o dom de conduzir,
Deste música às aves, deste ao vento
O doce ministério de servir.

Tudo te filtra a glória soberana,
Tudo te exalta a Lei,
Em razão disso, eu própria reconheço,
Que quase nada sou e quase nada sei

Mas se posso pedir-te alguma coisa,
Converte-me, Senhor, a própria imperfeição,
Num canal pequenino que te mostre
A força da bondade e a luz da compaixão.


Autora: Maria Dolores