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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Berço e Mãe

Prosseguindo, Senhor, nos teus caminhos,
Em que a tua bondade nos conduz,
Deixa-me agradecer-te o berço generoso
Que me cedeste, um dia, ao anseio de luz.

Esse é o brinde mais belo que conservo
Nos meus ricos tesouros da lembrança,
Porquanto foi no mundo, Amado Amigo,
Que te encontrei o amparo sem mudança.

Em criança de colo, ante uma tela antiga,
Pela fé, minha mãe, me pedia te olhar:
"Fala, filha, quem é?...e eu dizia "Jesus!..."
E nunca me esqueci dessa benção do lar.

Depois, saí à luta, ao trabalho da escola,
A vida era lição, de instante para instante,
Mas foste sempre em mim, por toda parte,
O invisível pastor e o socorro incessante.

Senhor, tu que venceste o tempo e a morte,
Segues hoje conosco, dia-a-dia,
E te fazes clarão, hora por hora,
Nutrindo-nos no peito a força que nos guia.

É por isso, Jesus, que te relembro,
A fim de agradecer-te, estejas onde estejas,
Repetindo a cantar, na pauta da esperança:
"Sê bendito, Senhor!...Louvado sejas!..."


Autora: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Benção do Céu

Conta uma lenda antiga que o Senhor
Veio à Terra formada, certo dia...
Com tamanhos recursos a dispor,
O Planeta sentia
Necessidade de instrução e amor.

Espíritos humanos, aos milhares,
Vagueavam sonâmbulos no solo;
E embora sob a luz dos gênios tutelares,
Do campo imenso ao íntimo dos mares
Viviam em distúrbio, pólo a pólo.

Falta a ordem para os elementos,
Mas o Senhor agindo com presteza,
Fez a organização da Natureza,
A envolver toda a Terra na grandeza
Dos seus altos e sábios pensamentos.

Coube ao Sol a missão de sustentar a vida,
Atravessando alturas sem vencê-las;
E, para refazer cada existência em lida,
A noite recebeu a paz indefinida,
Asserenando o mundo ao clarão das estrelas.

Foi entregue o limite às linhas do horizonte,
As árvores florindo em campo aberto
Deram-se à produção de valores em monte;
Depois, encarregou-se a bondade da fonte
De fecundar o chão e amparar o deserto.

A ovelha improvisou os fios do agasalho,
Reclamou-se da abelha o favo suculento,
Inventou-se a bigorna para o malho,
Tudo era disciplina, harmonia e trabalho
Que o Senhor dirigia calmo e atento.

Mas os seres dotados de razão
Espalharam-se em grupos sobre a Terra...
Inteligências sob o orgulho vão,
Separaram-se em muros de ambição
E criaram a dor, a violência e a guerra.

Vendo o ódio crescer, de segundo a segundo,
O Senhor os guiou à experiência nova;
Deu-lhes doce prisão em corpos sobre o mundo,
Para terem, por si, a paz do amor profundo
Pelas tribulações e lágrimas da prova.

Notando-lhes, porém, as blasfêmias e os brados
De sofrimento e desesperação,
Viu que na condição de seres encarnados,
Quase todos espíritos culpados,
Exigiam carinho e proteção.

Quem seria capaz de tamanha bravura?
Doar-se sem pedir? Amparar sem prender?
Quem seria, afinal? Onde a criatura,
Cuja afeição se erguesse, até mesmo à loucura,
Achando a luz no caos, a sorrir e a sofrer?

O Senhor meditou, meditou... Em seguida,
Separou certa jovem dentre os réus,
Revestiu-a do amor sem sombra e sem medida...
A primeira mulher se fez mãe para a vida
E o homem se acalmou ante a bênção do Céu.


Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ausência e Fé

Alma fraterna, um dia meditando
Na imensidão do amor, assim qual é,
Interroguei, no mundo, as vidas simples
De que modo aliar distância e fé.

Por que meios guarda a confiança
Quando o amargo da ausência nos invade?
Quando a falta dos entes mais queridos
É suplício com o nome de saudade?

Ouvi uma andorinha
Que se encontrava anônima e sozinha,
Sob antigo telhado:
"Veja, irmã, o meu ninho desprezado!..."

Disse-me sem revolta e sem tristeza.
“Tive filhos que amei com desvelo e ternura,
Entretanto, segundo a Natureza,
Quando se viram emplumados,

Procuraram altura,
Desenvoltos, felizes, fascinados
Ante o Infinito Azul que os atraía...
A princípio, sofri terrível agonia...

Depois, vim a saber
Que Deus, de quem vieram para mim,
O Pai de Imenso Amor e Compaixão sem fim,
Que pode avaliar a minha longa espera,

É quem me fará vê-los,
Para cercá-los com meus zelos
No brilho de futura primavera!...”

Entrevistei robusta laranjeira;
Ela clamou serena e conformada:
"Irmã, tenho lutado a vida inteira
E estou sempre ferida e despojada...

Sabe o Céu com que amor gero os meus frutos,
No entanto, a todos vejo arrebatados,
Sob torções cruéis e, a gestos brutos,
Para serem vendidos nos mercados.

Mas sei que Deus, nosso Pai, que nos ama e nos fez,
Quem conserva o pomar por troféu da lavoura,
Devolverá meus frutos, outra vez,
Na colheita vindoura..."

Busquei ouvir formoso jasmineiro.
Ele falou-me apenas: "Minhas flores
São taladas sem meu consentimento
Por criaturas de instintos inferiores

Que nada sabem de meu sofrimento...
Uma certeza única, no entanto,
Resguarda as forças de que me levanto:
Deus, o Criador das Matas e Jardins
Dar-me-á novamente jasmins..."

Fui ver um manancial, a fim de ouvi-lo...
Ele aclarou tranquilo:
"As fontes que me trocaram pelo chão
São filhas de meu próprio coração!...

Dói-me notar que correm sobre a lama,
Auxiliando ao solo que as reclama...
A fé, porém, me anima e me acalenta...

Em abordando o Mar,
O belo e imenso Mar que Deus sustenta,
Tornarão a voltar,
Primeiramente em forma de vapor,

Subindo ao firmamento...
No Alto, serão nuvens contemplando
As minhas grandes mágoas
E voltarão a mim, entre chuvas em bando,
De novo enriquecendo as minhas próprias águas.."

Reconheci, então, alma querida,
Que a saudade é esperança em nova vida,
Para o reencontro daqueles que nos são
Tesouros de alegria e de afeição,

A esperarem por nós no Mais Além...
Porque Deus que de amor nos fez o coração
Nunca nos deixa em solidão
Nem separa ninguém.


Autora Maria Dolores

terça-feira, 31 de maio de 2016

Ante o Próximo

Ao coração da vida

E o coração da vida obedecendo a Lei

Respondeu com voz clara e decidida:

Olha em redor de ti, onde o dever te leve

Do espaço livre e amplo à senda estreita e breve.


Fita em teu próprio lar:

É teu pai, tua mãe, teu irmão, teu parente,

E mais alguém do Grupo familiar,

É o vizinho piedoso e intransigente,

É o mendigo a esmolar que te visita a porta,

O amigo suscetível de amparar-te

É aquele que padece


Privação ou problema em qualquer parte.

É aquele que te esquece

E o outro que te humilha,

A esconder-se no outro em que se alteia e brilha

Para depois cair quando se desilude.


É aquele que se faz bandeira da virtude,

E o outro que te apoia ou te faz concessões.

É aquele que te furta o lugar e o direito

Alimentando a sombra do despeito

Sem que te saiba ver as intenções.


É a mulher que te guia para o bem

E a outra que atravessa as áreas de ninguém

Avinagrando corações...


O próximo, afinal, seja onde for,

Será sempre a criatura

Que te busca onde estás

Procurando por ti o socorro da paz,

Rogando-te bondade, amparo e compreensão

Amizade e calor


Dando-te o nobre ensejo,

De seguir para a luz na presença do amor.

E posso sem o próximo viver? - perguntei comovida

E disse novamente o coração da vida:


Acende sem cessar a luz do Bem,

Trabalha, serve, crê, chora, sofre e auxilia...

Sem o próximo em tua companhia

Nunca será alguém.


Maria Dolores

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Alimento e Vida

Disse Jesus na Terra; "Eu sou o pão da vida".
E ansiando seguir os passos do Senhor,
Quis ser, de minha parte, a migalha sem nome
De algo que alimentasse a estranha fome
Dos que morrem no mundo à carência de amor.

Indaguei do mentor que me assistia,
Quanto à ideia de que me via presa
E ele apenas me disse: "Se procuras
Nutrir o coração das criaturas,
Ouve as informações da Natureza".

Interroguei a Terra e a Terra falou calma;
"Para a manutenção dos seres que acalanto
Preciso tolerar enxadas e tratores
E abrir-me em golpes dilaceradores
Sem que ninguém me veja o sofrimento ".

Velho tronco explicou-me; "Vivo ao tempo,
Trabalhando sem perda de minutos,
Renovo o ar, produzo fartamente,
Mas padeço agressões de muita gente,
Sem que eu possa contar meus próprios frutos".

Entrevistando o Trigo, ei-lo a dizer-me:
- "Devo entregar-me sem explicação
Á mó que me constringe e me tritura,
Fazendo-me farinha clara e pura,
Que assegure na mesa o júbilo do pão".

Em tudo achei no alento para a vida
O extremo sacrifício em constante processo,
Plantas gemendo em todos os instantes
E óleo a queimar-me em máquinas gigantes,
Sustentando a energia do progresso.

Reconheci então ser preciso esquecer-me,
Apagar-me ao servir, alegrar-me na dor,
Aprender humildade, aparar sem barulho
E despojar-me, enfim, de todo o humano orgulho
Para ser luz e paz, auxílio e amor.


Maria Dolores

sábado, 30 de abril de 2016

Na Grande Escola

Por vezes, alma querida,
Recolhes-te, ao desalento,
Como quem traz fogo lento no imo do coração...
Não te detenhas, no entanto, trabalha, medita e escuta:

Não há vitória sem luta
Nas sendas de elevação.
Na grande escola da vida,
De quanto anoto e conheço,
Toda alegria tem preço, seja na Terra ou no Além;

Ama e crê, serve e perdoa, a dor que te desafia é benção de cada dia,
Degrau de ascensão ao bem.
Não te lastimes.
Trabalha.
Fita o próprio mundo em torno, o trigo morre no forno para ser pão a servir;

A argila desaparece, sob tensão desumana, fazendo-se porcelana,
Enriquecendo o porvir.
Assim também, tempo afora, ajuda, apoia, esclarece, acende a chama da prece,
E segue à frente, alma irmã! ...

Por mais triste seja a noite, que te envolve a caminhada, nas luzes da madrugada,
O dia volta amanhã.

Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Anotação em Caminho

Sob os riscos da jornada
Na vereda transformada
Em sombra pedindo luz,
Recorda que, em tuas mãos,
No amparo aos próprios irmãos,
Brilha o ideal de Jesus.

Age, auxilia, perdoa...
Na essência, em toda pessoa,
O Amor plantado produz:
Essa semente divina,
Se cultivada germina
Para servir com Jesus.

Dores, mágoas, desenganos...
São instrumentos humanos
Formando as bênçãos da cruz
De vida, esperança e paz,
Pela qual encontrarás
A redenção com Jesus.

Coração; não vais sozinho,
Entre as pedras do caminho,
A que o serviço faz jus;
No trabalho e no perigo,
Guarda esta nota contigo:
- O companheiro é Jesus.


Autor: Maria Dolores

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ação de Graças

No tempo que se desdobra,
Sem um minuto de sobra
No dia a se recompor,
Entendendo o tempo agora,
Pelos bens de toda hora,
Muito obrigado, Senhor!...

Pelo Sol que envolve o mundo
Pelo chão vivo e fecundo,
Pela fonte, pela flor,
Por toda a amplidão que vejo
Do trabalho benfazejo,
Muito obrigado, Senhor!

Pela fé que me descansa
No regaço da esperança,
Pelas promessas do amor,
Pelo caminho risonho
Do ideal a que me exponho,
Muito obrigado, Senhor!...

Por todas as alegrias,
Ante as bênçãos que me envias
Do Plano Superior,
Pelos problemas e provas
Da senda em que me renovas,
Muito obrigado, Senhor!...


Autor: Maria Dolores

terça-feira, 15 de março de 2016

Nunca Esmoreça

Nunca esmoreças.
Trabalho aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor...

Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Autor: Maria Dolores

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Amor e Fé

Quando te vejas, coração amigo,
Sob o clima violento
Das crises de tristeza e sofrimento
Não te deixes vencer...

Nos momentos de sombra ou de perigo
Mantém-te na esperança em que te elevas,
Cada noite, conquanto envolta em trevas,
É o prelúdio de novo amanhecer.

Procura meditar e ver mais longe
O apoio natural em que te escudas
É tecido no amor de forças mudas,
Desde os astros ao chão...

A Terra não discute, o Sol não fala
Nada te pede à vida a floresta opulenta
E a riqueza do ar que te alimenta
Dá-se, de todo, sem reclamação.

A flor que te perfuma é silêncio e beleza;
A fonte não opina, apenas canta;
Não tem forma verbal a força agreste e santa
Que assimilas do mar;

As bênçãos que te cercam, dia-a-dia,
Proteção, segurança, alegria e defesa
Nascem da Natureza,
Fonte viva de Amor que não cessa de amar.

Trabalha, regozija-te e perdoa,
Ampara sem cobrança e auxilia a qualquer,
"Não saiba a mão esquerda o que a direita der,"
Esta é a lição de Cristo, ante crentes e ateus.

Não temas caminhar, serve e prossegue...
Resguarda-te na fé alta e sublime,
Segue fazendo o bem, nada te desanime,
Porque trazes contigo a Presença de Deus.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Recado da Esperança

Nas provações que te surjam,
Ergue a fronte e segue à frente,
Aceita, firme e contente,
O caminho tal qual é...
De pensamento tranquilo,
Não pares. Segue e não temas,
Sem crises e sem problemas
Ninguém sabe se tem fé.

Contratempo, desencanto,
Infortúnio, prejuízo,
Tribulações de improviso,
Dificuldades no lar...
Tudo isso se resume
Na escola que nos ensina
A entender a Lei Divina
Que nos impele a marchar.

Esquece os males do mundo,
Mesmo os mais rudes e amargos,
Abraço os próprios encargos
Por íntimos cireneus;
Onde estiveres, relembra
Que o mérito vem da prova,
Que o sofrimento renova
E a dor é bênção de Deus.


Autor: Maria Dolores

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Bendita Sejas

Bendita sejas; mão piedosa e pura,
Em cujos doces dedos, de mansinho,
A caridade tece o brando arminho
Com que afagas miséria e desventura.

Estrela fulgurante em noite escura,
És a consolação, a paz e o ninho
Dos aflitos, que choram no caminho,
Sob as chagas da sombra e da amargura...

Mão que repartes luz, pão e agasalho,
Coroada na glória do trabalho,
A refulgir em todas as igrejas!...

Por toda a gratidão que te abençoa,
Mão que ajudas, contente, humilde e boa,
Deus te guarde, feliz! Bendita sejas!...


Autor: Auta de Souza

sábado, 16 de janeiro de 2016

Ama e Espera

Emudece o teu pranto. Cala o grito
De revolta na dor que te encarcera,
Por mais negra, mais rude, mais sincera,
A mágoa estranha de teu peito aflito.

Em toda a Terra há lagrimas e conflito,
Ruínas do mundo que se desespera...
Ama e sofre, trabalha e persevera
Na esperança de paz e de infinito.

Peregrino do campo atormentado,
Rompe os elos e as trevas do passado,
Fita a luz do porvir resplandecente.

Muito além do terrível sorvedouro,
Nas estradas liriais de acanto e louro,
O sol do amor refulge eternamente.


Autor: Cruz e Souza

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Natal e Jesus

Maldade, escravidão, guerra, ódio, vingança:
Eis o mundo anterior ao Século Primeiro !...
Nasce Jesus nos panos de um celeiro
E alastra-se na Terra um clarão de esperança.

Jesus cresce tranquilo e se faz mensageiro
De consolo e de Paz, de Amor e Segurança,
Tudo é Luz e Bondade, Reconforto e Mudança,
Começa, enfim, a abolição do cativeiro...

Mais tarde, ei-LO maior, o Homem Justo e Perfeito,
Ensina o Rumo Certo, o Perdão e o Direito,
Sofre perseguições, vence a cruz desolada...

E o Sol que O viu nascer, brilhando em ondas de ouro,
Contemplará Jesus, no milênio vindouro,
Abençoando a Terra, em nova madrugada.


Autora: Maria Dolores