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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Cantando Agradecemos

Deus te abençoe, alma fraterna
Pela presença amiga
Com que honras a festa da bondade
No recinto de luz que nos abriga!...
Certamente, deixaste à retaguarda
Deveres que transportas na lembrança,
Mas, mesmo assim, trouxeste o teu concurso
Aos que choram nas filas da esperança...

Deus te abençoe a inteligência
Com que enfeitaste de harmonia,
Arte, renovação, cor e beleza
Esta noite de paz e de alegria,
Talvez sentindo o coração magoado,
Pelas tribulações do mundo desatento,
Sem, no entanto, esquecer os irmãos que vagueiam,
Entre a necessidade e o sofrimento.

Deus te abençoe a frase generosa
Com que extingues o mal, onde o mal se levante,
Para que a chama da beneficência
Possa seguir adiante...
Varando incompreensões,
Tudo sabe transpor,
Emoldurando as pedras da jornada
Com pétalas de amor.

Deus te abençoe, alma da caridade,
Que buscas, por prazer,
Mostrar que qualquer dor lembra a noite que passa
E o bem, onde aparece, é sempre o amanhecer!...
Segue e não temas!...Ama, crê e auxilia
Que prova alguma te atordoe...
Por toda a luz que espalhas, dia-a-dia,
Deus te guarde e abençoe.


Maria Dolores

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Campanha da Benção

A campanha continua:
A caridade em trabalho,
O pão, o teto, o agasalho
E a frase de luz a expor...
Os Mensageiros da Bênção
Retornam do Céu em bando,
A cada um convidando
Para a seara do amor.

Em nossos campos de ação,
Nos mais estranhos caminhos,
Ciladas, pedras e espinhos
São entraves como são...
Vem às tarefas do auxílio,
Qualquer peça de consumo
Serve aos que avançam sem rumo
Calcando as urzes do chão.

Em outras faixas de vida,
Eis que a treva se condensa
Nos enganos da descrença
Que só desditas produz;
Fala o verbo que alimente
O amor que jamais se cansa.
Planta consolo e esperança,
Espalha bondade e luz.

Olvida nódoas e chagas,
Se a provação te aguilhoa,
Trabalha, serve e perdoa,
Guarda a fé que te mantém.
Se algo te fere, silêncio!...
Deixa o mal na sombra externa,
Deus sabe como governa
A força viva do Bem.


Autora: Maria Dolores

domingo, 31 de julho de 2016

Caminho da Elevação

Se aspirar a servir, alma querida,
Não deixes de aprender, ante as lições da vida.

Lenha para expulsar o frio que há lá fora,
Converte-se na chama que a devora.

Ouro para vencer em prestígio e valor,
Sofre a depuração, sublimado em calor.

Para chegar de longe, e atender-nos, de todo,
Muita fonte atravessa imensidões de lodo.

Tronco para formar refúgio organizado,
Padece a intromissão da serra e do machado.

Se procuras também, a benção de elevar-te,
Esquece-te amparando o mundo em qualquer parte.

Quem procure por Deus aceite por dever
Trabalhar e servir, suportar e esquecer.


Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Berço e Mãe

Prosseguindo, Senhor, nos teus caminhos,
Em que a tua bondade nos conduz,
Deixa-me agradecer-te o berço generoso
Que me cedeste, um dia, ao anseio de luz.

Esse é o brinde mais belo que conservo
Nos meus ricos tesouros da lembrança,
Porquanto foi no mundo, Amado Amigo,
Que te encontrei o amparo sem mudança.

Em criança de colo, ante uma tela antiga,
Pela fé, minha mãe, me pedia te olhar:
"Fala, filha, quem é?...e eu dizia "Jesus!..."
E nunca me esqueci dessa benção do lar.

Depois, saí à luta, ao trabalho da escola,
A vida era lição, de instante para instante,
Mas foste sempre em mim, por toda parte,
O invisível pastor e o socorro incessante.

Senhor, tu que venceste o tempo e a morte,
Segues hoje conosco, dia-a-dia,
E te fazes clarão, hora por hora,
Nutrindo-nos no peito a força que nos guia.

É por isso, Jesus, que te relembro,
A fim de agradecer-te, estejas onde estejas,
Repetindo a cantar, na pauta da esperança:
"Sê bendito, Senhor!...Louvado sejas!..."


Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Benção do Céu

Conta uma lenda antiga que o Senhor
Veio à Terra formada, certo dia...
Com tamanhos recursos a dispor,
O Planeta sentia
Necessidade de instrução e amor.

Espíritos humanos, aos milhares,
Vagueavam sonâmbulos no solo;
E embora sob a luz dos gênios tutelares,
Do campo imenso ao íntimo dos mares
Viviam em distúrbio, pólo a pólo.

Falta a ordem para os elementos,
Mas o Senhor agindo com presteza,
Fez a organização da Natureza,
A envolver toda a Terra na grandeza
Dos seus altos e sábios pensamentos.

Coube ao Sol a missão de sustentar a vida,
Atravessando alturas sem vencê-las;
E, para refazer cada existência em lida,
A noite recebeu a paz indefinida,
Asserenando o mundo ao clarão das estrelas.

Foi entregue o limite às linhas do horizonte,
As árvores florindo em campo aberto
Deram-se à produção de valores em monte;
Depois, encarregou-se a bondade da fonte
De fecundar o chão e amparar o deserto.

A ovelha improvisou os fios do agasalho,
Reclamou-se da abelha o favo suculento,
Inventou-se a bigorna para o malho,
Tudo era disciplina, harmonia e trabalho
Que o Senhor dirigia calmo e atento.

Mas os seres dotados de razão
Espalharam-se em grupos sobre a Terra...
Inteligências sob o orgulho vão,
Separaram-se em muros de ambição
E criaram a dor, a violência e a guerra.

Vendo o ódio crescer, de segundo a segundo,
O Senhor os guiou à experiência nova;
Deu-lhes doce prisão em corpos sobre o mundo,
Para terem, por si, a paz do amor profundo
Pelas tribulações e lágrimas da prova.

Notando-lhes, porém, as blasfêmias e os brados
De sofrimento e desesperação,
Viu que na condição de seres encarnados,
Quase todos espíritos culpados,
Exigiam carinho e proteção.

Quem seria capaz de tamanha bravura?
Doar-se sem pedir? Amparar sem prender?
Quem seria, afinal? Onde a criatura,
Cuja afeição se erguesse, até mesmo à loucura,
Achando a luz no caos, a sorrir e a sofrer?

O Senhor meditou, meditou... Em seguida,
Separou certa jovem dentre os réus,
Revestiu-a do amor sem sombra e sem medida...
A primeira mulher se fez mãe para a vida
E o homem se acalmou ante a bênção do Céu.


Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ausência e Fé

Alma fraterna, um dia meditando
Na imensidão do amor, assim qual é,
Interroguei, no mundo, as vidas simples
De que modo aliar distância e fé.

Por que meios guarda a confiança
Quando o amargo da ausência nos invade?
Quando a falta dos entes mais queridos
É suplício com o nome de saudade?

Ouvi uma andorinha
Que se encontrava anônima e sozinha,
Sob antigo telhado:
"Veja, irmã, o meu ninho desprezado!..."

Disse-me sem revolta e sem tristeza.
“Tive filhos que amei com desvelo e ternura,
Entretanto, segundo a Natureza,
Quando se viram emplumados,

Procuraram altura,
Desenvoltos, felizes, fascinados
Ante o Infinito Azul que os atraía...
A princípio, sofri terrível agonia...

Depois, vim a saber
Que Deus, de quem vieram para mim,
O Pai de Imenso Amor e Compaixão sem fim,
Que pode avaliar a minha longa espera,

É quem me fará vê-los,
Para cercá-los com meus zelos
No brilho de futura primavera!...”

Entrevistei robusta laranjeira;
Ela clamou serena e conformada:
"Irmã, tenho lutado a vida inteira
E estou sempre ferida e despojada...

Sabe o Céu com que amor gero os meus frutos,
No entanto, a todos vejo arrebatados,
Sob torções cruéis e, a gestos brutos,
Para serem vendidos nos mercados.

Mas sei que Deus, nosso Pai, que nos ama e nos fez,
Quem conserva o pomar por troféu da lavoura,
Devolverá meus frutos, outra vez,
Na colheita vindoura..."

Busquei ouvir formoso jasmineiro.
Ele falou-me apenas: "Minhas flores
São taladas sem meu consentimento
Por criaturas de instintos inferiores

Que nada sabem de meu sofrimento...
Uma certeza única, no entanto,
Resguarda as forças de que me levanto:
Deus, o Criador das Matas e Jardins
Dar-me-á novamente jasmins..."

Fui ver um manancial, a fim de ouvi-lo...
Ele aclarou tranquilo:
"As fontes que me trocaram pelo chão
São filhas de meu próprio coração!...

Dói-me notar que correm sobre a lama,
Auxiliando ao solo que as reclama...
A fé, porém, me anima e me acalenta...

Em abordando o Mar,
O belo e imenso Mar que Deus sustenta,
Tornarão a voltar,
Primeiramente em forma de vapor,

Subindo ao firmamento...
No Alto, serão nuvens contemplando
As minhas grandes mágoas
E voltarão a mim, entre chuvas em bando,
De novo enriquecendo as minhas próprias águas.."

Reconheci, então, alma querida,
Que a saudade é esperança em nova vida,
Para o reencontro daqueles que nos são
Tesouros de alegria e de afeição,

A esperarem por nós no Mais Além...
Porque Deus que de amor nos fez o coração
Nunca nos deixa em solidão
Nem separa ninguém.


Autora Maria Dolores

terça-feira, 31 de maio de 2016

Ante o Próximo

Ao coração da vida

E o coração da vida obedecendo a Lei

Respondeu com voz clara e decidida:

Olha em redor de ti, onde o dever te leve

Do espaço livre e amplo à senda estreita e breve.


Fita em teu próprio lar:

É teu pai, tua mãe, teu irmão, teu parente,

E mais alguém do Grupo familiar,

É o vizinho piedoso e intransigente,

É o mendigo a esmolar que te visita a porta,

O amigo suscetível de amparar-te

É aquele que padece


Privação ou problema em qualquer parte.

É aquele que te esquece

E o outro que te humilha,

A esconder-se no outro em que se alteia e brilha

Para depois cair quando se desilude.


É aquele que se faz bandeira da virtude,

E o outro que te apoia ou te faz concessões.

É aquele que te furta o lugar e o direito

Alimentando a sombra do despeito

Sem que te saiba ver as intenções.


É a mulher que te guia para o bem

E a outra que atravessa as áreas de ninguém

Avinagrando corações...


O próximo, afinal, seja onde for,

Será sempre a criatura

Que te busca onde estás

Procurando por ti o socorro da paz,

Rogando-te bondade, amparo e compreensão

Amizade e calor


Dando-te o nobre ensejo,

De seguir para a luz na presença do amor.

E posso sem o próximo viver? - perguntei comovida

E disse novamente o coração da vida:


Acende sem cessar a luz do Bem,

Trabalha, serve, crê, chora, sofre e auxilia...

Sem o próximo em tua companhia

Nunca será alguém.


Maria Dolores

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Alimento e Vida

Disse Jesus na Terra; "Eu sou o pão da vida".
E ansiando seguir os passos do Senhor,
Quis ser, de minha parte, a migalha sem nome
De algo que alimentasse a estranha fome
Dos que morrem no mundo à carência de amor.

Indaguei do mentor que me assistia,
Quanto à ideia de que me via presa
E ele apenas me disse: "Se procuras
Nutrir o coração das criaturas,
Ouve as informações da Natureza".

Interroguei a Terra e a Terra falou calma;
"Para a manutenção dos seres que acalanto
Preciso tolerar enxadas e tratores
E abrir-me em golpes dilaceradores
Sem que ninguém me veja o sofrimento ".

Velho tronco explicou-me; "Vivo ao tempo,
Trabalhando sem perda de minutos,
Renovo o ar, produzo fartamente,
Mas padeço agressões de muita gente,
Sem que eu possa contar meus próprios frutos".

Entrevistando o Trigo, ei-lo a dizer-me:
- "Devo entregar-me sem explicação
Á mó que me constringe e me tritura,
Fazendo-me farinha clara e pura,
Que assegure na mesa o júbilo do pão".

Em tudo achei no alento para a vida
O extremo sacrifício em constante processo,
Plantas gemendo em todos os instantes
E óleo a queimar-me em máquinas gigantes,
Sustentando a energia do progresso.

Reconheci então ser preciso esquecer-me,
Apagar-me ao servir, alegrar-me na dor,
Aprender humildade, aparar sem barulho
E despojar-me, enfim, de todo o humano orgulho
Para ser luz e paz, auxílio e amor.


Maria Dolores

sábado, 30 de abril de 2016

Na Grande Escola

Por vezes, alma querida,
Recolhes-te, ao desalento,
Como quem traz fogo lento no imo do coração...
Não te detenhas, no entanto, trabalha, medita e escuta:

Não há vitória sem luta
Nas sendas de elevação.
Na grande escola da vida,
De quanto anoto e conheço,
Toda alegria tem preço, seja na Terra ou no Além;

Ama e crê, serve e perdoa, a dor que te desafia é benção de cada dia,
Degrau de ascensão ao bem.
Não te lastimes.
Trabalha.
Fita o próprio mundo em torno, o trigo morre no forno para ser pão a servir;

A argila desaparece, sob tensão desumana, fazendo-se porcelana,
Enriquecendo o porvir.
Assim também, tempo afora, ajuda, apoia, esclarece, acende a chama da prece,
E segue à frente, alma irmã! ...

Por mais triste seja a noite, que te envolve a caminhada, nas luzes da madrugada,
O dia volta amanhã.

Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Anotação em Caminho

Sob os riscos da jornada
Na vereda transformada
Em sombra pedindo luz,
Recorda que, em tuas mãos,
No amparo aos próprios irmãos,
Brilha o ideal de Jesus.

Age, auxilia, perdoa...
Na essência, em toda pessoa,
O Amor plantado produz:
Essa semente divina,
Se cultivada germina
Para servir com Jesus.

Dores, mágoas, desenganos...
São instrumentos humanos
Formando as bênçãos da cruz
De vida, esperança e paz,
Pela qual encontrarás
A redenção com Jesus.

Coração; não vais sozinho,
Entre as pedras do caminho,
A que o serviço faz jus;
No trabalho e no perigo,
Guarda esta nota contigo:
- O companheiro é Jesus.


Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ação de Graças

No tempo que se desdobra,
Sem um minuto de sobra
No dia a se recompor,
Entendendo o tempo agora,
Pelos bens de toda hora,
Muito obrigado, Senhor!...

Pelo Sol que envolve o mundo
Pelo chão vivo e fecundo,
Pela fonte, pela flor,
Por toda a amplidão que vejo
Do trabalho benfazejo,
Muito obrigado, Senhor!

Pela fé que me descansa
No regaço da esperança,
Pelas promessas do amor,
Pelo caminho risonho
Do ideal a que me exponho,
Muito obrigado, Senhor!...

Por todas as alegrias,
Ante as bênçãos que me envias
Do Plano Superior,
Pelos problemas e provas
Da senda em que me renovas,
Muito obrigado, Senhor!...


Autor: Maria Dolores

terça-feira, 15 de março de 2016

Nunca Esmoreça

Nunca esmoreças.
Trabalho aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor...

Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Autor: Maria Dolores

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Amor e Fé

Quando te vejas, coração amigo,
Sob o clima violento
Das crises de tristeza e sofrimento
Não te deixes vencer...

Nos momentos de sombra ou de perigo
Mantém-te na esperança em que te elevas,
Cada noite, conquanto envolta em trevas,
É o prelúdio de novo amanhecer.

Procura meditar e ver mais longe
O apoio natural em que te escudas
É tecido no amor de forças mudas,
Desde os astros ao chão...

A Terra não discute, o Sol não fala
Nada te pede à vida a floresta opulenta
E a riqueza do ar que te alimenta
Dá-se, de todo, sem reclamação.

A flor que te perfuma é silêncio e beleza;
A fonte não opina, apenas canta;
Não tem forma verbal a força agreste e santa
Que assimilas do mar;

As bênçãos que te cercam, dia-a-dia,
Proteção, segurança, alegria e defesa
Nascem da Natureza,
Fonte viva de Amor que não cessa de amar.

Trabalha, regozija-te e perdoa,
Ampara sem cobrança e auxilia a qualquer,
"Não saiba a mão esquerda o que a direita der,"
Esta é a lição de Cristo, ante crentes e ateus.

Não temas caminhar, serve e prossegue...
Resguarda-te na fé alta e sublime,
Segue fazendo o bem, nada te desanime,
Porque trazes contigo a Presença de Deus.


Autor: Maria Dolores